Morey está no Campo 2

by Patricia Paladino 19. maio 2009 14:21

   Caros membros da expedição O Meu Everest

Tivemos um pequeno problema no servidor, e perdi este post. Portanto, estou republicando - não com as mesmas palavras, mas com o mesmo espírito. E já mais atualizado.

Mara Larson, gerente do Campo Base, comentou no site da Jagged Globe que todo o time Yellow - Morey inclusive - já está no Campo 2, o Campo Base Avançado. De acordo com o cronograma enviado por Morey antes da última subida, na quinta-feira ele estará de volta ao Campo Base. E então saberemos exatamente o que aconteceu lá em cima.

Ontem de madrugada, após saber da notícia de que Morey havia tido problemas com as lentes de contato e aguardava não apenas a confirmação desta notícia mas também como estava seu estado físico, escrevi um texto - que segurei para ser publicado só quando realmente tivesse certeza de que o cume, para nosso alpinista, estaria adiado para o ano que vem.

Me desculpem se ele soa um pouco emocional, mas é assim mesmo... A gente se envolve, torce como final de campeonato e acaba deixando escapar a emoção. Mas decidi postar o texto hoje sem mudar uma linha:

 

"Está confirmada a notícia: Carlos Morey chegou próximo à Balcony (saberemos a localização exata quando ele nos enviar seu relato), mas, por um problema em suas lentes de contato, decidiu retornar ao Campo 4, no Colo Sul. E, no Everest, é muito difícil haver uma segunda chance de subida. 

Não deu certo? É claro que deu certo!!! Como dizer que não deu certo um percurso impecável de quase 60 dias, diversas subidas e descidas a acampamentos com até 7.400 metros, atravessar inúmeras vezes a Cascata de Gelo, ser um dos mais fortes física e psicologicamente de todo o time, chegar ao Colo Sul (8.000 metros de altitude) e estar em perfeito estado de aclimatação?

Não podemos nunca considerar que a escalada brasileira ao Everest em 2009 tenha dado errado. Não deu. Ao contrário. O cume, no montanhismo de grande altitude – principalmente em se tratando do maior dos 14 gigantes himalaios –, é conseqüência. É apenas o prêmio máximo. A escalada a uma montanha deste porte não se faz apenas no dia do cume. É a soma de todos os momentos desde que se chegou até ela. 

Quando fizemos a escalada ao “nosso” cume, há dois posts, eu escrevi: 

“Quem tem consciência de seu próprio organismo, uma boa equipe e lucidez na hora de tomar decisões importantes (como desistir do cume, por exemplo), faz dela uma escalada segura.”

O próprio Carlos Morey, na entrevista que fiz com ele antes do embarque para Kathmandu, disse:

“Você deve dosar as forças para chegar ao cume e conseguir voltar são e salvo para casa. Dar tudo só para chegar ao cume e morrer por lá não pode ser considerado um sucesso.”

E eu fiz questão de destacar isso na matéria de O Globo, sábado. 

Um alpinista consciente sabe que o cume não é tudo. A montanha estará lá no ano que vem, e no outro, e no outro... Morrer em uma montanha pode ser muito romântico, mas, definitivamente, não integra os planos de nenhum alpinista. O objetivo de todo alpinista é o contato com a montanha – e manter este contato até onde seja seguro. E foi isso o que Morey fez.

Antes de sua subida final aos acampamentos superiores, eu enviei a ele um e-mail dizendo:

“(...) Então, muita serenidade, força e disposição! Veja o mundo do alto, desfrute o máximo que puder. É um momento pra ficar gravado na memória pra sempre.  (...) No primeiro post do blog eu disse que mesmo um homem grande, com 2 metros de altura, é 8.846 metros menor do que o Everest – é apenas um floquinho de neve perto daquilo tudo. Portanto, não basta ser um homem grande pra chegar ao cume. Tem de ser um grande homem – com pureza no objetivo e grandeza de alma.”

Ao que ele me respondeu:

“(...) vou procurar fazer passo a passo, Campo 2, Campo 3, Campo 4 e tentar chegar até onde dá pé... Celebrar cada conquista e, como você escreveu, aproveitar o máximo a caminhada, pois é um momento único na nossa vida. E, quem sabe, ser esse Grande Homem.”

Pois bem. Este e-mail dá a real dimensão de como Morey está encarando toda essa jornada. Celebrando cada passo conquistado nas paredes do Everest. 

Ele é, definitivamente, um destes Grandes Homens – e a grandiosidade desta montanha confirma isso. Pela pureza de objetivo e grandeza de alma de Morey, o Everest lhe deu duas opções: 

deixar com que ele chegue ao seu cume 

ou preservá-lo – com cuidado, carinho e admiração –, se não for a hora de ele abraçar o Topo do Mundo. 

Temos que encarar a escalada de Morey como uma grande vitória – da consciência do alpinista em relação a si mesmo, em relação à natureza e, principalmente, em relação à montanha.

Aqueles que compreendem que somos apenas um floquinho de neve diante do Everest são os Grandes Homens. 

Vamos aguardar com ansiedade o relato de Morey deste seu ataque ao cume, quando ele voltar ao Campo Base, dentro de alguns dias. E saudá-lo como um grande representante de nossa expedição e de nosso país, que soube adiar seu sonho, mas conseguiu fazer com que sonhássemos junto com ele!"

Namastê.

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Mais de 90 cumes no Everest

by Patricia Paladino 18. maio 2009 08:34

Foto Alan Arnette

  UPDATE DO CUME (7) - 17h, dia 19 de maio - Mara Larson, enfim, publica um post contando como foi a chegada ao cume do time Yellow. Mas, mais uma vez, não faz menção ao que houve com Morey para que ele retornasse. Bem, vamos saber dele mesmo, quando ele nos enviar seu relato do Campo Base.

O que ela conta é que às 21h (horário do Nepal, por volta de meio-dia aqui) o time Yellow já deixou o Campo 4, no Colo Sul, rumo ao Campo Base Avançado (Campo 2, no Vale do Silêncio). E que o time Orange, que vai tentar o cume esta noite, já está aguardando o horário de saída no acampamento mais alto.

