Morey chega hoje ao Brasil!

by Patricia Paladino 30. maio 2009 05:55

Foto Carlos Morey

 

   Caros membros da expedição O Meu Everest - e amigos do Morey:

acabei de receber um e-mail dele, de Amsterdam. Ele prevê sua chegada para hoje à noite! O que ele diz:

“No momento eu me encontro em Amsterdam. Consegui sair do vale do Khumbu e antecipar os vôos. Creio que hoje à noite eu já deva estar em casa. Amanhã será um dia movimentado e importante: lavar as roupas (estão molhadas, pois de Namche a Lukla tomamos seis horas de chuva), colocar o carro para funcionar (a bateria deve ter descarregado), tirar a barba e o cabelo (sic), ler os milhares de e-mails etc.

Uma coisa curiosa que eu gostaria de compartilhar é como a altitude afeta o nosso peso. Existe um milionário inglês, Cauldwell, que faz pesquisas com altitude e usa o Everest e a Jagged Globe como meios. E nos seus estudos ele tem detectado que o organismo na altitude "prefere" consumir a musculatura do que gordura. A teoria diz que ele faz esse processo para deixar as últimas esperanças para as gordurinhas. A conseqüência disso é que nesses dois meses perdemos muito massa muscular, mas existem algumas "gordurinhas" indesejáveis que ainda estão lá. O spa Himalaya não funcionou bem.

Um exemplo é o Billl. Ele chegou dois meses atras como um atleta de rugby e ontem nos despedimos e ele parecia um refugiado de guerra. Imagine o impacto em mim, que começou como um quase refugiado...

As despedidas foram tristes, mas o mundo é pequeno. Quem sabe volto a encontrar algum dos outros 12 parceiros ou três guias da nossa expedição. Afinal de contas, foram dois meses juntos. No começo parecíamos desconhecidos, mas compartilhamos momentos bons, difíceis e de muita luta. Nem todos serão meus amigos, mas não meros conhecidos.

Abraços,

Morey”

A jornada de Carlos Morey chega ao fim hoje, quando o avião pousar em São Paulo. Mas ainda teremos nosso papo com ele (e com as perguntas que estão sendo deixadas no post Preparando a volta ao Brasil). Com certeza, a partir de agora, também Morey fará parte da nossa expedição por aqui! E enriquecendo cada post, sempre que quiser deixar comentários de quem viveu isso tudo de perto.

Ele também já antecipou que virá ao Rio para comemorar! Portanto, festa carioca para celebrar mais uma ascensão brasileira ao Topo do Mundo!

Nós começamos o acompanhamento da escalada do Morey com esta foto aí de cima - que ele tirou para que tivéssemos um antes-e-depois de dois meses no Everest. Nada mais cíclico do que postar agora esta mesma foto. Começamos com ela, terminamos com ela. E, em breve, vamos mostrar o que o Everest fez com Morey!

Namastê.  

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Sobre o livro 'High crimes'

by Patricia Paladino 29. maio 2009 05:36

 

   Caros membros da expedição O Meu Everest,

Enfim, consegui terminar o livro High crimes, de Michael Kodas. E quero aproveitar o gancho que o livro dá para propor algumas discussões aqui... Aliás, como são muitos os assuntos, vou dividir este post em dois. Hoje falo sobre uma parte e no fim de semana publico a segunda.

Antes de qualquer coisa, vou fazer um breve resumo do que se trata o livro (em inglês, que pode ser adquirido pela Amazon): muitos de nós já lemos vários livros e vimos muitos documentários sobre expedições ao Everest e a outras montanhas. Estamos habituados aos relatos de superação, dificuldades, heroísmo e algumas tragédias. Em todos eles, aprendemos a admirar a força dos montanhistas que se arriscam neste esporte. 

