Salvando vidas no Everest

by Patricia Paladino 24. julho 2009 07:23

 

 

Caros membros da expedição O Meu Everest

Se no post anterior falamos sobre as inevitáveis mortes na montanha, hoje vamos para o lado oposto da questão: os voluntários que salvam vidas no Everest.

A Himalayan Rescue Association é uma organização não governamental que oferece apoio médico a expedições e trekkings nas trilhas da região. É uma tábua de salvação para os primeiros-socorros de alpinistas, e conta com médicos voluntários especializados em doenças provocadas pela altitude e por traumas.

A HRA é responsável pela clínica localizada em Periche – o último assentamento importante e habitado antes do Campo Base  – que funciona nas duas temporadas ao Everest (em maio e em outubro). O hospital mais alto do mundo está montado em uma cabana simples, mas com todo o equipamento necessário para o auxílio de alpinistas e trekkers em apuros.

Este posto foi construído em 1976 pelo Tokyo Medical College e desde então já recebeu cerca de 280 médicos de todas as partes do mundo. A clínica é muito procurada por especialistas que querem estudar, in loco, os efeitos da altitude no organismo humano. Nesta temporada estavam atendendo na clínica os médicos Neil Edmund Waldman, Noralma Garcia, Tracy Alexandra Cussing, David Weber e  Madeleine Rebecca Martindale  (todos dos Estados Unidos) e o doutor  Lara Azzopardi , de Malta.

A vila de Periche, último assentamento habitado antes do Campo Base, e onde se localiza o posto médico da HRA

          

                Um dos voluntários diante da clínica...                  .... e no trekking rumo ao lugar onde ficarão por dois meses

Mais de 90% das consultas realizadas ali se referem aos males da altitude (edemas pulmonar e cerebral, hipoxia, hipotermia), seguidos por fraturas e congelamentos. O custo elevado para manter a clínica da HRA aberta é compensado pelas vidas que esses médicos salvam a cada temporada – e pelo tratamento que oferecem à população da região que, enquanto o posto funciona, também recebe auxílio dos médicos voluntários.

Além disso, o trabalho realizado e o estudo proveniente do tratamento aplicado estão sendo decisivos para se conhecer um pouco mais sobre o mal de altitude – o que será de grande valia na prevenção e na cura emergencial desta patologia que atinge uma boa parte de quem se aventura nas grandes montanhas himalaias. E que ainda é um tanto desconhecida: já se conhece os muitos sintomas que dão o aviso do mal, como a doença evolui e quais são as primeiras providências a serem tomadas. Mas as causas exatas ainda são ignoradas.

Por exemplo: por que há quem se adapte em muito pouco tempo, enquanto outros nunca se aclimatizam? Por que há reações diferentes na evolução do mal de altitude? Por que há os que nunca se adaptam? E, principalmente: por que alguns alpinistas experientes em altitude se aclimatizam bem em uma temporada e, no ano seguinte, sofrem com a altitude em um acampamento bem mais baixo do que o do ano anterior? Houve um caso, há alguns anos, em que um experiente alpinista que morreu subitamente no Campo Base do mal da montanha, após ter chegado ao cume (e aos 8.848 metros) por diversas vezes. São questões que os voluntários da HRA em Periche estão tentando resolver.

                    

À esquerda, mais um grupo chega a Periche para a temporada. E à direita, a câmara hiperbárica, um dos recuros utilizados para diminuir a sensação de altitude e reverter casos do mal da montanha

O que se está buscando – e já está em curso, por conta dos estudos – é que, em pouco tempo, através de uma simples amostra de saliva, se possa ter noção da adaptação do organismo da pessoa testada à altitude. Cientistas como Paul Richalet, médico especializado nestes casos, estão relacionando essa capacidade de aclimatação aos níveis de um hormônio chamado angiotensina, que é responsável por problemas cardiovasculares como hipertensão e vaso-constricção, que são severamente atingidos pela altitude. Pessoas que têm níveis baixos deste hormônio demonstram melhor funcionamento do organismo em grandes alturas.