Um fato importante de seu relato diz respeito à Willie Benegas e ao espírito do verdadeiro montanhismo: ela conta que, enquanto o Time Yellow descia, já entre os campos 3 e 2, Benegas ouviu, pelo rádio, que um alpinista de uma outra expedição havia, aparentemente, sofrido um edema cerebral no Campo 4. Enquanto os outros membros do Yellow desceram para o Campo 2, Benegas deu meia volta e subiu o paredão do Lhotse novamente, para ajudar no resgate do alpinista (que ainda não foi identificado), e o trouxe para baixo junto com dois sherpas da Jagged Globe, um sherpa da IMG, dois alpinistas da First Ascent que acabaram de fazer o cume (imaginamos ser Ed Viesturs e Peter Whitakker ou Jake Norton).

 

 

UPDATE DO CUME (6) - São 2h05 da manhã (horário de Brasília, 10h50 de 19 de maio, no Nepal), e ainda não temos uma palavra oficial da Jagged Globe em relação a uma nova tentativa de Morey ao cume. Normalmente se restringe a uma tentativa por time, e o mais provável é que realmente seja isso, mas ainda estou aguardando notícias a respeito.

Até agora são contabilizados cerca de 30 cumes. Ed Viesturs, Peter Whittaker e Jake Norton, da First Ascents, acabam de reportar o cume a sua equipe no Campo Base. Ang Dorje Sherpa atingiu seu 13º cume do Everest. E o time da Adventure Consultants também chegou. Além, é claro, de Nick, Bill, Doug e Willie, da Jagged Globe. Cerca de 60 alpinistas estão quase lá, presos no engarrafamento entre o Cume Sul e o Hillary Step.

Continuamos acompanhando.

Namastê!

 

 

UPDATE DO CUME (5) - Parece que, realmente, Morey abortou seu ataque ao cume. Mara Larson acabou de postar no site da Jagged Globe (7h15, horário do Nepal) que Doug, Bill, Nick e o guia Willie Benegas foram os primeiros dos cerca de 100 alpinistas em rota a chegarem ao cume do Everest. A esta altura, se Morey realmente desceu, ele já deve estar no Campo 4.

Vamos aguardar, para breve, um novo post da Jagged Globe - e se ele nos dá mais explicações.

Namastê!

 

 

UPDATE DO CUME (4) - Ainda não temos confirmação de Mara Larson de que Morey, realmente, abortou seu ataque ao cume devido a problemas com as lentes de contato. Continuamos aguardando notícias.

Outras fontes que acompanham o progresso das expedições ao cume dão conta de que às 6h da manhã (hora Nepal; por volta de 22h, horário de Brasília), a maioria dos times chegou ao Colo Sul, com o cume previsto para 8h, horário do Nepal. Comentam também que todas as expedições (com exceção da First Ascent, pela qual Ed Viesturs e  Peter Whittaker tentam o cume esta noite) saíram antes das 23h e que há muita gente na rota para o cume. Está frio (por volta de -23ºC), porém o tempo está claro e com pouco vento.

Continuamos aguardando notícias de Mara Larson, direto do Campo Base.

Namastê!

 

 

UPDATE DO CUME (3) - Caros... são 2h15 no Nepal, e Mara Larson, gerente do Campo Base, envia a seguinte mensagem: "Carlos has lost a contact lense (sic) and is descending to the South Col. Others report windy, but okay. More as it comes." Pedi confirmação desta notícia. Mesmo levando em conta uma palavra escrita errado ("lense"), ela diz diz que "Carlos perdeu uma lente de contato (?), e está descendo para o Colo Sul" - o que significa que ele estaria abandonando o ataque ao cume.

Mara ainda não respondeu. Vamos aguardar a confirmação.

Namastê!

 

 

UPDATE DO CUME (2) - Caros, a expedição da Adventure Consultants acaba de anunciar que seu time também partiu do Colo Sul rumo ao cume, às 20h45 (hora Nepal). Um dos alpinistas reportou, antes da partida, que, após a forte ventania da noite passada (de 17 para 18), hoje os ventos estão calmos e a noite, clara e estrelada. Ele ainda prevê que cerca de 100 alpinistas estejam saindo para o cume esta noite. Jagged Globe e Adventure Consultants seguiram a mesma estratégia de partir mais cedo.

Namastê (com os dedos cruzados)!

 

 

UPDATE DO CUME (1) - Caros, as informações de que Morey e o resto do time já estão a caminho do cume vieram da gerente do Campo Base. Entretanto, um dos sites de notícias do Everest dá conta de que a maioria dos times ainda está no Colo Sul, sem fazer referência a quais - a equipe da Jagged Globe pode realmente já ter partido e o site ainda não sabe.

Temos que ter em mente que a comunicação é complicada - tanto dos alpinistas que tentam o cume com o Campo Base como entre o Campo Base e nós. Por isso, nos baseamos em várias fontes para ver o que está acontecendo. Pode haver defasagem de tempo entre as várias informações e também informações desencontradas. Estou me fiando no que diz Mara Larson, mas também acompanhando pelas outras fontes.

Namastê!

 

 

UPDATE DO CUME: A partir de agora, acompanharemos neste post a progressão do alpinista brasileiro Carlos Morey rumo ao cume do Everest. Estarei sempre postando novidades, à medida que elas forem sendo liberadas pelo Campo Base da Jagged Globe.

A última notícia de Mara Larson diz que Morey e o resto da equipe, liderados por Willie Benegas, partiram do Colo Sul às 21h15 (horário do Nepal, meio-dia e meia horário de Brasília) rumo ao cume. Como prevíamos no post anterior, eles bolaram esta estratégia por conta do grande número de expedições que também estão tentando chegar ao topo hoje (e que têm horário marcado de saída entre as 23h e a meia-noite).

Saindo antes, eles garantem o caminho livre, e poderão escalar em seu próprio ritmo, sem perder tempo com alpinistas mais lentos à frente.

Mara também reporta que os ventos no Colo Sul estavam mais brandos do que o esperado, o que é um ótimo sinal.

Continuamos ligados! Assim que tivermos mais notícias, elas estarão aqui, como UPDATES - sempre acima, no alto do post.

Namastê!

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Morey parte para o Colo Sul

by Patricia Paladino 18. maio 2009 02:23

Foto International Mountain Guide (IMG) expedition

   Segundo informações de Mara Larson, gerente do Campo Base da Jagged Globe, Morey e o time Yellow (além de Morey: Bill, Doug, Nick e o guia Willie Benegas) estão a caminho do Campo 4, no Colo Sul, de onde partirão às 21h (horário do Nepal, 12h15 horário de Brasília) rumo ao Cume do Everest.