High crimes mostra o outro lado. O que acontece na montanha e que nós nunca ficamos sabendo (ou apenas sabendo o que convém saber...). É o “lado negro” do Everest – pontuado por situações absolutamente inacreditáveis como roubo de equipamento (uma prática cada vez mais comum na montanha), negligência de guias mal preparados, a transformação da montanha em um negócio muitíssimo rentável e a “apropriação” do cume do Everest como uma catapulta para um sucesso pessoal posterior. 

O livro conta, basicamente, duas histórias de expedições simultâneas – uma por cada lado da montanha (nepalês e tibetano). Pelo Colo Sul, a mais comum e mais tecnicamente fácil do Everest, e por isso mesmo a mais procurada por expedições comerciais. Por estes motivos, o governo do Nepal cobra uma taxa altíssima para dar a permissão de escalada (U$ 70 mil por sete membros de cada expedição). E as expedições, por outro lado, cobram preços altíssimos (entre U$ 40 mil e U$ 65 mil) de cada um dos membros para integrarem a equipe. 

Já pelo lado tibetano, uma rota tecnicamente mais difícil, o custo, por montanhista, para integrar uma expedição fica em torno de U$ 10 mil.

As duas principais rotas de subida ao Everest: em vermelho, a rota do Colo Norte, pelo lado tibetano; em azul, a rota do Colo Sul, pelo lado nepalês

 

 

 

Pois bem: o livro relata, paralelamente, duas expedições ocorridas em 2004: a ascensão de um médico boliviano, radicado nos Estados Unidos, pelo lado nepalês (Colo Sul). Nils Antezana, 69 anos, já havia escalado montanhas menores (nunca acima de 7 mil metros) e tinha uma experiência limitada em altas montanhas. Para o Everest, contratou dois sherpas e um alpinista argentino, chamado Gustavo Lisi, para guiá-lo – ao contrário de outros clientes, que preferem integrar estas enormes expedições comerciais. Ele morreu após atingir o cume, aparentemente por hipoxia, na Plataforma Balcony, enquanto descia. E foi abandonado, ainda vivo, pelos dois sherpas e por seu guia, enquanto implorava por socorro.

 

     

À esquerda, Nills Antezana, médico boliviano que foi abandonado na Plataforma Balcony pelos sherpas contratados e por seu guia, o argentino Gustavo Lisi (à direita)

Ao mesmo tempo, o autor, Michael Kodas (alpinista também com pouca experiência, jornalista e fotógrafo), conta, passo a passo, a sua própria expedição. Realizada pelo lado tibetano (Colo Norte), e organizada por romeno George Dijmarescu e por sua mulher, a sherpani Lhakpa Sherpa (que tornou-se uma heroína em seu país após ser a primeira mulher nepalesa a chegar ao cume do Everest). O casal, radicado nos Estados Unidos, montou a tal expedição e angariou seus membros com as promessas de sempre: conforto, segurança, comida farta, sherpas auxiliando em todo o caminho, equipamento de primeira linha para o cume etc. Michael Kodas e sua mulher, a também jornalista Carolyn Moreau, integraram este time.

 

    

O autor, Michael Kodas, e sua mulher Carolyn, ambos integrantes da expedição organizada pelo casal George Dijmarescu, um romeno de personalidade conturbada, e Lhakpa Sherpa, a primeira mulher nepalesa a atingir o cume do Everest

Mas esta é apenas a história que faz fundo ao que realmente Kodas quis mostrar. O que o livro traz à tona é o que se é capaz de fazer para conseguir chegar ao cume do Everest. E isso em suas várias facetas: desde a vaidade de clientes-alpinistas inexperientes (que querem ter em sua sala uma foto de braços erguidos no ponto mais alto da Terra para mostrar aos amigos) até grandes fraudes realizadas por donos de empresas de aventuras para conseguir elevar ao máximo o lucro de seu negócio. Passando, é claro, por montanhistas com certa experiência que se anunciam como guias para, levando seu cliente ao cume, conseguir outros clientes e iniciar uma promissora carreira de consultor, escritor de livros de aventura ou palestrante.