Só um pequeno resumo do que é o mal de altitude: o edema (cerebral, pulmonar ou subcutâneo) é a conseqüência mais grave, e fatal, da drástica altura do Everest. A retenção de líquidos e sódio é a causa da disfunção e os primeiros sinais denunciadores é o inchaço do rosto e dos membros superiores e inferiores (por isso a ingestão de muito líquido e de diuréticos é recomendada mesmo para os trekkers).

Não sendo diagnosticada, a doença avança para um grave edema cerebral , processo que é desencadeado quanto mais o ar fica rarefeito, o que obriga o coração a realizar um esforço muito maior para satisfazer a necessidade de oxigênio do cérebro. Isso, claro, é apenas um resumo da história, que é muito ampla e grave. Depois faremos um post sobre como o organismo humano reage à altitude, em todas as suas vertentes...

 

A tomografia de um alpinista que sofreu edema cerebral na temporada de 1997

Uma das maneiras de se evitar a patologia é de conhecimento comum de todos os alpinistas e líderes de expedições, e segue a máxima: “suba alto e durma baixo”. Ou seja: para uma aclimatação satisfatória (fora os imprevistos) o plano de escalada prevê subir a um acampamento mais alto e descer para dormir em outro, imediatamente inferior. Descansa-se ali e retomando a escalada, segue-se ao campo seguinte, e ao próximo, para pernoite no campo intermediário. E assim se vai subindo as encostas do Everest...

Suba alto e durma baixo: esta é a máxima da escalada em grande altitude. No caso do Everest, requer pelo menos oito viagens subindo e descendo a montanha até o dia do cume

O interessante é que este método não foi “descoberto” pelas expedições modernas. Ele remonta ao século XVI (!) e quem o utilizou, por intuição, pela primeira vez, foi o conquistador espanhol Francisco Pizarro, quando liderou uma longa caminhada desde Lima (a 150 metros do nível do mar) até Cuzco, a 3.399m. Ele percebeu que seus homens mais fortes – e que faziam o percurso rapidamente – sofriam com diversas moléstias, enquanto os mais lentos, não. Sua perspicácia fez com que montasse um posto intermediário, a 2.752 metros de altitude, em San Juan de la Frontera, facilitando, assim, a aclimatação (embora eles não chamassem assim...) de sua tropa...

A Everest Base Camp Clinic, montada no Acampamento Base do Everest e desde 2003 salvando vidas na montanha

Voltando aos bons serviços da Himalayan Rescue Association quando o assunto é salvar vidas, além do posto de Periche, em 2003 foi inaugurada a Everest Base Camp Clinic, um posto avançado instalado no Campo Base do Everest. Dali, os médicos prestam os socorros emergenciais em casos mais graves, como o envenenamento do sherpa por uísque falsificado este ano. A atuação dos médicos foi fundamental para que ele sobrevivesse.

O resgate feito pelos voluntários nas encostas frias do Everest

                   

Helicóptero para a retirada dos feridos mais graves da montanha, que são levados imediatamente para o hospital em Kathmandu

                 

                 

E os voluntários em ação, na barraca-médica

Uma última curiosidade sobre o posto da HRA: o lendário guia e alpinista neozelandês Rob Hall (um dos protagonistas da tragédia de 1996) conheceu sua mulher, a alpinista e médica especializada em males da altitude Jan Arnold, na clínica de Periche, onde ela prestava serviços como voluntária. Foi com ela que Hall trocou suas últimas palavras, escolhendo o nome da filha Sara pouco antes de morrer, por hipotermia, em maio de 1996. O gerente de seu Campo Base fez uma ligação via satélite, ligando Hall à Nova Zelândia, para se despedir de Jan... E ela, com conhecimento técnico do estado do marido, sabia mais do que ninguém que ele não retornaria.

