Luciano Pires
 
Diário 2
 
 

Nasci em Bauru, São Paulo, em 1956, formando-me em Comunicação em 1977 pela Universidade Mackenzie em São Paulo. Iniciei carreira profissional na área de jornalismo, publicando em jornais de Bauru. De 1977 a 1981 fui sócio de agência de publicidade em São Paulo, entrando na Albarus S.A. em 1982 como Supervisor de Promoção. Em 1988 fui promovido a Gerente de Marketing, responsável pelas áreas de Propaganda e Promoção da Divisão de Peças - Reposição. A partir de 1993 assumi responsabilidades sobre a Comunicação Corporativa, passando em 1996 a Diretor de Marketing para o grupo de empresas Dana no Brasil.
A Dana é uma das maiores indústrias de autopeças do mundo, com faturamento de 13 bilhões de dólares em 1999 e 86 mil funcionários em 32 países. Fornece para todas as montadoras de veículos e tem operações no Brasil desde 1957, onde tem 22 unidades em quatro estados, 5.200 funcionários e  faturamento da ordem de 450 milhões de dólares em 2000.

Estava eu pelos EUA quando fiquei sabendo em 1997 da exibição do EVEREST no formato IMAX. Eu passeava de férias por San Diego e, sem saber do que se tratava, mas interessando-me pelo tema, fui assistir.
Saí do cinema completamente fascinado pelas imagens, pela música, pelo show que é o documentário.
Os caras tinham conseguido levar para o alto do Everest uma pesadíssima câmera, e gravado as imagens mais espetaculares da maior montanha do mundo. Projetado no sistema Imax, cuja tela gigantesca coloca as pessoas DENTRO do filme, tornou-se um dos mais impressionantes documentários da história do cinema.

Na época, eu não sabia da tragédia de 10 de maio de 1996, quando vários alpinistas morreram durante uma tempestade no Everest. O documentário falava do assunto, mas não trazia a dramaticidade da história.
Em 1998/99, tive a oportunidade de ler NO AR RAREFEITO, o livro do jornalista Jon Krakauer que foi um dos sobreviventes daquela tragédia. O livro passa a agonia e tormento daqueles dias e impressiona pela sequência de histórias de vida e morte que sucederam-se em algumas horas.
Aí me vi em Nova York, diante de outro cinema que passava EVEREST. Dessa vez, sabendo de toda história, o filme tomou outra dimensão. E me apaixonei de vez pelo tema.
Por causa de NO AR RAREFEITO, comprei A ESCALADA, de Anatoli Boukreev, o guia russo que foi herói e bandido durante a tragédia. Ele dava sua interpretação aos fatos.
Depois comprei HIGH EXPOSURE, contando a história de David Breashers, o diretor do filme, responsável por levar aquela câmera até o alto do Everest, e que participou ativamente do salvamento das vítimas daquela tempestade.


O DOCUMENTÁRIO QUE
INSPIROU O MEU EVEREST.

Aí comprei EVEREST- MOUNTAIN WITH NO MERCY, de Broughton Coburn, espetacular livro que relata a experiência da equipe da IMAX durante as filmagens no Everest. É talvez o melhor livro que li até hoje sobre o Everest.
Depois veio TUDO PELO EVEREST, do Waldemar Niclewietz.
Depois LOST ON EVEREST, THE SEARCH FOR MALLORY AND IRVINE, de Peter Firstbrook relatando a busca pelo corpo de George Mallory, encontrado em 1999 depois de 70 anos, no Everest.
Aí comprei GHOSTS OF EVEREST, de Jochen Hemmleb, Larry A. Johnson e Eric R. Simonson com o mesmo tema, espetacular livro relatando como , a partir do trabalho teórico de um joven alemão, uma equipe descobriu o corpo de George Mallory no Everest. Esse livro acusa Peter Firstbrook (escritor do livro anterior), de oportunista e mau caráter, pois manipulou para que seu livro fosse editado primeiro. Vale MUITO ler esse livro, que já tem edição em português.
Em seguida veio NA ESTRADA DO EVEREST, de AIRTON ORTIZ, que desmistificou as dificuldades do trekking até o campo base.
Depois veio THE ARC, contando a história do mapeamento da Índia e do descobrimento e batismo do Everest.
E por fim, lido durante a viagem ao Everest, THE OTHER SIDE OF EVEREST, de MATT DICKINSON, contando como foi a tempestade de 1996 do ponto de vista de alguém que estava na face Norte do Everest...
Pois bem. Na teoria, eu estava muito por dentro do tema Everest. E ficava naquela do " um dia vou até lá".
E um dia, entrei na internet disposto a descobrir se existiam pacotes turísticos que levassem a gente até o Campo Base. Afinal, se existiam empresas que levavam clientes ao topo do Everest, deveriam haver aquelas que chegassem até o Campo Base.
Achei um monte. Inclusive brasileiras.

Conversei com várias empresas que ofereciam pacotes diferentes, chegando a entrar em contato diretamente com alguns sherpas no Nepal. Tudo pela internet. Escolhi duas empresas: MOUNTAIN MADNESS e ADVENTURE CONSULTANTS. Por coincidência empresas que pertenceram a dois dos mais experientes alpinistas do mundo que morreram naquele fatídico 10 de maio de 96 no Everest.
Porquê as duas? Porquê eram as únicas que ofereciam a estadia no Campo Base. A maioria. inclusive as brasileiras, oferecia visitas, dizia que dava para enxergar...mas eu queria DORMIR lá.
Acabei optando pela Mountain Madness. Um pacote que me custou quase 3.000 dólares e que incluía tudo menos a passagem aérea. Vale a pena dar uma olhada no www.mountainmadness.com. Está tudo lá no site deles.
Eu seria o único estrangeiro na equipe. E acertei tudo com eles em Abril de 2000, para a viagem que aconteceria em Abril de 2001.

Uma coisa que é legal mencionar: algumas pessoas experientes me disseram que, para chegar ao Campo Base, não é preciso comprar pacote nenhum com nenhuma empresa. Basta ir prá Kathmandu e acertar um guia por lá mesmo. Sai por 1/5 do preço...
É verdade. Vi isso por lá, de montão. E cruzei com um mundo de gente fazendo assim.
Pois é...mas acontece que sou casado. Tenho dois filhos. Não sou um aventureiro acostumado a botar a vida em risco. Tenho que pensar nos meus em primeiro lugar. Porisso eu queria uma empresa que me desse segurança, que tivesse experiência e tradição.
Fiquei com a Mountain Madness.

A passagem aérea acertei com a Domenico Turismo, do meu amigo Sérgio (www.domenicoturismo.com.br). Um pacote excelente, pela South African Airlines. São Paulo / Johannesburgo / Bangkok / Kathmandu e volta. Total: 1.440 dólares.
Tem outras formas de ir, mais caras. E possívelmente até mais baratas. Mas eu preferi seguir esse roteiro e aproveitar para conhecer Bangkok.

Aí era começar a tratar do corpo e dos equipamentos...tinha um ano prá isso.

 
 
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