Para todas estas intenções, há riscos e atitudes muito pouco louváveis. Ao nível do mar, essas atitudes podem ser consideradas “apenas” como um desvio de personalidade ou de caráter. A oito mil metros de altura, é assassinato.

O que Kordas relata ao longo do livro é uma sucessão de:

  • adulteração do conteúdo das garrafas de oxigênio que os alpinistas usam em seu ataque ao cume; 
  • o destempero de líderes (?) de expedições; 
  • promessas que não são cumpridas (como até mesmo falta de comida para os alpinistas); 
  • prostituição e estupro pelo lado tibetano do Everest; 
  • desleixo, negligência e mentiras de guias (ou falsos guias) com clientes que eles deveriam guiar e zelar pela segurança; 
  • roubo de equipamentos de escalada e de suprimentos estocados nos acampamentos mais altos (e que são a tênue divisão entre a vida e a morte acima dos 7.500 metros); 
  • a adulteração de fatos e a destruição de provas que comprovariam a culpa direta das expedições na morte de um alpinista; 
  • o profundo descaso com o fato de, literalmente, ter de se pular sobre um alpinista agonizante para não ter de abortar seu próprio ataque ao cume; 
  • a exploração da mídia especializada, tomando partido em situações-limite, para este ou aquele grande nome do montanhismo. E o sensacionalismo advindo disso, transformando em heróis ou vilões pessoas que não são, necessariamente, nem heróis nem vilões.

Tá bom ou quer mais? Este é o lado do Everest que não conhecemos. Como bem disse o Luciano Pires em um dos comentários (foi ele quem me deu o livro e me avisou que eu iria pirar com ele...), há um certo sensacionalismo também no relato de Michael Kodas. Concordo. A narrativa é um pouco maniqueísta e, vez ou outra, parcial. Por estar, ele mesmo, envolvido em uma das situações descritas, sua imparcialidade jornalística fica prejudicada pela proximidade com a notícia (regra básica do jornalismo: se tem algum envolvimento emocional com a notícia, passe a matéria para outro). 

De qualquer forma, e separando o que é fato e o que pode estar exagerado ou romanceado, High crimes comprovou a minha tese de que o Everest virou o Wal-Mart dos gigantes himalaios. Sua importância como símbolo (por ser a maior montanha da Terra) foi a sua maior desgraça. A montanha vem sendo, a cada temporada, mais vilipendiada do que qualquer outra. Eu, particularmente, sofro com isso. 

Não vou contar em detalhes todos esses fatos listados acima porque senão teria que escrever outro livro... No segundo post sobre este tema, vou resumir alguns casos contados em High crimes, para colocar questões pra gente debater nos comentários.

Agora lanço uma questão geral, para reflexão e a opinião dos membros da expedição: 

  • o que é, afinal, o Everest hoje? 
  • o que ele simboliza e o que representa no mundo do alpinismo de grandes montanhas? 

Estas são as questões iniciais que eu proponho hoje. Quem quiser deixar sua opinião nos comentários, vai ser ótimo! No próximo post, falaremos da ética sobre a morte na montanha mais alta do mundo.  

Namastê! 

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Morey já em Kathmandu

by Patricia Paladino 27. maio 2009 05:20
 

   Morey já está em Kathmandu. E envia notícias sobre sua caminhada de volta.

 

“Depois de caminhar os mais de 60km entre o Campo Base e Lukla, eu, o Ian e os pais do Chris ficamos presos por um temporal que durou dois dias. Pensávamos em ganhar tempo para tentar voar para Kathmandu, mas não deu certo. Ontem o resto da expedição chegou a Lukla. E todos ficamos presos devido ao mal tempo. 

Mas, felizmente, agora à tarde, 27 de maio, pudemos voar. Acabamos de chegar ao hotel em Kathmandu e vamos tentar adiantar os nossos vôos de volta para casa. Por enquanto nada de seguro.