                         

Um pequeno voluntário? Quem sabe um futuro médico da Base Camp Clinic – ou um futuro montanhista... E o símbolo da Everest Base Camp Medical Clinic

Este é um trabalho lindo dos muitos médicos que vão, todos os anos, e sem receber nada por isso, para a gelada vila de Periche, a 4.240m, e permanecem por lá cerca de dois ou três meses. E que desde então salvaram muitas vidas. Se, como vimos antes, muitos morrem tentando escalar a montanha mais alta do mundo, certamente outros sobreviveram graças a Himalayan Rescue Association.

Namastê!

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Um assunto inevitável

by Patricia Paladino 16. julho 2009 09:41

Caros membros da expedição O Meu Everest

Hoje o assunto pode parecer um pouco tenebroso, mas não há como fugir dele. Em uma montanha como o Everest, fatalidades acontecem em número razoável em todas as temporadas. E as conseqüências disso – os corpos que permanecem na montanha e, muitas vezes, na rota de subida para os acampamentos mais altos – tornam inevitável que toquemos neste assunto.

De qualquer forma, não teremos imagens fáceis de se ver neste post. São fotos fortes, mas que fazem parte dessa triste estatística da alta montanha.

Todos sabemos que o montanhismo de grandes altitudes é um esporte de risco. Um risco calculado, pela estrutura de que as grandes expedições dispõem atualmente e pela ajuda da tecnologia – tanto no sistema de comunicação como nos equipamentos de segurança de escalada e vestimenta. Mas não há como fugir dos imprevistos. Sejam naturais, como avalanches, quedas em gretas ou desabamentos de séracs, sejam da própria natureza humana: mesmo quem já subiu vários OitoMil com ótima aclimatação não está livre de, em algum dia, sofrer com Hape e Hace (edemas pulmonares e cerebrais provocados pela altitude) e outros males. São circunstâncias inerentes ao próprio esporte – mas que deixam, pelo caminho, os corpos que não podem ser resgatados. E que acabam se tornando “marcos” para traçar a rota de subida.

O caso clássico pela rota tibetana, do Colo Norte e Aresta Nordeste, é o alpinista conhecido como Green Boots – um indiano que pereceu na descida por hipotermia, aconchegou-se em uma pequena reentrância na neve e morreu. Seu corpo era avistado por quem seguia a rota, na confluência do Colo Norte com o início da Aresta. Era inevitável passar por ele. E ao avistar sua caverna, os alpinistas tinham a noção do tempo de escalada até o cume.

 

Nas três fotos acima, o montanhista indiano conhecido como Green Boots, cujo corpo foi retirado da montanha em 2007

Foi ao lado dele que David Sharp – também sofrendo de hipotermia em 2006 – recolheu-se para, em um estado de quase-inconsciência provocado pelo Mal da Montanha, simplesmente morrer. E, sendo o caminho para o cume, dezenas de alpinistas passaram por ele na ida e finalmente o acudiram na volta. Mas aí já era tarde demais. Sharp morreu ao lado de Green Boots. Seu corpo – como o do indiano – foram resgatados no ano seguinte. A caverna agora está vazia.

A caverna do Green Boots, agora vazia 

A maior historiadora do Himalaya e uma autoridade no assunto, Elizabeth Hawley – uma velhinha inglesa que mudou-se para Kathmandu há décadas e possui o maior banco de dados sobre as montanhas desta parte do mundo – compilou as causas e os locais de maior incidência de mortes desde que as primeiras expedições chegaram ao Everest. O levantamento disponível cobre o período de 1921 a 2006.

A historiadora Elizabeth Hawley tem o maior banco de dados sobre as montanhas himalaias. Além de prestar consultoria para expedições, ao final de cada temporada, através de entrevistas e relatórios, Hawley amplia sua pesquisa com depoimentos de montanhistas e guias

O resultado é um impressionamente levantamento. Coletando dados sobre 85 anos de expedições ao Everest, Hawley compilou (dados até 2006) 14.138 montanhistas ascendendo ao cume (sendo 8.030 ocidentais e 6.108 sherpas) – destes, 212 (dados até 2006) morreram em algum ponto da montanha, na subida ou na descida e de causas variadas. Ela classificou as causas das mortes como ocasionadas por traumas (desabamentos ou quedas), causas não-traumáticas (fadiga profunda, mudanças cognitivas, ataxia, hipotermia e morte súbita) ou desaparecimento (quando o corpo nunca é encontrado).

