Novo dispatch de Morey

by Patricia Paladino 12. maio 2009 12:17

 Caros membros da expedição O Meu Everest:

Mais notícias de Morey! Não vamos esquecer que lá no Nepal já é amanhã (8h45 de diferença, para mais). Portanto, com a espera da janela de bom tempo, vamos torcer para que Morey nos envie muitos dispatches por estes dias. Neste agora ele comenta a morte do sherpa por envenenamento provocado pelo uísque clandestino, sobre o qual falamos ontem. E anuncia prováveis baixas para o cume em sua expedição. Muitos estão jogando a toalha, infelizmente. Vamos lá:

 

“Depois de 36 horas de muita neve, finalmente o tempo melhorou um pouco, mas até o próximo sábado, creio que não teremos nada a fazer do que esperar. Essa deve ser a tendência dos próximos dias.

Vou procurar manter a mente ocupada e se o tempo permitir farei algumas pequenas caminhadas pela região para manter os músculos quentes.

Infelizmente ontem morreu mais um sherpa e um outro está muito ruim. O motivo da morte não é incomum para nós brasileiros, mas tem sido muito comum aqui. Os dois sherpas tomaram um porre de whisky batizado. E tinha sido batizado com metanol. Parece que tem sido comum a importação ilegal de bebidas alcoólicas do Irã e Paquistão e não está sendo incomum pessoas passarem mal com a bebida.

Hoje tentamos um resgate do sherpa que está internado no HRA, mas o tempo ainda estava nublado e ventoso. Tomara que amanhã consigamos.

Felizmente, para mim, estou de Lei Seca. Até concluir a minha missão aqui não corro o risco de experimentar essas bebidas.

O que surpreendeu de verdade foi o comportamento do nosso guia argentino, Willie Benegas. Desde a notícia do envenamento pelo whisky dos sherpas, ele não sai da tenda do hospital. Passou a noite ao lado do sherpa. A sua preocupação com o local (segurança, poluição etc) e com os sherpas é impressionante. Ele vê um sherpa sem crampom ou sem cadeirinha num lugar perigoso, e logo chama a atenção. E depois chama o chefe dele para conversar. Parabéns... Não é à tôa que tem sete cumes do Everest...

Hoje o Peter veio conversar comigo. Tenho visto, ao longo dos dias, que o brilho saiu da sua face. Ele jogou a toalha. O tempo em Pheriche não foi suficiente para ganhar força e energia para continuar. Ele deve começar a voltar para casa amanhã. O próximo, creio, deve ser o David.

O Neil, mesmo com o problema nas costelas, se mostrou bem no retorno ao Campo Base. Pode ser o elemento que complete o time de 10 para o Summit Push.

O Charles Klein também tinha me perguntado sobre como é o caminho do Campo 3 ao 4. Ele começa pela Face do Lhotse, cruza a Faixa Amarela e vai acompanhando uma parte rochosa da Face, o Geneve Spurs, até chegar ao topo, aos 8.000m, local do Campo 4. Peguei uma foto e desenhei o caminho.

 

 
 O caminho do Campo 3 ao Colo Sul, onde fica localizado o quarto e último acampamento antes do cume 

Vou ficar devendo as fotos do local de onde saiu o gelo para a avalanche porque sumiu a expansão USB que usava para descarregar as fotos. Espero que achem... Pois senão... No Picts...

Abraços,

Morey”

 

 

Willie Benegas é velho conhecido de quem anda pelas bandas do Everest. Experiente alpinista, é reconhecido por este espírito "antigo" de relação com a montanha e o montanhismo - que, infelizmente, nem todos têm hoje em dia. Para alpinistas de elite, como ele, nada é mais importante do que uma vida em risco na montanha. Não importa cume, não importam os recordes. Importa é resgatar ou atender alguém em dificuldades. Dave Hahn, Ed Viesturs, Conrad Anker, David Breashears e Pete Athans também são alguns dos membros desta antiga (e bendita) confraria. Benegas já guiou alpinistas e clientes para várias expedições, ao longo dos anos, e nesta temporada está guiando na Jagged Globe - que bom para a equipe!

        

Benegas em "trajes civis" e em ação, em um de seus sete cumes no Everest 

Morey manda a foto da rota entre o Campo 3 e o Campo 4, com os marcos do caminho entre eles (Yellow Band e Geneve Spur). Aliás, é para lá que nós vamos amanhã aqui na nossa expedição! Conhecer o caminho e o Campo 4 - a Zona da Morte, e o porto seguro da volta do cume.

Até lá.

Namastê. 

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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