Mulheres nas Alturas - Parte 2

by Patricia Paladino 22. junho 2009 17:31

Caros membros da expedição O Meu Everest

Continuando a série Mulheres nas Alturas, este capítulo é da austríaca Gerlinde Kaltenbrunner, uma das três montanhistas que rumam para completar o Circuito dos 14 OitoMil. Com um estilo diferente de Edurne Pasaban, a primeira perfilada da série, Gerlinde sempre busca a rota mais difícil - ou pelo menos a menos utilizada - para escalar. Para fechar o circuito, lhe faltam dois grandes desafios: o K2 e o Everest.

Ah, sim: esta série é dedicada a Gerusa Palhares, membro honorário da expedição O Meu Everest e montanhista de primeira.

Série Mulheres nas Alturas - Parte 2

GERLINDE KALTENBRUNNER

Seus Oito Mil: 

1998 – Cho Oyu (8.201m)
2001 – Makalu  (8.463m)
2002 – Manaslu (8.163m)
2003 – Nanga Parbat (8.126m)
2004 – Annapurna (8.091m)
2004 – Gasherbrum I (8.068m)
2005 – Shishapangma (8.027m)
2005 – Gasherbrum II (8.035m)
2006 – Kanchenjunga (8.586m)
2007 – Broad Peak (8.047m)
2008 – Dhaulagiri (8.167m)
2009 – Lhotse  (8.516m)
Ainda lhe faltam o Everest e o K2.

 

Gerlinde Kaltenbrunner nasceu em uma pequena cidade da Áustria, Kirchdorf-an-der-Krems, em 13 de dezembro de 1970. É claro que sua carreira começou nos Alpes austríacos, ainda muito nova. Em 1994 tentou, pela primeira vez, um OitoMil (o Broad Peak), mas não chegou ao cume – o que conseguiria quatro anos depois, com o Cho Oyu.

Três anos de diferança estiveram entre este e o segundo OitoMil. Coincidentemente (ou não), quando outra montanhista, a espanhola Edurne, iniciava sua busca. A partir daí, ela não parou mais: pelo menos uma ascensão por ano – e em 2004 e 2005, duas (Annapurna e Gasherbrum I e Shishapangma e Gasherbrum II, respectivamente).

Gerlinde é low profile. Ela não se refere a si mesma como “a primeira mulher escaladora a fazer isso ou aquilo”. Para ela, não há diferença entre homens e mulheres nas montanhas. Escala sozinha, com outros homens ou com outras mulheres. Escalou todos os cumes sem oxigênio, e buscando sempre as rotas mais difíceis – ou pelo menos as menos utilizadas. E faz isso sem muito alarde: a publicidade em torno de seu nome é espontânea e ela lida de forma bem tranqüila com isso. Sua máxima é: “Se a montanha não quer você, você deve sair dela”.

Em 2005, Gerlinde conseguiu o respeito e a admiração da comunidade da montanha ao completar a travessia da Face Sul do Shisapangma em estilo alpino, uma escalada non stop de 12 horas, sem cordas, acampamentos, sherpas ou oxigênio artificial. Escalou com o marido Ralf Dujmovits (que este ano, com o cume do Lhotse, tornou-se o 16° montanhista a fechar o circuito dos OitoMil) e outro parceiro constante, o japonês Hirotaka Takeuchi – com quem também fez a Face Norte do Kangchenjunga.

Em 2005, Gerlinde, Ralf e Hirotaka seguiram para o Everest – que pretendiam escalar pela Face Norte – na difícil, perigosa e pouquísimo utilizada rota do Japanese Couloir/Hornbein Colouir, e mais uma vez em estilo alpino. Mas, aos 7.650 metros, na Aresta Norte, Hiro subitamente perdeu a capacidade de falar – típico sintoma do Mal da Montanha, que pode evoluir até a fatalidade. Gerlinde e Ralf o puseram em uma barraca, enquanto seu estado se deteriorava. A austríaca tentava aplicar as drogas de emergência para esses casos, mas o corpo de Hiro estava tão rígido pelo frio que ela não conseguia enconrar uma veia para aplicar a Dexamethasona. Pelo telefone via satélite, contactaram um médico na Áustria – enquanto Hiro apenas pedia: “Tire uma foto minha antes de morrer”, um pouco delirante. Pouco depois, Hiro aparentemente conseguia se mover. Sem cordas fixas ou sherpas, o casal tiveram que improvisar: amarraram Hiro a uma corda e o guiaram pela travessia até a rota normal do Colo Norte. Com o japonês recuperando as forças, conseguiram chegar ao Campo Base Avançado Norte, onde uma expedição comercial os abrigou. Gerlinde e Ralf olharam para o cume, sabendo que a escalada havia terminado. “Mas o que é um cume comparado à vida de um amigo?”, ela disse depois. E o Everest ficou para depois.

Nesta temporada de 2009, Gerlinde chegou ao cume do Lhotse, dividindo o Campo Base – e toda a rota até o Colo Sul – com as expedições que seguiam para o Everest. Com este cume, ela e Edurne estão com 12 OitoMil.

Com o parceiro Hirotaka Takeuchi, na caminhada de aproximação (local não identificado)  

Com o marido e parceiro constante Ralf Dujmovits, em um de seus cumes (não identificado)

 

Escalando na difícil rota do Japanese Colouir, pela Face Norte do Everest: um cume adiado em prol da vida de Hiro.Um pouco antes da travessia com Hiro, um outro problema na escalada da Face Norte do Everest: o marido Ralf perde o crampom da bota direita, que o impossibilita de se mover. A superGerlinde entra em ação: desce até onde se encontra o marido, e depois até o último acampamento, trazendo de volta um crampon sobressalente

Na barraca em um dos campos altos do Shishapangma

 E com Ralf fazendo o cume do Shishapangma: escalada em estilo alpino, um non stop de 12 horas sem oxigênio ou apoio 

Acima e abaixo, na parede vertical do Annapurna

 

A ascensão do Gasherbrum I

O Gasherbrum II, pico do maciço de Gasherbum e 13ª mais alta montanha do planeta, situado na região do Karakoram paquistanês 

Acima, no Campo Base do Kangchenjunga; abaixo, a escalada do terceiro gigante com mais de 8 mil metros de altitude

       

Amanhã, a italiana Nives Meroi, a terceira montanhista em busca dos 14 gigantes da Terra.

Namastê!

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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