Foto Waldemar Niclevicz
Membros da expedição O Meu Everest
Morey nos manda mais detalhes do segundo dia de ataque ao cume e notícias curiosas de hoje lá do Campo Base:
“Espero começar a descer amanhã para Pheriche. Depois Namche e finalmente Lukla. Devo ficar dois ou três dias em Kathmandu e pegar o vôo de volta. Estou agora trabalhando na remarcação dos vôos.
Mais algumas informações sobre a expedição:
20/05
O time Orange sai às 20h30 para o ataque ao cume. Para minha surpresa e tristeza, o Ian desistiu pouco antes da Balcony. Teve problemas estomacais. O Ian é um dos poucos com que fiz um boa amizade aqui. Fiquei chateado.
O Neil_A, como eu previa, não agüentou o tranco e também teve que desistir. Mas a sua esposa chegou lá... Parabens às mulheres... O Tomaz, Chris, Kevin, Adele e Amanda chegaram ao cume do Everest.
Nós saímos às 9h15 do Campo 4 e descemos até o Campo 2 em seis horas. Supercansativo. E cruzamos com um mar de pessoas no caminho contrário, indo atrás do seu Everest.
21/05
Superpesados, pois estamos descendo agora com todos os equipamentos, saímos às 6h45 do Campo 2. Levamos quase cinco horas e meia para chegar no Campo Base. Exaustos, mas seguros. Aqui os riscos são mínimos.
Essa foi a décima vez que passamos pelo Ice Fall. Ele está bem diferente da primeira vez. Seja pelas várias avalanches ou seja pelo próprio derretimento do gelo ao longo dessas várias semanas.
Ficamos sabendo que o time Orange também conseguiu descer com segurança do Campo 4 para o Campo 2. Ficamos tranqüilos que o time está bem.
22/05
Notícias frescas... O time Orange começa a chegar ao Campo Base. Chegou o Tomaz, o Kevin e o Chris. A notícia interessante é que os pais do Chris vieram do Portland, Oregon, fazer o trekking ao Campo Base e esperar pelo filho. Filho esse que tentou o Everest em 2005 e não conseguiu chegar no cume, pois o sherpa que o acompanhava o abandonou. Foi uma emoção aqui no Campo.
Abraços,
Morey”
Daqui a dois dias Morey começa a fazer o caminho de volta... O clima no Campo Base, a esta altura, já deve ser de despedida das expedições. Muitas já desmontando seus acampamentos, encaixotando equipamentos e as toneladas de material usado para manter o acampamento funcionando, os iaques retornando ao Base para levar a carga mais pesada, os times se despedindo uns dos outros...
Eu fico imaginando que este momento, para todas as expedições e para os alpinistas, deva ser uma mistura de alívio e tristeza... Vontade de voltar para casa mas melancolia em deixar aquele lugar que, durante dois meses, foi uma cidade povoada por pessoas com expectativas, sonhos, medos, incertezas... E confiança, determinação, garra, força de vontade.
Afinal, foram quase dois meses de convivência, às vezes pacífica, outras, atribulada. Dois meses de sustos com avalanches, quedas e fatalidades. De torcida por um tempo bom, pela ajuda da natureza. De preces e pujas. De luta por estar sempre atento psicologicamente e forte fisicamente.
De qualquer forma, esta cidade com quase mil habitantes está sendo deixada para trás nos próximos dias.
O Campo Base do Everest ficará vazio - sem uma presença humana sequer.
A montanha irá descansar até a próxima onda de expedições. Fico imaginando o silêncio, a tranqüilidade. A imensidão do Everest sozinha - apenas com os goraks sobrevoando seu cume.
Apenas o Everest. Sagarmatha, para os nepaleses, o Teto da Terra. Chomolungma, para os tibetanos e sherpas: a Deusa Mãe do Mundo.
Namastê.