Mulheres nas alturas - Parte 3

by Patricia Paladino 26. junho 2009 16:59

Caros membros da expedição O Meu Everest

Chegamos à terceira parte da série Mulheres nas Alturas, com a italiana Nives Meroi, a mais velha das três montanhistas que estão a alguns passos do Circuito dos OitoMil. O mais bacana é a diferença de estilo entre as três. Nives é uma purista, uma "à moda antiga" da montanha. Vamos a ela:

 

Série Mulheres nas Alturas - Parte 3

NIVES MEROI

Seus OitoMil:

1998 – Nanga Parbat (8.126m)
1999 – Shishapangma (8.027m)
1999 – Cho Oyu (8.201m)
2003 – Gasherbrum II (8.035m)
2003 – Gasherbrum I (8.068m)
2003 – Broad Peak (8.047m)
2004 – Lhotse (8.516m)
2006 – Dhaulagiri (8.167m)
2006 – K2 (8.611m)
2007 – Everest (8.848m)
2008 – Manaslu (8.163m)
Ainda lhe faltam o Kangchenjunga, o Annapurna e o Makalu.

Mais velha entre as três montanhistas, a italiana Nives Meroi nasceu em Bergamo, em 17 de setembro de 1961. Começou pelos Alpes e nas Dolomitas e sua primeira tentativa de um OitoMil foi bem arriscada: uma difícil rota do difícil K2 – chegou a 8.000m, mas não conseguiu o cume.

Seu primeiro OitoMil foi o Nanga Parbat, em 1998. Também a partir do início do novo século, Nives entrou para o rol da elite do montanhismo (sempre escalando com o marido, Romano Benet, com quem divide as cordas e a vida há 21 anos) e para a corrida pelo 14 gigantes. Em 2003 fez o Gasherbrum II, o Gasherbum I e o Broad Beak. E em 2006 também escalou dois himalaios, o Dhaulagiri e, enfim, o K2. Todos sem oxigênio artificial e em estilo ligeiro. Sobre o casal, no meio do montanhismo se costuma dizer que “seu estilo remonta a uma outra era do montanhismo”. Um purismo notável e que também mantém o par unido.

Alguns sites especializados em alta montanha chamam Nives de Himalayan Queen, por seu estilo à antiga de escalar. Apesar do inglês bem precário, Nives é sempre muito solícita e simpática na montanha. Tanto que, durante a escalada ao Everest, em 2007, sem o suporte de uma grande expedição, quatro italianos de sua equipe desapareceram na montanha. Nives e Romano já haviam feito o cume, e estavam no Base Avançado. Dois dias sem notícias dos companheiros. O jeito foi apelar para Russel Brice, líder da Himalayan Experience (HimEx), e conhecido por não negar auxílio a nenhum montanhista em dificuldade. Brice deslocou um de seus melhores sherpas que já estava no alto da montanha (desfalcando sua própria equipe de cume) para vasculhar os acampamentos em busca dos italianos. Dois desceram por conta própria, outro foi encontrado pelo sherpa e um, infelizmente, morreu.

Esta cena pode ser vista na segunda temporada da série Beyond the limits, do Discovery Channel. Chega a ser um pouco cômico (se não fosse trágico) a dificuldade de Nives em se comunicar com Brice – mas sua gratidão pode ser sentida em qualquer idioma...

Em março de 2009, Nives e Romano seguiram para o Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo e localizada na fronteira do Nepal e da Índia. Mas mudaram de idéia por conta do “alvoroço na Kang. Zone”, como escreveu em seu site, e rumaram para o Annapurna. O tempo ruim forçou o casal a retomar seu plano original (Kang). Mas problemas de saúde com Romano fez com que os dois abandonassem a escalada em 17 de maio. Este não foi um bom ano para os italianos...

Uma das maiores experiências nos gigantes himalaios, para Nives, foi a escalada do K2, em 2006. Ela diz: “O lado Norte do K2 é isolado e distante de absolutamente tudo. Comparado ao Campo Base da rota normal, dá uma sensação de solidão e de estar explorando um novo mundo. Só havíamos nós sete lá, mais ninguém. Tínhamos a montanha só para nós... é uma sensação maravilhosa!”.

Mesmo com 11 OitoMil nas costas, e sendo uma excelente guia, Nives Meroi ainda encontra dificuldade para levantar dinheiro para suas expedições. “Muitas vezes deixamos uma montanha de lado por falta de dinheiro. Não é fácil conseguir patrocínio ou apoio para ninguém. Pior se você é italiano, e mora onde nós moramos, em Tarvisio, não muito distante da fronteira com a Áustria e a Eslovênia. Muitas vezes somos totalemente esquecidos em nosso pequeno refúgio!”, brinca Nives. Quem pode esquecer uma rainha do Himalaia? 

DHAULAGIRI 

 

Cume do Dhaulagiri

 

GASHERBRUM I

Chegando ao cume...

... e no cume!

 

K2

 

 

LHOTSE

Com o marido e parceiro Romano Benet, com quem divide a vida e as montanhas, na caminhada de aproximação do Lhotse, montanha vizinha ao Everest e cuja trilha e os acampamentos (do Base ao Campo 4) seguem o mesmo percurso

Na barraca de um dos acampamentos (não identificado)

A temida Cascata de Gelo do Khumbu também é travessia para a escalada do Lhotse...

... assim como o Western Cwm, ou Vale do Silêncio, que abriga os campos 1 e 2

 

EM OUTRAS MONTANHAS

          

                No Gasherbrum II...                                                ... e no Nanga Parbat

E em nossa linda e amada montanha. É claro que é o Everest.. Aqui, atravessando a Cascata de Gelo

 

DIVIDINDO A CORDA: COM ROMANO BENET

 

 

 

 

Caros membros de nossa expedição, chegamos ao fim da primeira parte da série Mulheres nas Alturas. Para os que não viram os perfis de Edurne Pasaban e Gerlinde Kaltenbrunner, é só arrastar o mouse para os posts mais abaixo. Vamos continuar esta série, com o perfil das grandes e lendárias montanhistas que chegaram aos cumes das maiores montanhas da Terra.

Por várias vezes Edurne, Gerlinde e Nives se encontram nos campos bases das altas montanhas. Em 2003, Edurne e Nives encontraram-se no Base de duas montanhas: o Gasherbrum I e II. Em 2007, Edurne e Gerlinde fizeram o cume do Broad Peak no mesmo dia, 12 de julho. O mesmo aconteceu em 1º de maio de 2008, quando as duas chegaram ao cume do Dhaulagiri.

Este ano, Edurne e Nives estavam no Kangchenjunga, enquanto Gerlinde fazia o cume no Lhotse.

Se elas negam que haja competição, o resto do mundo aguarda ansiosamente quem será a primeira a conseguir completar o Circuito dos 14 OitoMil.

      

               Edurne Pasaban                                  Gerlinde Kaltenbrunner                                  Nives Meroi

Essas três senhoras estão, com todo mérito e reconhecimento, entre os melhores montanhistas da atualidade. Sejam eles homens ou mulheres.

Namastê!

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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