De 1982 a 2006, 82,3% das mortes ocorreram durante a ascensão ao cume. De 94 montanhistas que pereceram acima de 8 mil metros, 53 (ou 56%) morreram na descida; 16 (17%) após desistirem do cume e voltarem; 9 (10%) durante a descida do topo; 4 (5%) após deixarem o acampamento mais alto; e 12 (13%) de causas não conhecidas. Outro dado significativo do estudo revela que as mortes (também acima dos 8 mil metros) aconteceram por quedas (34%), desparecimento (29%), doenças provocadas pela altitude (11%), morte súbita (5%), hipotermia (2%). Quinze por cento das fatalidades na Zona da Morte não puderam ser classificadas por uma única causa.

As primeiras vítimas do Everest foram sete sherpas – até hoje, o número de fatalidades envolve, em sua maioria, montanhistas sherpas – que faziam parte da expedição britânica, a segunda de George Mallory, em 1922. Uma avalanche de proporções gigantescas se desprendeu da parte mais alta do paredão que leva ao Colo Norte (rota tibetana), sepultando os sherpas que subiam atrás de Mallory. Que escapou ileso mas nunca conseguiu superar o acontecimento.

O fato é que, mesmo sabendo que haverá corpos pelo caminho, avistá-los é sempre um obstáculo psicológico a mais para quem está na mesma empreitada de quem agora jaz na montanha para sempre. Ver um cadáver de um montanhista é como ter a consciência da impotência que pode atingir a qualquer um. Superar isso talvez seja até mais difícil do que chegar ao cume.

Muitos montanhistas, ao partirem para as altas montanhas, deixam sua vontade expressa de permanecer lá, caso algo aconteça. O guia americano e líder da Mountain Madness em 1996, Scott Fischer, ainda está lá, bem próximo ao Campo 4, no Colo Sul nepalês. Rob Hall, líder da Adventure Consultants na mesma temporada, também, em algum lugar próximo ao Cume Sul. Outros, como o corpo de Andy Harris, guia de Hall, que despareceu na tragédia de 1996, e o de Nills Antezana, médico abandonado pelo guia e os sherpas que o conduziam em 2004 na Plataforma Balcony, nunca foram encontrados – assim como tantos outros que permanecem em algum lugar desta montanha.

        

O visionário Maurice Wilson, que em 1934 tentou, sozinho, chegar ao cume do Everest. À direita, os restos de Wilson, que de vez em quando emergem da neve

Há casos que beiram o fantasmagórico. Em 1934, um visionário chamado Maurice Wilson – um soldado britânico, excêntrico e místico, sobre quem iremos falar mais detalhadamente em breve – resolveu, mesmo sem conhecimento de técnicas de escalada, chegar ao cume do Everest. Sozinho. Aventurando-se pelo desértico platô tibetano, Wilson desapareceu na rota seguida pelas expedições atuais do Glaciar de Rongbuk. Seu corpo foi descoberto por Eric Shipton aos pés do Colo Norte, em 1935. E hoje, de acordo com as condições climáticas e a quantidade de neve, os restos mortais de Maurice Wilson eventualmente emergem de sua tumba gelada, para fazer-se presente ao mundo dos vivos.

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Qual a altitude do Everest?

by Patricia Paladino 10. julho 2009 16:09

Isso é fácil, não? Mais ou menos... Ok, o Monte Everest é a montanha mais alta do planeta. São 8.848 metros de uma grandeza que não é apenas física. Mas será que é isso mesmo?

A medição mais rigorosa foi realizada em 1999 pela National Geographic Society, e dirigida pelo geógrafo e cartógrafo Bradford Washburn. O trabalho levou quatro temporadas de escalada coletando dados – as expedições que faziam parte do estudo instalavam balizas de posicionamento na montanha e realizaram medições prévias.

