Foto Ed Viesturs
Membros da Expedição O Meu Everest,
Hoje vamos começar a subir a montanha. Já estamos aclimatados, nos conhecendo e compartilhando do entusiasmo de ver a montanha de perto.
Portanto, vamos acompanhar a progressão de Morey, que hoje está no Campo 1 – e é pra lá que nós vamos também. A cada passo para cima da temporada real, vou mostrando o local e as curiosidades da cada acampamento.
CAMPO 1 (C1)
Altitude: entre 5.943m e 6.100m
Localização: Western Cwm (Circo Oeste ou Vale do Silêncio)
Tempo de escalada (CB-C1): entre 4 e 6 horas
Mapa Alan Arnette
Sempre darei o mapa da rota completa, para melhor localização dos acampamentos. O Campo 1 está sinalizado com o segundo triângulo, de baixo para cima
À esquerda, a rota de subida: o Campo 1 é o triângulo mais distante na foto, do lado esquerdo. No mapa da direita, a localização do Campo 1, na parte inferior do Circo Oeste (com a parede do Nuptse à direita e a Face Sudoeste do Everest à esquerda)
O primeiro Campo de altitude está localizado no topo da Cascata de Gelo, onde o terreno aplana, a cerca de 6.000 metros – dependendo de onde as expedições montam seu acampamento. Para chegar até ele, é preciso atravessar a Cascata, sobre a qual já falamos em posts anteriores.
Foto First Ascent
A parte final da Cascata de Gelo vista do Circo Oeste, local onde é montado o Campo 1. Note, ao longe, na parte escura da foto, as barracas do Campo Base
O Campo 1 do Monte Everest está localizado em um lugar mágico: o Western Cwm (pronuncia-se “cum” e significa, em galês, vale ou circo glacial), ou Circo Oeste. Um “circo” é uma formação topográfica de depressão funda, tem a forma de um anfiteatro rodeado de montanhas – no caso do Everest, à direita pela parede do Nuptse, à esquerda pela Face Sudoeste da pirâmide do Everest e à frente pela parede do Lhotse.
Foto First Ascent
Costuma-se definir sua topografia como um “tobogã glacial” com cerca de 2,5 km de comprimento – de seu início, no topo da Cascata de Gelo, ao final, na base do Lhotse. Uma superfície ondulante de gelo e neve cortado por enormes gretas, um platô levemente ascendente, que abriga os campos 1 e 2. Um lugar deslumbrante, capaz de fazer com que o alpinista que o vê pela primeira vez literalmente fique com os olhos cheios d’água, tamanha sua beleza.
No Everest, o Circo Oeste também é conhecido por Vale do Silêncio – e é assim chamado porque ali, como não há vento, o único som que se ouve é o da presença humana. Fora da temporada, é um silêncio profundo.
Foto Alan Arnette
O anfiteatro Circo Oeste, com 4 km de comprimento até a base do Lhotse (ao fundo)
A gigantesca plataforma tem sua seção central cortada por enormes gretas, que formam a entrada do “alto Circo Oeste”. Nesta parte do anfiteatro o caminho é rente à parede do Nuptse, a única forma de transpor o obstáculo, conhecido como “Nuptse corner”. Daqui, a visão é deslumbrante: avista-se os campos 1 e 2 para baixo e, pela primeira vez, a pirâmide do cume do Everest.
Foto Ed Viesturs
As gretas do Circo Oeste: de pequenas a gigantescas
Pela falta de vento, a temperatura no Campo 1 é muito alta – pode chegar facilmente a 38°C. Dá para imaginar estar nesta temperatura a 6.000m no Everest? O sol é escaldante e a vida ali não é fácil. Ou será que é??
Foto Alan Arnette
Membros da expedição de Alan Arnette no Campo 1, em trajes inimagináveis quando se pensa em alguém escalando o Everest...
Este acampamento não tem, nem de longe, as “comodidades” do Campo Base. É quase como um Campo de passagem entre o Base e o Campo 2 – conhecido como Campo Base Avançado – e se destina principalmente à aclimatação para continuar a subida. Mesmo assim há pernoite no Campo 1 – e os dias tremendamente quentes.
Foto Alan Arnette Foto Adventure Consultants
Foto Alan Arnette
Este é o Campo 1, onde Morey está agora e que, segundo seu último relato, deve dormir esta noite. A entrada para o anfiteatro do Everest.
Namastê!