Gostaria de comentar dois pontos sobre os sherpas que eu vi ou fiquei sabendo nesses últimos dias. Um deles, um carregador que estava com 100kg nas costas. Imagine uma pessoa carregando 100kg. E descendo a Icefall... teve que cruzar uma greta com uma escada. Foi tentar colocar o mosquetão na corda para ter a segurança necessária. O peso nas costas o desiquilibra... ele cai na greta... e se quebra inteiro.... Pode?

Outra cena: um dos nossos porters do Campo Base... Eu mal conseguia carregar a minha mochila... Ele pegava a minha mochila, a do Ian e fazia todo o caminho... Que vergonha... Só que esse porter deve ter uns 15 anos, bate na minha cintura e fez o caminho todo de havaiana. Sob nevasca e chuva... Parabéns, exceto que ele devia estar é na escola e não carregando esse peso nas costas com essa idade.

Amanhã mando mais notícias... Agora vou comemorar a chegada em Kathmandu, pois o vôo foi difícil de sair... Mas o trajeto até que foi tranqüilo...

Abraços,

Morey”

 

É, parece que Morey não conseguiu fugir do engarrafamento no aeroporto de Lukla! De qualquer maneira, agora são alguns dias em Kathmandu e depois... Brasil!

Um destaque de seu texto que merece um pouquinho da nossa atenção: o trabalho dos sherpas nas expedições ao Everest. O que já é público e reconhecido até por grandes alpinistas é que, desde a primeira ascensão ao Everest, em 1953, até hoje, a maior parte (senão a gigantesca parte) do sucesso desses mais de 2 mil cumes se deve ao trabalho dos sherpas alpinistas.

São eles os que se arriscam abrindo a rota da Ice Fall (instalando as cordas fixas e as escadas de alumínio), chegando à montanha antes mesmo da primeira expedição. São eles os responsáveis por fixar todas as cordas no longo caminho até o cume. São eles os responsáveis por abastecer todos os acampamentos superiories, com equipamentos, barracas e alimentos. São eles, por muitas vezes, os principais responsáveis por colocar (ou "rebocar") clientes com pouca experiência no cume. São eles que passam diariamente pela Cascata de Gelo, a despeito do perigo iminente desta parte da escalada. São eles os Ice Doctors, que recompõem a rota após acidentes e avalanches. E são eles os que mais morrem no Everest.

Das mais de 200 fatalidades ocorridas na montanha desde 1953, com certeza metade é de sherpas. Porque eles se arriscam mais do que todos e correm os maiores perigos durante toda a temporada.

A avalanche de ocidentais em busca de escalar a montanha ou fazer o trekking até o Campo Base (são cerca de 25 mil por temporada, entre abril e junho e após a monção de verão, mais pro fim do ano) abriu um novo campo de trabalho para este povo. Sherpa, ao contrário do que muitos possam pensar, não é sinônimo de "carregador". É uma designação de um povo que migrou do Tibet para o Nepal há séculos. E que se estabeleceu na região do Khumbu, onde está localizado o Everest. Sherpa significa "povo do Leste" - que é de onde eles vieram. 

Durante centenas de anos, o povo sherpa viveu basicamente da agricultura e de pastorear os iaques, que lhes fornecem carne, leite, combustível (através dos excrementos) e abrigo (com a confecção de casacos e mantas de seu espesso pelo). Estiveram muito distante de qualquer contato com hábitos e costumes ocidentais - mas também vivendo à margem de tudo o que um pouco mais de "civilização" pudesse oferecer.

Sir Edmund Hillary, após a primeira ascensão ao Everest, dedicou o resto de sua vida ao povo sherpa. Construiu escolas, hospitais, postos de saúde, pontes, implementou o reflorestamento de muitas partes da região (plantando 1 milhão de mudas no Parque Nacional de Sagarmatha). Depois, construiu o aeroporto de Lukla e levou luz elétrica a muitas vilas (principalmente Namche Bazaar). Estas suas duas últimas iniciativas, de certa forma, abriram caminho para tornar o Everest mais acessível aos ocidentais. Mas sem juízo de valor...

