DIÁRIO DE VIAGEM
 
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A PREPARAÇÃO: Parque Nacional de Itatiaia
 
 
  Preparação em Itatiaia.
Foto: Divulgação
   
 
  Preparação em Itatiaia.
Foto: Divulgação
   
 
  Preparação em Itatiaia.
Foto: Divulgação
   

Uma das primeiras providências que tomei foi procurar a turma que é do ramo. Cheguei ao Airton Ortiz através de seu livro NA ESTRADA DO EVEREST e ele me deu a dica para inscrever-me numa lista de discussões sobre montanhismo: montanhismo@grupos.com.br.
Botei uma singela mensagem dizendo ao grupo que eu estava me preparando para o Himalaia e queria saber por onde começar, perto de São Paulo. Várias dicas chegaram imediatamente, e o Guilherme Rocha, do Rio, me deu as coordenadas para entrar em contato com o Alberto, que é de Itatiaia e costuma trabalhar como guia para pessoas que querem fazer as caminhadas pelo parque.
O contato com o Alberto (024 3352 -1043) foi rápido e objetivo. Logo eu estava saindo de São Paulo, num sábado às 5:30 da manhã, acompanhado do Carlos Morey, outro amigo descoberto através do mesmo grupo de discussão.
Fomos a Itatiaia e subimos no Agulhas Negras. Para mim, que era marinheiro de primeira viagem, foi o máximo.
Quase deixei as tripas na rampinha e no rampão do Agulhas...minhas pernas não acreditavam que aquilo pudesse existir.

Foi meu primeiro contato prá valer com o montanhismo. Sentado lá em cima, no meio do caminho para o pico, comendo um sanduíche e olhando aquela imensidão, com aquele silêncio, aquela paz...sensações estranhíssimas e novas.

Me dei conta de coisas nas quais nunca havia pensado. Como o tempo é relativo nesses lugares. Estamos aqui e vamos chegar até ali. O que parecia um pulinho de 5 minutos, leva uma hora....
E se a dimensão tempo é relativa, a noção de distância vai para o brejo. As montanhas e pedras são tão grandes que a gente perde a noção de perspectiva, de tamanho. O que parece pequeno é gigantesco. E no Himalaia, é isso mesmo, vezes 100....

 


Treinamento em Itatiaia
Acertei um esquema com o Alberto, de pelo menos uma vez por mês dar uma corrida a Itatiaia. Eu não tinha tempo para dedicar ao treinamento. Consegui numa oportunidade fazer Prateleiras. E na outra, quando tentamos a travessia de Serra Negra, pegamos um chuvão brabo que jogou por terra nossos esforços.

Três idas a Itatiaia. Três trekkings curtos de um dia, um dia e meio.
Foi tudo que eu consegui fazer para me preparar para o Himalaia.

Por outro lado, quando acertei o pacote eu já estava fazendo academia, exercitando-me com um personal trainer, o Niels.
Mostrei a ele o que eu queria fazer e ele montou um programa com três aulas por semana. Musculação, resistência, força e aeróbica.
E Itatiaia foi importantíssimo para mostrar onde é que eu devia focar no trabalho muscular.
Perdi 9 quilos de gordura e ganhei 5 de massa muscular. Ficou bom, mas faltava a parte aeróbica..

Manifestei minha preocupação ao Airton Ortiz e ele saiu-se com a seguinte pérola: não se preocupe com a forma física. A trilha do Everest é uma questão de cabeça: se a cabeça está boa, você consegue...
Achei esquisito mas tive dezenas de oportunidades para comprovar que o Ortiz estava certo.
Vi gente que aparentemente não subiria uma escada, fazendo a trilha do Everest. Homens e mulheres com mais de 70 anos. Uma senhora, sexagenária, com uma perna mecânica. Gordos e magros. Jovens e velhos...tinha de tudo. Cada um tentando chegar ao seu Everest.

Eu e o Alberto - Meu primeiro cume, Pico das Agulhas Negras 2787 m
Foi aí que descobri que cada um faz seu Everest ser mais difícil ou fácil. Cada um fixa seus limites. Cada um define os extremos a que pode chegar. Cada um é responsável, conscientemente ou não, por fazer da trilha para o Everest uma caminhada ou um inferno.

Mas bem ou mal, durante um ano me preparei. Faltou fazer a parte aeróbica. Caprichei nos músculos do braço e antebraço, que me dariam empuxe com o bastão de trekking. Caprichei com as pernas, com as coxas, com a batata das pernas.
Não me tornei um atleta mas perdi aquele formato executivo arredondado. Nunca estive tão bem e, só porisso, a viagem já teria sido um sucesso mesmo se eu não tivesse passado de Kathamandu.

 
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