Dedos cruzados e pensamento positivo!

Namastê

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O caminho para o cume

by Patricia Paladino 17. maio 2009 05:16

Caros membros da expedição O Meu Everest,

Chegou o nosso dia do cume. Hoje vamos partir do Campo 4, no Colo Sul, em direção ao Topo do Mundo – e conhecer cada etapa desta escalada de cerca de 10 ou 12 horas.

Antes de mais nada, cabe uma explicação a respeito do que estamos prestes a encarar. Este é um post beeem longo (como é a escalada final...) e espero que todo mundo tenha paciência de ler até o fim! E não é um post, digamos, “florido”... nem poderia ser, já que os riscos não podem ser ignorados. Portanto, que ninguém se impressione! Quem tem consciência de seu próprio organismo, uma boa equipe e lucidez na hora de tomar decisões importantes (como desistir do cume, por exemplo), faz dela uma escalada segura.

A maioria dos alpinistas que sobem o Everest faz uso do cilindro de oxigênio – uns poucos o dispensam, por sua própria constituição física. O uso de O2 engarrafado, entretanto, é apenas uma atenuante bastante limitada para o esforço sobrehumano que vem pela frente. A 8.840 metros, por exemplo, usar O2 siginifica ter a sensação de estar a 7.900 metros – o que não reduz em quase nada o esforço. O ar continua chegando de forma escassa. Mas o uso do oxigênio engarrafado traz outros benefícios, estes mais proveitosos: provoca, por exemplo, aquecimento ao corpo, dificultando um pouco mais o congelamento das extremidades. O que já é um grande ganho.

De qualquer maneira, estes homens e mulheres estão a uma altitude inimaginável. A exposição prolongada ao frio extremo e a carência de oxigênio – que tornam o corpo muito lento e a mente, mais ainda – são, mais do que os abismos e a dificuldade técnica (não muito exigente), os maiores inimigos para o sucesso. 

Feitas as observações necessárias a toda equipe que pretende alcançar o Teto do Mundo, vamos subir.

 

CUME DO EVEREST  

Altitude: 8.848m
Tempo de escalada (C4-CUME):
C4-Plataforma Balcony: entre 5 a 6 horas
Plataforma Balcony-Cume Sul (ou “falso cume”, a 8.690m): entre 1 e 2 horas
Cume Sul-Escalão Hillary: cerca de 1 hora
Escalão Hillary ao Cume do Everest (8.848m): cerca de 1 hora
Tempo total (C4-CUME): cerca de 10 horas

 

 

A PARTIDA

As expedições partem do Campo 4, no Colo Sul, no meio da noite. Isso significa que a primeira parte da escalada é feita no escuro – apenas com a iluminação, limitada, da lanterna presa ao capacete.

Araceli Segarra, a primeira espanhola a atingir o cume do Everest, em 1996 (junto com Jamling Norgay, filho de Tenzing, e Ed Viesturs), foi quem deu a melhor descrição que já li sobre esta primeira etapa. Ela disse algo como: “Escalamos no escuro, com pouco mais de um metro de luz à frente, e ouvimos apenas o som de nossa própria respiração ofegante sob a máscara. Estamos sozinhos. É como se estivéssemos escalando na Lua!”.

O cume do Everest encontra-se a uma distância de 2,5 km, em linha reta, do Colo Sul. Mas a velocidade média é de 4 metros por minuto – um bebê na sala de casa engatinha mais rápido...

Esta é a rota da escalada ao cume do Everest: a parte sobre a montanha, e até a virada para a direita (até chegar à primeira protuberância na crista da montanha, a Plataforma Balcony), é feita durante a noite

                                                                                                                                                                                                                               Mapa: First Ascent expedition

Os marcos do caminho assinalados. No mapa faltou nominar a Plataforma Balcony, logo acima do South Col, onde a linha vermelha forma um pequeno triângulo

A primeira etapa da subida é uma escalada de mais ou menos 300 metros verticais da Face Triangular do Everest – uma rampa de neve com 50º de inclinação. Este trecho é todo feito à noite e passa por diversos coloirs (termo francês que significa “corredor” e que são passagens ou linhas de ascensão ao longo de uma montanha).

Como todas as expedições marcaram seus cumes ou para o dia 18 ou para 19, em ambos teremos um grande fluxo de alpinistas utilizando a mesma rota. Eles sobem em fila indiana – e é muito difícil, principalmente em determinados trechos, a ultapassagem de alguém que esteja mais lento à sua frente. Este é um fator que pode atrasar, e muito, alpinistas mais bem preparados fisicamente, mas que ficam presos ao “tráfego” da subida.

Como, segundo Morey, a data de saída do time Yellow está marcada para 21h (enquanto normalmente se sai por volta das 23h), esta estratégia deve ter sido montada justamente para não haver ninguém à frente. Esperamos que outros times não saiam também neste horário.

Este caminho, já próximo ao primeiro marco da rota, a Plataforma Balcony, vai se tornando mais delicado por conta de inúmeras pedras soltas.

 

PLATAFORMA BALCONY 

  

O caminho para a Balcony, primeira etapa da escalada. Na foto à direita, aproximada, dá para ver sua localização: a plataforma fica onde começa a crista da montanha, no solo nevado 

Em expedições que saem por volta da meia-noite, ao amanhecer os times atingem o primeiro marco do caminho: a Plataforma Balcony, localizada a 8.412 metros de altitude e que assinala o início da Aresta Sudeste. É onde as expedições marcam para se reagruparem (já que todas se misturam no caminho até aqui). Portanto, a Balcony pode ser considerada o ponto de encontro mais alto do mundo!

                      

O ponto de encontro das expedições após uma noite inteira de escalada, em um pequeno espaço de neve  

Entretanto, a Plataforma não é maior do que um cômodo de uma casa. Simplesmente não cabe todo mundo – e este reagrupamento pode não ser concluído.

A Balcony é um local de descanso, onde os alpinistas aproveitam para se reidratar e trocar, pela primeira vez, seus clindros de oxigênio – que, utilizados em um fluxo conservador de 2 litros por minuto, dura de cinco a seis horas. Mais ou menos o tempo previsto entre o Campo 4 e este marco.

É também o primeiro visual deslumbrante da escalada final. Havendo energia e coordenação, muitos páram por algum tempo para admirar a beleza e tirar fotos.