O contato com o "povo do Ocidente" transformou a vida dos sherpas. Eles saíram do século 18 e caíram direto nos séculos 20 e 21. E viram uma boa chance de ascensão social e financeira participando de expedições ao Everest. Assim começou a mais rentável carreira entre os sherpas: o de ser "sherpa de expedição". O que cada sherpa alpinista ganha em uma única expedição corresponde a mais de um ano de rendimentos da maioria da população da região (mesmo que seja o mínimo para os padrões ocidentais. Cerca de US$ 2.500, em média). Eles adquirem status em sua comunidade. Com o dinheiro, enviam seus filhos a Kathmandu, para estudar e seguir uma carreira. Eles mesmos, após juntar algum dinheiro, transferem toda a família para Kathmandu. Hoje há serpas médicos, advogados, engenheiros e até um piloto de aviação comercial. 

Paralelamente a isso, o comércio, principalmente em Namche, foi incrementado e ocidentalizado. Muitos sherpas abriram lodges (pousadas), restaurantes, lojas de material de montanhismo, cybercafés, bares. Hoje se encontra cerveja de qualquer lugar do mundo ali, vários tipos de cozinha internacional, e, claro, não falta Coca-Cola. Embora mantenham sua cultura e a religiosidade intactas, o povo sherpa hoje em dia transita entre os ocidentais com desenvoltura. Conseguiram fazer do Everest (eles também) um meio de sustento de suas famílias.

Entretanto, o início de toda carreira de alpinismo para um sherpa começa como carregador. E são a estes que Morey se refere em seu e-mail. São, muitas vezes, crianças frágeis, que, como ele disse, deveriam estar na escola. Sherpanis idosas que deveriam estar em casa, cuidando dos netos. Mas estão lá, carregando três vezes o seu próprio peso na difícil trilha entre Lukla e o Campo Base. Os adultos (homens e mulheres) são, literalmente, "burros de carga" para as expedições, que têm de levar toneladas de peso até o acampamento onde permanecerão por dois meses. Seguem em fila, junto com os iaques (que levam o equipamento mais pesado), sem calçados ou roupas adequadas. E que, como na escala hierárquica da expedição estão na base da pirâmide, são absolutamente ignorados pelos milhares de ocidentais que cruzam pelo caminho.

Como imagens valem mais que palavras:

 

               

 

                           

São a esses sherpas que Morey se refere em seu e-mail. Também ele bastante impressionado pela força demonstrada por esses carregadores, quando ele mesmo estava exausto para conseguir levar sua mochila sob a nevasca e a chuva. Mas a diferença de Morey para outros alpinistas é que ele dividiu com o rapaz seu esforço, reconhecendo seu auxílio - o que muitos ocidentais não fazem. Morey também percebeu uma coisa de maneira muito sensível (além do fato de que ele devia estar na escola): que mesmo um menino sherpa de 15 anos, franzino e sem qualquer vestimenta especial, é muito mais forte do que nós.

Esta é a força do povo sherpa. Que, pra mim, vem não apenas da necessidade de sobrevivência ou da compleição física (por viverem acima de 3 mil metros a vida toda, o que lhes dá, obviamente, mais resistência ao ar rarefeito). Vem, principalmente, de sua história, de sua rica cultura e de sua bela religiosidade.

Namastê. 

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É fim de festa mesmo!

by Patricia Paladino 26. maio 2009 09:14

                                                                                                                                                                                                                    Foto Adventure Consultants expedition

   Membros da expedição O Meu Everest

O clima é mesmo de fim de festa do lado nepalês do Everest. As expedições estão debandando... desarmando os acampamentos e engarrafando a trilha de volta.

Agora começa outra aventura: descer a trilha até Lukla e aguardar pacientemente os vôos que partem do pequeno aeroporto rumo a Kathmandu. Deste engarrafamento Morey escapou! Ele já deve estar embarcando pra capital nepalesa... Mas imaginem: são quase mil pessoas querendo voar de volta, em um pequeno bimotor. Todos ao mesmo tempo. 