Mas foi com a Millenium Expedition, da qual fez  parte um dos montanhistas mais gente boa do circuito, Pete Athans ( um veterano do Everest, que ama a montanha, sua região, a cultura e a religiosidade dos sherpas e até fala nepalês) que a mais precisa medição da altitude desta montanha foi realizada. Com a ajuda de cinco sherpas, Athans e outros alpinistas levaram ao cume um complexo equipamento de GPS – e de lá, em 5 de maio de 1999, estabeleceram comunicação com quatro satélites que orbitavam sobre o pico durante 50 minutos.

 

Pete Athans, um dos mais respeitados montanhistas do Everest - inclusive pelos sherpas, pela proximidade que mantém com a cultura e a religião nepalesa

O equipamento de GPS continua instalado em vários pontos da montanha, como as "agulhas" no Colo Sul

Enquanto Athans transmitia os dados do topo, um outro GPS, instalado no Colo Sul, utilizou-se destes mesmos sinais para confirmar os dados.

Pelos cálculos desta medição, constatou-se que o Everest é dois metros mais alto do que se pensava até então: 8.850 metros de altitude.

Mas muitos contestam e outros não aceitam este número. O Governo do Nepal, por exemplo, ainda utiliza os dois metros a menos como a altitude oficial. Os que contestam a medição apontam para a capa de neve que se acumula nas montanhas himalaias, segundo o clima de cada temporada, que pode elevar ou diminuir em alguns metros até determinados pontos das montanhas.

O que é incrível é a precisão dos cálculos realizados de forma bastante rudimentar há mais de dois séculos. Sem a tecnologia de que dispomos hoje e, pior, sem nunca ter chegado próximo da montanha – muitas das medições foram realizadas da Índia, a centenas de quilômetros de distância!

Uma história sobre esse período é emocionante. O bengali Radhanath Shikhar era um mero auxiliar do Great Trogonometrical Survey, o Serviço Topográfico Britânico na Índia. Um belo dia, estava no escritório do Serviço quando cálculos realizados a partir das medições tomadas pelas estações topográficas instaladas pelo Norte da Índia começaram a saltar aos seus olhos. Ele refez os cálculos. E de novo. E mais uma vez. E em todas as vezes os resultados eram idênticos.

 

      

Radnanath Shikhar, auxiliar do Great Trogonometrical Survey, foi quem "descobriu a montanha mais alta do mundo". Ao lado, um dos aparelhos usados na medição das montanhas himalaias no século 19 

Imediatamente correu ao seu chefe, Andrew Waugh, cartógrafo geral em Dehra Dun, Andrew Waugh: “Senhor, acabo de descobrir a montanha mais alta da Terra!”, disse Radhanath. Ele acabara de realizar a maior descoberta da geografia moderna. Isso em 1852. Os estudos dirigidos por Waugh já duravam dois anos – e o comunicado para seus superiores em Calcutá garantiam que “temos os dados finais da montanha designada Pico XV (como era designado o Everest nesta época). (...) podemos outorgá-la uma altura de 29.002 pés, ou um pouco mais de 8.839 metros. Provavelmente a montanha mais alta do mundo.”

Durante um século esta foi a altitude oficial do Pico XV, mais tarde batizada Everest em homenagem ao topógrafo geral da Índia George Everest. Por vezes, outras medições apontavam números próximos, como 8.882m ou 8.888m. Em 1856 o topógrafo Schlaigintweit fez outros cálculos de maneira trigonométrica e chegou a uma altitude de 8.871,50m. Entre 1881 e 1902, o Serviço Cartográfico da Índia elevou um pouco mais: 8.882,20m.

Em 1952 – um ano antes do desbravamento – a altitude oficial era de 8.840m, depois corrigida para 8.848,60m. Em 1975, medições chinesas pelo lado tibetano do Everest apontaram sua altura em 8.848,30.

