Subindo ao Campo 3

by Patricia Paladino 3. maio 2009 09:28

Continuamos subindo a montanha! Hoje partimos para a última etapa de aclimatação, escalando rumo ao Campo 3 - o acampamento inclinado, localizado na Face do Lhotse. 

 

CAMPO 3 (C3)  

Altitude: 7.400m 
Localização: Face do Lhotse 
Tempo de escalada (C2-C3): entre 3 e 6 horas

  

Localização do Campo 3 do Everest (segundo triângulo de cima para baixo)

                                                                                                                   Mapa Alan Arnette

   

A rota de subida: na foto à esquerda, o Campo 3 é o triângulo mais acima. Na foto à direita, a rota entre os campos 2 e 3 e acima, rumo ao Campo 4

 

 

 

O Campo 3 está localizado na Face do Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo (8.516 metros), e vizinha ao Everest. Na verdade, as duas montanhas se encontram no Colo Sul (local do Campo 4) e a rota de subida para ambas é a mesma. Inclusive os locais dos acampamentos. Se fosse uma "esquina", no Colo Sul o cume do Everest fica à esquerda. Para o cume do Lhotse, basta "virar à direita".

 

O Everest à esquerda, o Lhotse à direita, e no centro da foto o Colo Sul, onde as montanhas se tocam. A parte escarpada de neve é a Parede do Lhotse, onde está localizado o Campo 3

 

 

 

Chegar aqui não é fácil. A parede tem uma inclinação média de 45° (maior, em alguns trechos, podendo chegar a até 70° de inclinação!) e, para segurança, os alpinistas sobem encordados uns aos outros, e todos atados à corda fixa, colocada previamente pelos sherpas.

 

 

O zigue-zague da fila de alpinistas

      

A longa e exaustiva subida e o grau de inclinação da face do Lhotse, o que já causou muitos acidentes em temporadas anteriores

No Campo 3, montado a 7.400 metros de altura, já é difícil respirar sem a máscara de oxigênio. A maioria dos alpinistas faz uso dela a partir daqui, e também no pernoite no acampamento.

Do lado de fora e, abaixo, de dentro: o visual de dentro da barraca é este - um paredão inclinado ao alcance da mão 

Aqui é que se define, de forma prática, quais são os membros da expedição que estão em plenas condições físicas e psicológicas para fazer o cume. Os que estão aptos, após a descida de descanso, retornam gradativamente rumo ao Campo 4 e dali... para o cume.

O caminho entre o Campo 3 e o Campo 4 conta com dois obstáculos: a Franja Amarela e o Esporão de Genebra. Entraremos em detalhes sobre eles quando subirmos ao Campo 4. Mas daqui, de onde estamos, já conseguimos avistá-los:

Em primeiro plano está a Franja Amarela, o maior obstáculo deste trecho da escalada, um degrau rochoso com mais de 30 metros; e o Esporão de Genebra, uma crista que separa as expedições do Colo Sul

 

Este é o Campo 3 do Everest, onde Carlos Morey acabou de pernoitar. Ao amanhecer, ele deve ter visto isso:

Ao longe, como pequenos pontos coloridos perdidos na imensidão do Vale do Silêncio, aos pés do Everest, o Campo 2...

... e mirando mais além, levantando os olhos para o céu, este presente da natureza

 

Rumo ao cume!

Namastê!

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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