Morey de volta ao Campo Base

by Patricia Paladino 12. maio 2009 05:04

                                                                                                                                                                                                                                          Foto de Tomsli website

Este é o Campo Base em 10 de maio: coberto de neve. Segundo nosso brasileiro Carlos Morey, estes têm sido os dias mais frios desde que chegou à montanha, há quase 50 dias 

 

   Carlos Morey está de volta ao Campo Base do Everest, após um período em Pherische com a equipe da Jagged Globe para respirar um ar mais denso e recarregar as energias.

Neste dispatch bem esclarecedor, Morey explica o funcionamento das máscaras de oxigênio e reguladores e sobre como será a logística do ataque ao cume.

 

“Estamos de volta a esse "paraíso"... Levamos três horas desde Lobuche até aqui sob uma forte nevasca. Na verdade, desde que saí do Brasil, há 46 dias, hoje é o dia mais feio que vi aqui. Todas as expedições que tentaram cume têm fracassado. Espero que essa piora do tempo termine. Todas as expedições estão esperando por uma janela... E quando ela vier... Todas tendem a correr. Aquela organização inicial que estávamos tentando ter pode ir por água abaixo.

 

Eu recebi um e-mail do meu amigo Charles Klein e eu vou usar o Blog para respondê-lo, pois eu também tinha muitas dúvidas sobre o uso do oxigênio. Sobretudo para quem leu o livro do Jon Krakauer, 'No ar rarefeito'.

 

Cada um de nós temos direito a 7 cilindros de 3L (6kg é o peso dele cheio). Esse cilindro é conectado a um regulador (russo) como num mergulho, mas a qualidade é bem inferior. O regulador é conectado à máscara (Top Out e não Poisk, russa). O regulador possui essas marcações: 0.5, 1, 2, 2.5, 3 e 4. A tabela abaixo dá uma idéia média de duração nessas marcações:

 

  • 0.5 = 32 horas
  • 1 = 16 horas
  • 2 = 8 horas
  • 2.5 = 6 horas
  • 3 = 5 horas
  • 4 = 3 horas

 

Usar no 4, ou mesmo no 3, é desperdício...

 

Para dormir, usamos o 0.5. Já usei 3 horas de um cilindro no Campo 3 para teste.

 

Acreditamos que devemos usar entre 2 e 2.5 no dia do cume. E nesse dia a estratégia será a seguinte:

 

  • Teremos um sherpa para cada um de nós.
  • Ele é quem monitorará e trocará os cilindros.
  • Previamente já teremos para cada um de nós 1 cilindro no Balcony e 1 cilindro no Cume Sul.
  • Sairemos para o cume entre 21h e 22h.
  • A previsão é que cheguemos ao Balcony em 4 horas. Lá trocamos de cilindro. O usado (que foi utilizado até aqui) deve estar na metade. Será utilizado na volta.
  • A mesma estratégia para o Cume Sul: troca-se por um novo e deixa-se o usado para a volta. Estima-se entre 4 horas entre o Balcony e o Cume Sul.
  • Com esse novo vamos e voltamos do cume. E ele serve de backup. Pois levaremos umas 4 horas entre ir e voltar (2 horas até o cume, e 10 no total).
  • E o sherpa irá voltando e carregando os cilindros usados.

 

Amanhã mando umas fotos com o caminho do Campo 4 e o volume de gelo que desceu na avalanche do último dia.

 

Abraços,

 

Morey”

 

 

Algumas explicações a detalhes mencionados por Morey: as marcações se referem ao fluxo de oxigênio que o regulador do cilindro libera. Quando ele fala da Balcony e do Cume Sul, ele está se referindo a dois dos marcos do caminho entre o Campo 4 e o cume. Entraremos em mais detalhes quando "subirmos" ao Campo 4.

Pelo que ele diz, o tempo estimado de escalada entre o Campo 4 e o cume é de 10 horas. Teoricamente, há oxigênio suficiente para este tempo. Digo teoricamente porque, a partir deste ponto, ainda não alcançado por nenhum membro da expedição, tudo dependerá da velocidade de avanço de cada alpinista e de suas condições físicas e psicológicas, o que pode atrasar um pouco esta estimativa. Além de significar que, diante das condições da subida, o fluxo de oxigênio pode precisar ser aumentado. 

Outro ponto interessante é o horário marcado para a saída do Campo 4. Normalmente, as expedições deixam o último acampamento entre 23h e meia-noite - o que faz com que o cume seja atingido, em condições normais, por volta do meio-dia. A antecipação da saída é boa, já que também antecipa em duas horas o cume - o que está aquém do horário-limite de segurança para se atingir o cume do Everest (14h) e voltar com sobra de luz do dia e boas condições climáticas.

Tudo está correndo muito bem com Morey. O cume está próximo e aguardamos ansiosos as fotos que ele promete enviar amanhã, com o resultado da última avalanche.

Em frente!

Namastê.

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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