Uma curiosidade deste trecho: foi aqui que a expedição pioneira ao Everest (em 1953, quando Edmund Hillary e Tenzing Norgay desbravaram a montanha) montou seu último acampamento (o de número 9!), a 8.382 metros de altura. Como não havia nenhuma experiência anterior, eles consideraram que seria melhor partir daqui para o cume (mesmo pernoitando a esta altitude).

 

ARESTA (OU CRISTA) SUDESTE

A Aresta Sudeste, que começa na Balcony e segue, estreita e perigosa, até o Escalão Hillary  

A partir da Plataforma Balcony começa a Aresta (ou Crista) Sudeste. Uma aresta é uma linha estreita que divide uma montanha em duas vertendes, ou em duas faces – no caso do Everest, a Aresta Sudeste liga a Balcony ao Cume Sul, e dali ao Escalão Hilary, tendo de um lado a Face Leste e do outro, a Face Oeste da montanha.

 

É coberta de uma neve compacta,  um caminho traiçoeiro, que se torna mais estreita após o Cume Sul. Toda a crista, porém, é provida de cordas fixas.  

 

CUME SUL

Aqui, os alpinistas estão no Cume Sul, observando a continuação da rota de escalada 

Ou “falso cume”, está localizado a  8.690 metros de altitude – ainda a uma distância de, pelo menos, duas horas do cume. Já dá para ver a Aresta Sudeste afilada à frente, o Escalão Hillary e toda a rampa final.

Chegando ao Cume Sul

Vista da continuação da rota, a partir do Cume Sul: a Aresta Sudeste, que se torna mais afilada (com abismos dois dois lados), o Escalão Hillary (a protuberância de rocha e neve elevando-se após a Aresta) e a rampa final 

A visão oposta: do Cume Sul e olhando para trás, para o percurso já realizado 

Não podemos esquecer as condições dos alpinistas nesta parte alta da montanha: aqui é um pé na frente do outro – literalmente. O pensamento não deve estar voltado para o cume, mas simplesmente para os dois metros seguintes.

À direita na foto, uma cornija sobre o enorme abismo de 3 mil metros sobre a geleira de Kangshung  

Do Cume Sul ao Escalão Hillary, a Aresta Sudeste tem aproximadamente 100 metros de extensão, e torna-se estreita como a lâmina de uma faca, com precipícios dos dois lados. 

A Leste, cornijas de neve (lindas formações de imensos blocos de neve que estão precariamente presas à montanha mas podem se desprender até com o peso de um homem) pendem sobre um despenhadeiro de 3 mil metros, em cujo fundo fica a geleria de Kangshung. A Sudoeste a montanha se precipita sobre o Circo Oeste, 2.400m abaixo. A única rota possível é por esta estreita e sinuosa trilha.

Mas, como em todo o trecho desde o início da parte alta da montanha, cordas fixas bem ancoradas formam um “corrimão de segurança”, onde os alpinistas atam seus mosquetões e têm segurança garantida.

 

ESCALÃO (OU DEGRAU) HILLARY

Um obstáculo como este não poderia estar em pior lugar: a cerca de 100 metros de desnível do cume, onde o ar já é tão rarefeito que o mundo anda em câmera lenta.

O Escalão Hillary (ou Hillary Step) é um dos trechos mais famosos do alpinismo mundial, e foi batizado por ter sido Sir Edmund Hillary o primeiro homem a escalá-lo. E também é um dos mais tecnicamente exigentes de toda a rota, não apenas por ser um degrau de rocha e neve com 12 metros de altura, mas por sua localização. 

É um desafio físico e psicológico: a visão deste paredão entre o alpinista e o cume é intimidadora diante da exaustão física. Se para a travessia horizontal foi necessário dar três ou quatro inspirações profundas após cada passo, deve ser bem desestimulante pensar em subir nessas condições.

  

Nas duas fotos, engarrafamento no Topo do Mundo: a fila de alpinistas "esperando a vez" para subir o Escalão (a parede de rocha, mais visível na foto à esquerda). Alguns já se encontram acima dele 

Para as expedições modernas, também há cordas fixas (instaladas previamente pelos sherpas) no Escalão. Mas até mesmo apenas subir pela corda, de acordo com o estado de exuastão, pode ser muito penoso. (Alguns alpinistas de elite, como o russo Anatoli Boukreev (já falecido), já subiram o Escalão em solitário, sem cordas fixadas e sem oxigênio artificial. Mas escalar o Hillary nessas condições é uma raríssima exceção hoje em dia).

Um dos grandes problemas deste trecho da escalada não tem a ver com as condições da geografia. É o engarrafamento formado na base do Escalão para subi-lo. Como chegar ao cume do Everest, de uns tempos para cá, tornou-se um belo negócio e uma porta de entrada para a fama, o número de alpinistas rumo ao cume de uma só vez tornou-se absurdo. 

Por isso, na maioria das temporadas, há que se esperar muito tempo até conseguir atar-se à corda e subir o Escalão. Ou pior: para o alpinista que está descendo, já com oxigênio no limite, exausto e com a mente em câmera lenta, ver uma enorme fila esperando para subir – e ele esperando para descer – pode ser exasperador.

 

O emaranhado de cordas (novas e antigas) usadas para escalar a parede de 12 metros de altura

 

A visão oposta. A foto foi feita do alto do Escalão Hillary, mostrando o alpinista no meio do Degrau, outros esperando para subir e uma cornija da Aresta Sudeste abaixo

 

Esta foto foi feita durante a subida do Escalão Hillary. É esta a visão que os alpinistas têm ao escalá-lo: mais de dois mil metros abaixo, o abismo leva ao Vale do Silêncio 

 

O Escalão Hillary é tão pronunciado que dá para vê-lo de Tengboche, vila na trilha do caminho para o Campo Base, com uma potente teleobjetiva.

 

CRISTA OU RAMPA DO CUME 

Cinco alpinistas já transpassaram o Escalão Hillary e partem para a última etapa: a rampa do cume 

Transposto o Escalão, o cume está bem próximo. Do alto do Escalão Hillary ao cume, o tempo de escalada varia (em média) de 30 minutos a uma hora, dependendo das condições físicas.

