Movendo montanhas

by Patricia Paladino 23. abril 2009 16:53

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Foto EverestNews

Como em todas as últimas temporadas, além dos objetivos pessoais dos esportistas na alta montanha, o Everest está povoado por outro tipo de montanhistas. São os que escalam em nome de alguma causa, seja humanitária, religiosa, patriótica ou social. A escalada ao Topo do Mundo é utilizada como uma forma de chamar a atenção para uma ação em especial. Seja denunciar ou lançar alguma luz sobre um problema de âmbito mundial, seja angariar donativos para instituições, programas ou projetos.

Muitos discordam deste procedimento, outros acham que este é um bom motivo para se escalar montanhas. Sem qualquer juízo de valor (embora eu veja esta atitude com olhos por vezes amistosos, por vezes incrédulos), encontrei alguns alpinistas que fazem da temporada 2009 no Everest a mídia para suas causas.

O exemplo mais curioso este ano é a façanha que os irmãos alpinistas Pemba Dorje Sherpa, 31 anos; Nima Gyalzen Sherpa, 23; e Phurba Tenzing Sherpa, 20, pretendem alcançar. Eles querem quebrar o recorde de permanência no cume do Everest, pretendendo ficar por lá por 24 horas. O objetivo: levar uma estátua de Buda e símbolos de outras religiões até o topo e rezar para que os povos do mundo lutem pela paz. 

                                                                                                                               Foto BBC                                                                                                             Foto Associated Press

                                       

               Pemba Dorje, Nima Gyalzen e Phurba Tenzing             Pemba recebe a bandeira do Nepal para levar até o cume

Pemba Dorje já detém outros recordes no Everest. Em 2003, fez a subida mais rápida da montanha, do Campo Base ao cume em apenas 8h23m. Já chegou ao topo nove vezes, sendo que escalou duas vezes o Everest em apenas cinco dias e três vezes em 10 dias. Em sua ascensão rápida, escalou sem oxigênio artificial, como pretende fazer agora - o que aumenta ainda mais o risco da permanência. Que consiste não apenas na questão do frio de -40° durante a noite, ou dos ventos que podem chegar a atingir 100km/h. Mas ficar por tanto tempo a essa altitude pode resultar em graves danos ao organismo - mesmo para um sherpa, que já tem uma melhor aclimatação à altitude, por viver em uma altura de 4 mil metros. Nima Gyalzen e Phurba Tenzing irão com oxigênio. Juntos, os irmãos somam 16 escaladas ao Everest.

O recorde anterior de permanência pertenceu a Babu Chiri Sherpa, que ficou 20 horas no cume. Ele morreu dois anos depois durante outra escalada ao Everest.

Outras pessoas estão na montanha este ano escalando por algum motivo social, e integram diversas expedições comerciais:

 

Gavin Bate escala o Everest pelo projeto Moving Mountains, um programa de caridade que constói escolas, hospitais e orfanatos no Nepal e na África.

 Ian Rogers escala para conseguir o máximo de doações em prol do projeto Cancer Research, da Grã-Bretanha.

 David Tait escala pelos projetos Just Giving e Rebuilding Childhoods, que cuida de crianças que sofreram abusos.

Robby Kojetin escala pelo projeto Climb to Hope, em busca de fundos para a Childhood Cancer Foundation, que presta assistência a crianças que sofrem com a doença.

 John Golden escala para ajudar a angariar dinheiro para a Orthopedic Research. Ele mesmo é um exemplo dos benefícios da pesquisa, já que sofre desde a adolescência por conta de 15 cirurgias nos joelhos, o que o faz ter dificuldade para caminhar e sofrer de dores constantes.

 Manoel Pizarro escala, junto com André S. Rossin-Arthiat, em prol da Lung Association, de Quebec, que promove diversas campanhas como Ashtma Campaign, Respiratory Health Research Chaire, Country Hearts, Christmas Seals Campaign e Lung Cancer Campaign.

Mais uma vez, não entramos em nenhum juízo de valor nem colocamos em questão a compaixão e a atitude destes escaladores. Mas é curioso perceber que atingir marcos importantes, como escalar o Everest ou chegar aos Pólos, adquire outro significado quando está ligado a grandes causas. Aliar o desafio pessoal à ajuda humanitária pode ser uma demonstração de um belo ato altruísta. Ou o financiamento da expedição e uma boa visibilidade na mídia...

Namastê.

 

 

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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