Caros membros da expedição O Meu Everest,
Todo mundo sabe que nós, mulheres, podemos tudo! Inclusive entrar nessa briga da elite do montanhismo! Portanto, hoje começamos uma nova série – que se junta à série Heróis do Everest – contando um pouco da carreira das mulheres que fizeram história na alta montanha.
Embora este seja um blog dedicado ao Monte Everest, não há como esquecer os outros 13 gigantes com mais de 8 mil metros de altura da Cordilheira do Himalaia. Porque todos os grandes montanhistas que fizeram o Everest também têm muita história para contar nas outras montanhas...
E as mulheres estão lá. A primeira mulher a pisar no cume do Everest foi a japonesa Junko Tabei, em 1975 – e também foi a primeira a fazer dois cumes de 8 mil metros (com o Shishapangma, em 1981). Mas as primeiríssimas a chegar a um OitoMil integraram a equipe japonesa que fez o Manaslu (8.163 metros) em 1974: Naoko Nakaseko, Masako Uchida e Meiko Mori foram as desbravadoras de um gigante himalaio.
Depois delas, muitas mulheres seguiram para o alto. Mas vamos começar esta série pelo final. Focalizando três das maiores montanhistas da atualidade e que estão em uma competição (ainda que velada) pelo título de “a primeira a completar o circuito dos 14 gigantes com mais de 8 mil metros de altitude”. Todas refutam a competição. Dizem que fazem isso sem pensar no recorde e muito menos na disputa por quem vai consegui-lo. Será?
Edurne Pasaban, Gerlinde Kaltenbrunner e Nives Meroi. No ano passado, as três estavam “empatadas”, com 11 cumes. Este ano, as duas primeiras conseguiram mais um. Nives continua com 11. A corrida está acirrada. Nesta temporada, Edurne chegou ao cume do Kanchenjunga, Gerlinde ao do Lhotse e Nives não completou o Kanchenjunga. A briga está boa!! Quem tiver mais força, determinação, sorte com o bom tempo – e dinheiro – entrará para a história do montanhismo mundial. Vamos ao primeiro perfil, de Edurne Pasaban, uma das três maiores escaladoras em atividade.
Série Mulheres nas Alturas - Parte 1
EDURNE PASABAN
Seus OitoMil:
2003 – Gasherbrum II (8.035m)
2003 – Gasherbrum I (8.068m)
2005 – Nanga Parbat (8.126m)
2007 – Broad Peak (8.047m)
2008 – Dhaulagiri (8.167m)
2009 – Kangchenjunga (8.586m)
Ainda lhe faltam o Annapurna e o Shishapangma.
Edurne Pasaban nasceu em 1° de agosto de 1973 em Tolosa, Guipúzcoa, uma província espanhola e território do País Basco. É engenheira técnico industrial, com MBA pela Business School de ESADE, em Barcelona. Hoje, além de escalar altas montanhas, dirige um restaurante-pousada na província basca de Zizurkil e é consultora da ESADE e palestrante motivacional, voltada para planejamento e trabalho de equipe.
Aos 17 anos já escalava, e seu primeiro cume foi o Chimborazo, no Equador. Mas como nosso assunto aqui é alta montanha, vamos enfatizar seus feitos (e os das outras duas) na grande cordilheira.
Edurne começou pelo Dhaulagiri (8.167 metros, a sétima maior montanha do mundo), em 1998, mas não conseguiu chegar ao cume. Sua sucessão de cumes de OitoMil vieram a partir de 2001 – e logo pelo maior de todos eles, o Everest. Seu empenho no projeto a levou a escalar mais de um gigante por ano. Após o cume do Everest (em 23 de maio de 2001), partiu para o Dhaulagiri, mas não chegou ao topo. Em 2002 foram dois cumes: o Makalu, em 16 de maio, e o Cho Oyu, em 5 de outubro. E em 2003 fez o Lhotse, na primavera nepalesa, e partiu para o Paquistão, onde conquistou o Gasherbrum II (em 19 de julho) e o Gasherbrum I (também conhecido como Hidden Peak) apenas uma semana depois. Em 2004, torna-se a única espanhola a cumear o K2, segunda maior montanha do mundo e tecnicamente bastante difícil, e a sexta mulher a fazê-lo. Em apenas cinco anos ela fez sete OitoMil – com o ônus da perda de dois dedos dos pés por congelações no K2, que subiu com outra lenda dos Circuito dos 14 OitoMil, Juanito Oiarzabal.
Edurne Pasaban também tem um marco em sua carreira: foi a primeira montanhista a bater o recorde que pertenceu por muito tempo a Wanda Rutkiewicz, que é considerada a maior montanhista de todos os tempos, e que desapareceu na descida do Kanchenjunga. Até então, Wanda detinha o recorde de cumes em OitoMil (oito), e este recorde se manteve por 15 anos após sua morte. Até a espanhola igualá-lo.
Em 2005, foi considerada a melhor desportista do ano pela Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada (FEDME), pela Comissão Mulher & Esporte do Comitê Olímpico espanhol.
Há uma enorme expectativa – e publicidade – em torno de Edurne Pasaban. Em muitas de suas ascensões (como ao Nanga Parbat, ao K2 e este ano, ao Kangchenjunga) ela é acompanhada pela equipe do programa espanhol Al Filo de Lo Impossible, que documenta sua carreira.
A habilidade desta escaladora é notável. Ela tem um estilo agressivo na montanha, fruto de uma enorme determinação e de muita preparação física e psicológica. Edurne vive para (e nas) montanhas.
Campo Base do Everest, lado Norte tibetanto
Makalu (à direita, no cume)
No Cho Oyu
Gasherbrum I
Nas fotos acima e abaixo, no K2. Na foto abaixo, chegando ao cume
No Campo Base do Nanga Parbat Com Juanito Orzabal, no Borad Beak
No Kangchenjunga, este ano
Amanhã, continuando a série Mulheres nas Alturas, os feitos da austríaca Gerlinde Kaltenbrunner.
Namastê!