Mas são os 60 minutos mais penosos da vida... Não são poucos os relatos de alpinistas que dizem ter “a sensação de estar embaixo d’água. A vida se move a ¼ da velocidade normal, o mundo fica em câmera lenta, um passo é um sacrifício gigantesco e, mesmo com oxigênio, é preciso parar a cada dois passos, apoiar-se sobre os joelhos e tentar respirar. A máscara congela pela condensação, os óculos embaçam com a respiração. É como estar no espaço”.

A visão do ângulo oposto: a rampa que leva ao cume (com as cordas fixas de segurança), o topo do Escalão Hillary, a Aresta Sudeste e, ao fundo, o Cume Sul

       

A rampa de neve levemente ondulada tem uma menor inclinação e o negócio é ir como dá: devagar, buscando o ar, parando a cada passo e olhando para o fim do caminho, cada vez mais próximo.

 

Então, de repente, uma surrada vara de medição, feita de alumínio, chama a atenção. Bandeiras de oração budistas tremulam ao vento. Oferendas e fotografias amontoam-se umas nas outras. 

Não há mais o que subir. Este é o cume do Everest.

 

O vasto e seco platô tibetano perde-se no horizonte de um lado.

Todo o árduo caminho realizado para chegar até aqui, pelo Nepal, de outro. 

E a Cordilheira do Himalaia descortina-se até onde a vista pode alcançar. São 360 graus de visão límpida, imensa, inimaginável e indescritível.

Quem consegue chegar até aqui foi acolhido e abraçado por Miyolansangma, a deusa do Everest.

Foto Waldemar Niclevicz

 

Acima dele, apenas as nuvens. Abaixo, todo o resto do mundo.

Namastê.

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Morey já está no Campo 2

by Patricia Paladino 16. maio 2009 05:52

   Caros,

Acabamos de receber um e-mail de Mara Larson, gerente do Campo Base da Jagged Globe, que nos dá notícias de Carlos Morey e responde a uma questão que coloquei para ela.

Mara contou que hoje, sábado, Morey está no Campo 2, descansando. Pelo rádio, ela falou com nosso alpinista, que lhe pareceu bem-humorado e com um ótimo astral. Amanhã, ele e o time Yellow partem para o Campo 3.

Eu havia perguntado à Mara sobre como será a notícia do sucesso ao cume, na terça-feira. Morey havia me dito que, por uma questão particular da expedição, eles não liberam os nomes de quem fez o cume na hora. No e-mail, Mara explicou o por quê: a Jagged Globe aguarda o retorno de todos os membros que tentaram o cume ao Campo 4, sãos e salvos, para depois comunicar o sucesso do ataque.

Faz sentido. Embora a gente vá demorar um pouquinho mais para saber do sucesso da escalada, é melhor confirmarmos o cume e termos certeza de que Morey já está descansando em sua barraca no Colo Sul. A comemoração será total – e mais tranqüila!

Mara finaliza seu e-mail dizendo que sente Morey com energia e com uma atitude muito positiva. E que ficará feliz ao saber da celebração de seu sucesso aqui no Brasil!

No post aí embaixo, os detalhes do Campo 4, o último acampamento antes do cume.  

Namastê.

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Campo 4, a "Zona da Morte"

by Patricia Paladino 15. maio 2009 16:27

Foto Alan Arnette

Membros da expedição O Meu Everest:

Enfim, chegamos ao Campo 4. O último acampamento montado na montanha. Para chegar aqui, tivemos que percorrer um enorme caminho para o alto. Atravessar a Cascata de Gelo algumas vezes, e realizar várias escaladas de aclimatação aos três primeiros acampamentos de altitude.

Portanto, já devidamente aclimatados, vamos conhecer a “Zona da Morte”.

 

CAMPO 4  (C4)

Altitude: 8.016m
Localização: Colo Sul
Tempo de escalada (C3-C4):
até a Yellow Band: cerca de 3 horas
da Yellow Band ao Geneva Spur: cerca de 2 horas
do Geneva Spur ao Colo Cul (C4): 1 hora ou menos
Tempo total (C3-C4): cerca de 6 horas

Mapa Alan Arnette

O Campo 4, último acampamento antes do Cume, está localizado no Colo Sul, um platô de neve gigantesco para onde as equipes se dirigem apenas no dia do cume e para onde voltam após a extenuante escalada

  

À esquerda, a rota de subida do Campo 3 ao Campo 4. No mapa à direita, a localização dos dois acampamentos: o 3, na Face do Lhotse e o Campo 4, no Colo Sul, na interseção do Lhotse com o Everest

 

Antes de conhecermos o Campo 4 propriamente dito, vamos ver os dois marcos da rota entre o 3 e o 4: a Franja Amarela (Yellow Band) e o Esporão de Genebra (Geneva Spur), ambos localizados na inclinada parede do Lhotse. 

 

O time de alpinistas se aproxima da Franja Amarela, tendo ao fundo, no topo da parede do Lhotse, o Esporão de Genebra

A Yellow Band é uma parede de rocha, um "depósito de arenito", como chamam. E que ainda guarda resquícios de solo marinho: o Everest, antes da formação da Cordilheira do Himalaia, era, na verdade, uma montanha "subaquática" e ainda há rochas deste tempo (mais de 65 milhões de anos atrás...) próximo ao cume. Para transpor este degrau de rocha com cerca de 70 metros inclinados, são necessários 100 metros de cordas fixas. Uma das dificuldades está em atravessá-la com os crampons, próprios para neve, já que a base é rocha.

 

       

 A visão da crista que separa a Parede do Lhotse do Colo Sul e do Campo 4. À direita, em plena ação no Esporão de Genebra

Já o Esporão de Genebra (cujo nome, Geneva Spur, foi dado pela expedição suíça que quase chegou ao cume do Everest em 1952, um ano antes do desbravamento de Hillary e Tenzing) é uma crista do fim da face do Lhotse, o último obstáculo antes de chegar ao Colo Sul. Para atravessá-lo, é necessário escalar uma parede de rocha - não tecnicamente difícil, mas extenuante a esta altitude.

 

Enfim, o Campo 4. A 8.000 metros de altura. A "Zona da Morte", com pouco mais de 1/3 do oxigênio disponível ao nível do mar. Onde as expedições chegam para aguardar a subida ao cume, e para onde voltam após tocar o Teto do Mundo. Um porto seguro com pouco ar...