 

Ardito Desio (no centro, de chapéu) fez medições com GPS quando o aparelho ainda era uma novidade, em 1987. Aqui, ele está presente na inauguração da pirâmide da Estação Italiana de Pesquisas, no Glaciar do Khumbu, já próximo ao Campo Base

Em 1987, o cientista italiano Ardito Desio (que liderou a expedição italiana que desbravou o K2, em 1954) fez medições com base no GPS, que estava sendo lançado na época. Os dados obtidos marcaram 8.872m. EM 1992, novas medições de Desio apontaram para 8.846m.

Até chegar a definitiva – pelo menos até agora – Millenium Expedition, que pode ter marcado a altitude mais precisa, mas gerou muita polêmica.

A parte mais curiosa de toda essa controvérsia sobre os dois metros a mais ou a menos do Everest – o que na verdade não interfere em sua posição no ranking dos gigantes com mais de 8 mil metros de altura, uma vez que o segundo lugar, o K2, tem 8.611m, bem abaixo do Everest – é que:

se medido do centro da Terra – o que foi realizado, em teoria, pelo cientista Lars Sjöberg, em 1977 – o Everest não é a montanha mais alta do mundo. Sjöeberg fez a descoberta cruzando a medida desde o centro da Terra com o cálculo da curvatura da superíficie do planeta...  e chegou à conclusão de que do centro ao cume, o Everest tem 6.382.213 metros (seis milhões, trezentos e oitenta e dois mil e duzentos e treze metros!!!). Mas que o vulcão andino Chimborazo o supera: tem 6.384.422 metros do centro ao cume.

O vulcão Chimborazo, no Equadro, o ponto do planeta mais afastado do centro da Terra, o que lhe confere um título extra-oficial de montanha mais alta do planeta. Mas da superfície terrestre para cima, ele tem "apenas" 6.267m de altitude. Portanto, não é mais alto do que o Everest... 

A razão para isso é que a Terra não é uma esfera perfeita e é mais “achatada” nos pólos. Portanto, por estar mais perto do Equador, o vulcão está mais “fundo” no centro da Terra do que o nosso Everest – e portanto é o ponto do planeta mais afastado de seu centro.

Mas isso é só uma viagem científica que em nada muda a majestade do Everest. Até porque, acima do solo, o Chimborazo tem, apenas 6.267 metros de altitude...

É isso. Após a nevasca, estamos de volta com algumas curiosidades sobre a história da montanha mais alta e mais majestosa do mundo.

Namastê. 

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Depois da nevasca, o resgate

by Patricia Paladino 10. julho 2009 15:48

Caros membros da expedição O Meu Everest:

Após duas semanas presa no alto da montanha sob uma terrível nevasca, finalmente a equipe de resgate me encontrou e me trouxe pra baixo!

Bem, isso é parte da imaginação. A realidade é que, não sei se todos sabem, mas estou viajando com a caravana que está fazendo o filme Chico Xavier. Meu trabalho é fazer o blog dos bastidores das filmagens. É claro que isso não impediria de continuarmos nossa expedição montanha acima, porém o grande obstáculo – maior do que o Segundo Escalão, podem crer – é a conexão da internet! Parece mesmo que estou lá no Campo Base do Everest, incomunicável. E olha que estou apenas em Tiradentes!!

Mas parece que o problema está sendo solucionado. Até porque, imaginem fazer um blog diário sem conexão boa! E imaginem ficar mais de 10 dias sem contato com o nosso Everest!!! Às vezes conseguia entrar apenas para ver como estava o movimento em nosso “Campo Base” – os comentários – e fiquei feliz em ver que alguns dos membros de nossa expedição continuavam com o debate! E também ficava triste e frustrada por apenas conseguir deixar um ou outro comentário, não participar mais e, principalmente, não conseguir postar novidades.

Mas isso está se resolvendo, graças aos deuses de Chomolungma! E agora, no mínimo uma vez por semana até acabar esta minha expedição pelo cinema nacional, teremos novos posts e assuntos para continuar debatendo.

Adiante e rumo ao cume de nossa montanha!

Namastê!

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Site desenvolvido por ELIAS LUIZ   -    Servidor Dedicado BABOO   -   BlogEngine.NET 1.4.5.0

Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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