Antes do embarque, Carlos Morey nos enviou esta foto. O objetivo é um só: comprarar seu peso ANTES e DEPOIS da escalada. Alguns alpinistas chegam a perder 10 quilos após este esforço sobrehumano!
O alpinista brasileiro chegou dia 29 de março à capital do Nepal, Kathmandu. Ele vai nos munir de informações até quando for possível. No Acampamento Base ele terá acesso a um “Cyber Café”, onde há computadores e tal. Mas mesmo quando ele estiver subindo, vamos manter as informações quentinhas...
Bem, ele chegou a Kathmandu e já enfrentou problemas. É melhor ele mesmo falar...
“Patricia,
Primeira oportunidade de compartilhar as novidades da expedicão... A viagem até Kathmandu foi tranqüila até chegar aqui ontem, 29 de março. Os vôos saíram no horário, as conexões funcionaram, mas, apesar de cansativo, tudo ia bem.
A surpresa aconteceu quando fui retirar a bagagem que despachei do Brasil. Ela não chegou. E tinha uns 70% dos equipamentos. Ontem foi um dia difícil por causa disso. E porque a Qatar Airways não atendia às ligações. Sem essa bgagem, a viagem não seguiria para mim.
Felizmente, hoje, as coisas mudaram. Após o cafe da manhã, fui informado que a mala estava no aeroporto. Fui para lá e, apesar de estar jogada num canto, ela estava inteira.
Depois do alívio, fomos ao centro de Kathmandu (Thamel) comprar alguns itens que não trouxe, como pilhas e soro para as lentes. O trânsito em Kathmandu está pior do que há 12 anos atrás. Tem mais carros e motos... E eles dirigem muito mal.
Depois das compras, voltamos pra o hotel para dividir os equipamentos em três volumes. O que vai direto para o Campo Base, o que iremos despachar diariamente e o que carregamos durante o dia (máquina fotográfica, água, agasalhos leves etc).
Amanhã cedo já voamos para Lukla e comecamos a caminhar...
A diferença de fuso para o Brasil é de 8:45. Acho que hoje ou amanhã eu já me acerto com jet leg. Pois essa a noite passada foi muito ruim. Sobretudo por causa da possível perda da bagagem.
Ontem tivemos a cerimônia do Puja. E uma cerimônia para desejar boa sorte para todos na viagem.
A Jagged Globe está com dois times nessa viagem. Uma que vai apenas ao Campo Base (trekking), com oito pessoas, e uma outra com os que vão tentar escalar o Everest pelo Colo Sul. Nesse grupo, no qual me incluo, há 13 pessoas. Grupo grande... Teremos três guias estrangeiros por causa disso (uma escocesa, um inglês e um esloveno).
Depois dou mais informações sobre o time...
Até breve...
Morey”
Que bacana, hein? A viagem começou mesmo. Pelos meus cálculos, hoje, 31 de março, Morey e a expedição já devem estar chegando a Namche Bazaar, que é o maior vilarejo do caminho ao Everest e está localizada a 3.440m. Lá os times descansam dois dias, já que o progresso é lento para ajudar na aclimatação. Até o Campo Base são, em média, 10 dias. Assim, o corpo vai se adaptando à subida e ao ar rarefeito.
Namche Bazaar é um barato! Um lugar encravado em montanhas, construído – como a maioria das vilas sherpas – em degraus elevados e com uma vida noturna agitadíssima! É ali que se reúnem as expedições, onde pessoas de todas as partes do mundo trocam experiências. Aos sábados há um grande mercado a céu aberto, onde são vendidos todo o tipo de alimentos e de necessidades básicas para o povo da montanha. Então todos os sherpas dos vilarejos vizinhos rumam para lá para fazer compras! Abaixo estão algumas fotos do meu arquivo - infelizmente, eu não tenho o crédito, já que foram fotos baixadas da Internet.
Este é o mapa do caminho até o Campo Base, com a localização e altitude dos vilarejos (em vermelho) e as principais montanhas avistadas (em verde).
Lukla é a porta de entrada, com seu pequeno aeroporto (temido aeroporto!) e as boas-vindas do povo sherpa
Uma rua de Lukla
E esta é Namche Bazaar:
Aqui já dá para ter uma noção da imensidão da Cordilheira do Himalaia...
Uma rua de Namche: dizem (não sei se é verdade) que o presidente americano Jimmy Carter esteve em Namche há poucos anos e ficou hospedado neste Thawa Lodge...
... o mercado dos sábados...
... e curiosidades: em 2002 (agora ele já foi reformado) o Cyber Café, o Cafe Daphne e uma (!) Pizza Hut (fake, claro...) ...
... e as placas avisando que há comida mexicana e italiana, happy hour, bingo, pipoca e amendoim grátis e banho quente!
Namche é isso. Uma mistura genial de costumes, hábitos e culturas. Ao final, na porta de saída do vilarejo, o toque que dá a dimensão do povo sherpa, que habita estas montanhas há séculos e são os verdadeiros guardiães do Everest e de sua natureza:
Nunca diga adeus ao Khumbu.
E nós continuamos!
Namastê!