Este é um local para o qual o corpo humano decididamente não foi projetado para sobreviver e onde literalmente definha e começa a entrar em colapso. Por isso, os alpinistas chegam ao Campo 4 no dia do ataque ao cume, descansam, comem alguma coisa (os poucos que conseguem, na verdade) e hidratam-se com água, bebidas revigorantes e chá quente.

Morey, por exemplo, disse que o time Yellow deve chegar na tarde do dia 18 ao Campo 4 e partir rumo ao cume às 21h do mesmo dia. Depois da escalada, eles voltam a este acampamento e (uma decisão que a líder Adele Pennington irá tomar após todos voltarem), pernoitam ali e descem ao Campo 2 no dia seguinte.

O lixo acumulado nas temporadas anteriores, que desrespeita a montanha e torna o Campo 4 o mais alto lixão do mundo. As expedições são obrigadas a trazer seu lixo para baixo, mas poucas o fazem. Mas não há só lixo ali: há algumas temporadas havia o cadáver de um sherpa, conservado pelo frio, que jazia tranqüilamente entre farrapos de barracas, cilindros de oxigênio usados, restos de corda e de equipamentos. Não sei se já removeram o corpo, mas acho que não. Reparem, na foto, as duas "agulhas" fincadas na montanha (ai, ai...). São equipamentos para o monitoramento do clima...

Aqui não dá para relaxar. O organismo está sofrendo os efeitos da altitude (é impossível alguém se sentir “bem” a 8 mil metros), a ansiedade pelo ataque ao cume está a mil e o esforço para chegar aqui é grande.

Este acampamento é onde o lixo das expedições mais se acumula. É montado sobre um platô de neve e rocha, confluência entre a rota de subida do Everest e a do Lhotse. Como dissemos há alguns posts, se fosse uma estrada, haveria uma placa: “Para o cume do Everest, vire à esquerda”.

 

O Colo Sul é um platô trapezoidal, com 100 metros de comprimento por 50 metros de largura, que se estende da base da pirâmide do Lhotse até a do Everest. É formado por gelo e rochas (cuja neve é constantemente varrida pelo vento, por isso não acumula sobre o solo), com uma temperatura congelante e bastante exposto aos ventos. Ali, quando o jet stream (que são ventos fortíssimos) bate na parede final do Everest, desce "espremido" pela geografia do Colo Sul (como num vale, em V) e atinge velocidades imensas - muitas vezes mais altas do que os ventos no próprio cume.

Este platô tem como margem oriental um abismo de 2.133 metros, caindo até o Tibet (pela Face Kangshung do Everest), e de 1.219 metros até o Vale do Silêncio (que é por onde as expedições sobem pela rota nepalesa). O Campo 4 é montado na beira deste lado do abismo (com total segurança), voltado para o Vale do Silêncio e para os acampentos inferiores. 

Este é o último acampamento... De onde se avista com clareza a pirâmide do Everest já bem perto (quer dizer, perto nas dimensões himalaias!). A rota do cume também é claramente avistada. É olhar, mirar o objetivo... e aguardar o chamado.

Vamos dar uma olhada no que Carlos Morey verá quando chegar ao Campo 4:

   

               No Colo Sul, olhando para o Sul                                      No Colo Sul, olhando para o Leste

    

             No Colo Sul, olhando para o Sudeste                                  No Colo Sul, olhando para o Oeste

    

             No Colo Sul, olhando para Noroeste                                    No Colo Sul, olhando para o Nordeste 

 

Este é o lugar onde Carlos Morey estará daqui a três dias. Mas nós chegaremos ao cume antes dele: no domingo vamos conhecer a rota para o Topo do Mundo, com todos os marcos do caminho: a Plataforma Balcony, o Cume Sul, a Aresta Sudeste, o Escalão Hillary e a rampa final.

Namaste.

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Times começam a subir

by Patricia Paladino 14. maio 2009 11:53

 

Foto Canadian Mt Everest Expedition 2008

A sombra do gigante: a silhueta da pirâmide superior do Everest se projeta, majestosa, sobre a Cordilheira do Himalaia

    Segundo a meteorologia, a janela para o cume este ano se dará mesmo entre 18 e 19 de maio. Estas são as datas em que todas as expedições presentes do Lado Sul do Everest tentarão atingir o cume. 

Algumas já estão em marcha hoje. Outras, como o time Yellow da Jagged Globe (incluindo Carlos Morey), partem amanhã do Campo Base em direção aos acampamentos superiores. 

Mara Larson, gerente do Campo Base da Jagged Globe, confirma a previsão de ontem: amanhã, se o tempo permitir, o Yellow Team (Morey, Doug, Nick, Bill e o guia Willie Benegas) sai do Campo Base em direção ao Campo 2. Depois de amanhã (16 de maio) é a vez do Oragne Team (Chris, Neil, Neil_A, Amanda, Dave, Ian, Kevin, a líder da expedição Adelle Pennington e o guia Tomaz).

Segundo Mara, em 48 horas ambos os times estarão nos acampamentos mais altos à espera do ataque final ao cume, na madrugada de 18 para 19 de maio. Neste momento, a líder da expedição e os guias estão organizando todo o material para os times.

Um dos membros de nossa expedição, Spincc, solicitou que o horário do cume fosse “traduzido” para o horário de Brasília. Então vamos lá:

  • A diferença de fuso entre o Brasil e o Nepal é de 8h45 (lá, mais tarde). Portanto, se Morey e o resto da equipe saem do Campo 4 em direção ao cume às 21h do dia 18 de maio, significa que estarão saindo ao meio-dia e 15 horário de Brasília (do próprio dia 18). 
  • A chegada ao cume está prevista (e é so previsão, hein?) para cerca de 12 horas após. Ou seja: 9 da manhã do dia 19 de maio (horário do Nepal). Meia-noite e 15 daqui. 

Agora: tudo pode atrasar, principalmente no dia do cume. E também teremos a desfasagem entre o cume e o anúncio do cume para o Campo Base - e, de lá, para nós... Vamos ficar em alerta pra publicar imediatamente após ficarmos sabendo do cume! 

Mas ainda faltam alguns dias. Ainda subiremos ao Campo 4, como estão fazendo as expedições reais lá no Everest. Estou deixando para postar neste fim de semana, para ficar bem perto do cume. E acompanharmos, realmente, o que as expedições estão fazendo. Portanto, sábado vamos conhecer o último acampamento do Everest. Enquanto isso, vamos lembrar o caminho que percorremos até aqui:

 

CAMPO BASE 

CASCATA DE GELO (ICEFALL) 

 

CAMPO 1 

CAMPO 2

VALE DO SILÊNCIO

CAMPO 3

  É um longo caminho... As expedições que partem hoje e amanhã para o ataque ao cume passarão novamente por todos estes acampamentos (devem pular apenas o Campo 1, já que já estão fortes o suficientes para ir direto do Campo Base ao 2) e marcos do caminho. Fiz um levantamento (até onde foi possível conseguir informações) de como está o cronograma das principais expedições:

 

CUME ESTA NOITE:

 

Russian Climb

Segundo informações de seu site, o time russo (Lhotse-Everest Transverse) foi dividido em dois grupos: um para o cume do Everest e outro para o do Lhotse. Mas ambos já chegaram ao Campo 4 e partem hoje à noite para o cume das duas montanhas (pela diferença de fuso, isso já está acontecendo).

 

 

JÁ ESTÃO NO CAMPO 2 (CAMPO BASE AVANÇADO):

 

Peak Freaks

Apesar de já estarem no Campo 2, eles também vão seguir o cronograma da janela do dia 18. Na tarde de 16 de maio estarão no Campo 3 e no dia seguinte partirão para o Campo 4 e de lá para o cume.

 

 

PARTE HOJE DO CAMPO BASE:

 

Fisrst Ascent

A equipe de Ed Viesturs, Peter Whittaker e Dave Hahn, mais guias e clientes, já partiram hoje para o Campo 2 e já definiram a data de cume: 18 de maio.

 

 

PARTEM AMANHÃ DO CAMPO BASE:

 

Summit Climb

Partem amanhã e já definiram a data de cume. Eles também têm duas equipes: uma para o Everest (que fará o ataque ao cume no dia 19 de maio) e outra para o Lhotse (que fará o ataque no dia 20).

 

 

International Mountain Guides, Adventure Consultants, Adventure Alternatives, Croatian Women’s Team e Everest and Lhotse Summit Climb

Mas não anunciam a data de partida para o cume (18 ou 19). Estarão monitorando a Meteorologia para definir (ou não querem abrir o jogo mesmo...)

 

 

NÃO TÊM OU NÃO INFORMAM DATA CERTA PARA SUBIR:

 

Alpine Ascents

Segundo seus dispatches, hoje eles ainda estão em Periche... Devem voltar ao Base amanhã mas não informam se começam a subir no dia 16.

 

Altitude Junkies, Himex e Mountain Madness

Não dão grandes informações. Apenas dizem que a equipe está esperando a janela de bom tempo para o cume. Nenhuma informação segura sobre movimentação para além da Cascata ou cume. 

 

Esperamos mais um contato com Morey antes de sua subida amanhã. Estamos a postos!

Namaste.

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A estratégia para o cume

by Patricia Paladino 13. maio 2009 06:24

O Vale do Silêncio rodeado pelos gigantes: o Nuptse (direita), o Lhotse (ao centro) e a pirâmide do Everest (à esquerda)

 

   Membros da expedição O Meu Everest:

Está chegando a hora! Do Campo Base, o alpinista Carlos Morey acaba de nos enviar seu dispatch, descrevendo a estratégia montada pela Jagged Globe para o ataque ao cume.

 

“Hoje o dia começou com o pouso do helicóptero e o resgate do sherpa que tinha sido intoxicado por metanol. O estranho foi o tratamento dado a ele enquanto estava aqui: Vodka Smirnoff. A idéia era trocar o metanol por etanol, menos tóxico. Smirnoff salvando vidas... Uma coisa é certa: quando ele acordar terá uma tremenda ressaca.

Para passar o dia e manter o preparo físico, fomos e voltamos a Gorak Shep. Fizemos em pouco mais de uma hora. Isso é bom...

A novidade ficou na nossa chegada, pouco depois do almoço. Tivemos uma reunião e foi dito que o tempo está melhor e que iremos subir. Fomos divididos em dois times:

Yellow: Doug, Bill, Nick e eu.

Orange: Amanda, Neil_A, Ian, Chris, Kevin e o Neil e o Dave, que ainda não foram ao Campo 3.

O nosso time sai dia 15 de maio e o Orange no dia seguinte. Nós vamos com o Willie e os demais com a Adele e o Tomaz.

O nosso cronograma será, se o tempo não mudar:

  • 15 de maio – Campo 2
  • 16 de maio – Descanso no Campo 2
  • 17 de maio – Campo 3
  • 18 de maio – Campo 4 e à noite (21h) saída para o cume
  • 19 de maio – Se Deus quiser cume e volta ao Campo 4
  • 20 de maio – Campo 2
  • 21 de maio – Campo Base

Amanhã eu escrevo mais detalhes dessa estratégia.

Abraços,

Morey”

 

Smirnoff para curar envenenamento por metanol é ótimo! Mas os médicos do Campo Base devem saber o que estão fazendo!!

Bem, duas coisas importantes deste dispatch: a data para o cume, claro, e saber que o time Yellow, onde está Morey, terá como guia o Willie Benegas. Arrisco dizer, pelo que Morey vem nos relatando em seus dispacthes, que este time é mais forte, está melhor aclimatado e com boas possibilidades de cume. Ele diz que dois membros do time Orange (Neil e Dave) ainda não foram ao Campo 3 - um problema em termos de aclimatação. Morey, por outro lado, já pernoitou no 3 (7.400m), o que é um enorme ganho.

Os companheiros de Morey no time Yellow também parecem fortes. Em seu dispatch de 4 de maio, Carlos Morey estava finalizando o período de aclimatação - justamente com Doug, Nick e Bill. Os quatro concluíram este etapa com um dia de antecedência do previsto e à frente dos demais. Do Orange, Chris já esteve uma vez no Everest.

Aguardamos novo dispatch amanhã.

Namastê.

 

UPDATE:

                                                                                               Foto Adventure Alternatives expedition

   Este é Ngima Sherpa, cozinheiro da expedição Adventure Alternatives, de Gavin Bates, a quem Morey se referiu em seu dispatch. Ele continua sendo medicado por conta do envenenamento causado pelo uísque feito com metanol. O outro sherpa que também bebeu o uísque e, infelizmente, morreu, era Kaji Sherpa, cozinheiro do Campo 2 da Mountain Top.

Bates conta que a bebida é feita ilegalmente em Kathmandu e foi trazida para a região do Khumbu (que cobre todo o vale, desde Lukla até o Campo Base) há alguns meses. Segundo seu relato, outras quatro pessoas já teriam morrido por conta de envenenamento nos últimos seis meses. Inspetores de polícia em Namche Bazaar já estão cientes do ocorrido e já iniciaram uma investigação formal. Os dois sherpas são da vila de Thaksindu, localizada a três dias de distância abaixo de Lukla.

O NepalNews, principal jornal do Nepal, também deu a notícia, alertando que a adulteração de bebidas alcoólicas vem aumentando muito em todo o país, e circulando, principalmente, entre a camada mais carente da população.

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Novo dispatch de Morey

by Patricia Paladino 12. maio 2009 12:17

 Caros membros da expedição O Meu Everest:

Mais notícias de Morey! Não vamos esquecer que lá no Nepal já é amanhã (8h45 de diferença, para mais). Portanto, com a espera da janela de bom tempo, vamos torcer para que Morey nos envie muitos dispatches por estes dias. Neste agora ele comenta a morte do sherpa por envenenamento provocado pelo uísque clandestino, sobre o qual falamos ontem. E anuncia prováveis baixas para o cume em sua expedição. Muitos estão jogando a toalha, infelizmente. Vamos lá:

 

“Depois de 36 horas de muita neve, finalmente o tempo melhorou um pouco, mas até o próximo sábado, creio que não teremos nada a fazer do que esperar. Essa deve ser a tendência dos próximos dias.

Vou procurar manter a mente ocupada e se o tempo permitir farei algumas pequenas caminhadas pela região para manter os músculos quentes.

Infelizmente ontem morreu mais um sherpa e um outro está muito ruim. O motivo da morte não é incomum para nós brasileiros, mas tem sido muito comum aqui. Os dois sherpas tomaram um porre de whisky batizado. E tinha sido batizado com metanol. Parece que tem sido comum a importação ilegal de bebidas alcoólicas do Irã e Paquistão e não está sendo incomum pessoas passarem mal com a bebida.

Hoje tentamos um resgate do sherpa que está internado no HRA, mas o tempo ainda estava nublado e ventoso. Tomara que amanhã consigamos.

Felizmente, para mim, estou de Lei Seca. Até concluir a minha missão aqui não corro o risco de experimentar essas bebidas.

O que surpreendeu de verdade foi o comportamento do nosso guia argentino, Willie Benegas. Desde a notícia do envenamento pelo whisky dos sherpas, ele não sai da tenda do hospital. Passou a noite ao lado do sherpa. A sua preocupação com o local (segurança, poluição etc) e com os sherpas é impressionante. Ele vê um sherpa sem crampom ou sem cadeirinha num lugar perigoso, e logo chama a atenção. E depois chama o chefe dele para conversar. Parabéns... Não é à tôa que tem sete cumes do Everest...

Hoje o Peter veio conversar comigo. Tenho visto, ao longo dos dias, que o brilho saiu da sua face. Ele jogou a toalha. O tempo em Pheriche não foi suficiente para ganhar força e energia para continuar. Ele deve começar a voltar para casa amanhã. O próximo, creio, deve ser o David.

O Neil, mesmo com o problema nas costelas, se mostrou bem no retorno ao Campo Base. Pode ser o elemento que complete o time de 10 para o Summit Push.

O Charles Klein também tinha me perguntado sobre como é o caminho do Campo 3 ao 4. Ele começa pela Face do Lhotse, cruza a Faixa Amarela e vai acompanhando uma parte rochosa da Face, o Geneve Spurs, até chegar ao topo, aos 8.000m, local do Campo 4. Peguei uma foto e desenhei o caminho.

 

 
 O caminho do Campo 3 ao Colo Sul, onde fica localizado o quarto e último acampamento antes do cume 

Vou ficar devendo as fotos do local de onde saiu o gelo para a avalanche porque sumiu a expansão USB que usava para descarregar as fotos. Espero que achem... Pois senão... No Picts...

Abraços,

Morey”

 

 

Willie Benegas é velho conhecido de quem anda pelas bandas do Everest. Experiente alpinista, é reconhecido por este espírito "antigo" de relação com a montanha e o montanhismo - que, infelizmente, nem todos têm hoje em dia. Para alpinistas de elite, como ele, nada é mais importante do que uma vida em risco na montanha. Não importa cume, não importam os recordes. Importa é resgatar ou atender alguém em dificuldades. Dave Hahn, Ed Viesturs, Conrad Anker, David Breashears e Pete Athans também são alguns dos membros desta antiga (e bendita) confraria. Benegas já guiou alpinistas e clientes para várias expedições, ao longo dos anos, e nesta temporada está guiando na Jagged Globe - que bom para a equipe!

        

Benegas em "trajes civis" e em ação, em um de seus sete cumes no Everest 

Morey manda a foto da rota entre o Campo 3 e o Campo 4, com os marcos do caminho entre eles (Yellow Band e Geneve Spur). Aliás, é para lá que nós vamos amanhã aqui na nossa expedição! Conhecer o caminho e o Campo 4 - a Zona da Morte, e o porto seguro da volta do cume.

Até lá.

Namastê. 

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Morey nas páginas de O Globo

by Patricia Paladino 12. maio 2009 12:12

Caríssimos membros da expedição O Meu Everest:

neste sábado teremos uma matéria sobre Carlos Morey nas páginas do caderno de Esportes de O Globo. Esta que vos escreve é a autora da matéria, na verdade um grande artigo sobre o que conversamos aqui desde o início de nossa expedição rumo ao Topo do Mundo.

Todo mundo lendo sábado, hein?

Respondi aos lindos elogios ao nosso blog na seção de Comentários do post aí embaixo. Nossa equipe está crescendo - e somos um time de elite, com certeza! Em meu nome e em nome de Luciano Pires agradeço aos que compartilham conosco essa aventura - que, como dissemos em nosso primeiríssimo post, lá em março: ela não acabará quando acabar a temporada 2009 do Everest. Na verdade, esta é uma expedição longa: só vai terminar quando também apagar a paixão que temos por esta montanha...

Namastê!

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Site desenvolvido por ELIAS LUIZ   -    Servidor Dedicado BABOO   -   BlogEngine.NET 1.4.5.0

Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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