Muitos voltam de helicóptero, mas pelo que dizem do clima por lá, não há muito teto para os helicópteros sobrevoarem a região. Uma foto de hoje do Campo Base (uma das últimas expedições ainda por lá é a da First Ascent/RMI) mostra que a neve toma conta do Base:

Foto First Ascent expedition

Aliás, Dave Hahn - um dos últimos a fazer o cume nesta temporada, seu 11º no Everest, um recorde entre ocidentais - comentou em seu blog: "Nunca vi uma temporada no Everest terminar tão cedo e tão abruptamente!". E olha que ele tem anos de sucessivas expedições à montanha... Ele também comenta que quando desceu do cume, há dois dias, o tempo estava claro e sem nuvens. E que hoje acordou com esta nevasca! Ele prevê ventos beirando a velocidade de um ciclone para os próximos dias no cume. Mas agora é só a natureza... Não tem mais ninguém no alto!

                                                                                                                         Foto First Ascent expedition

Esta "figura" é Dave Hahn, o Mr. Everest - como é conhecido no meio do montanhismo, pelas inúmeras expedições à montanha e seus 11 cumes. Ele integra a elite do montanhismo atualmente e participou diretamente, em 1999, da descoberta do corpo de George Mallory, na expedição da International Mountain Guides (IMG) pelo lado tibetano da montanha. Já falei sobre essa expedição aqui há muitos posts atrás (é só procurar no Arquivo, há inclusive a transcrição - em inglês - da comunicação entre a equipe via rádio. É muito legal).

Mas falei no Dave Hahn por outro motivo: há umas duas semanas o Luciano Pires me deu um livro de presente, chamado High crimes. Com a loucura da cobertura da escalada do Morey e meus outros trabalhos, só dei uma folheada no livro... Até este sábado. Abri o livro por volta do meio-dia e, até domingo à noite, já estava quase no final! Tive que dar mais uma paradinha e hoje vou terminá-lo. E então vou comentar aqui... Vocês não imaginam o que é este livro!! O Luciano tinha me avisado, quando me enviou: "você vai pirar. Vai conhecer um outro Everest!". E está sendo isso mesmo.

Amanhã, com o livro (espero) finalizado, eu conto sobre o que eu li. É absurdo, revoltante, uma loucura o que acontece ali e a gente não sabe! 

Mas, definitivamente, Dave Hahn não é uma dessas pessoas que mereciam estar fora do Everest. Por isso - e pra afastar de mim essa imagem ruim! - eu coloquei aqui este comentário sobre o Hahn. Um montanhista de verdade. 

Namastê!   

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Morey já está em Namche

by Patricia Paladino 24. maio 2009 07:01

 

   Caros membros,

Morey já começou seu caminho de volta ao Brasil. Hoje ele está em Namche Bazaar, a principal vila sherpa (e considerada a capital do Solo Khumbu), e nos envia, além de um balanço da performance dos membros da Jagged Globe, algumas belas fotos. Ele fala, inclusive, sobre o desmonte do Campo Base, sobre o qual já falamos aqui. Mas com a rica visão de quem realmente está lá...

 

“Os iaques (bovinos da região) estão chegando, as expedições estão começando a desmontar e empacotar os equipamentos, os porters (carregadores) estão começando a descer pesados e apressados... O Campo Base está com o clima de fim de festa.

O Campo Base também está muito estranho. Com o sol, o processo de derretimento acelerou. Está tudo desmoronando. Tem barracas deslizando com as pedras. Até a Pedra Cogumelo caiu...

Eu e o Ian saímos na frente do pessoal e estamos em Namche Bazaar. Amanhã vamos para Lukla. A nossa intenção é voar o mais breve possível para Kathmandu e assim poder antecipar os nossos vôos internacionais. Os demais não estão com tanta pressa.

Como estatística dos trabalhos da Jagged Globe (avalio como muito bom), seis dos 13 chegaram ao cume. Veja o resumo:

1. Dave Hodge: desistiu por problemas de saúde
2. Peter: perdeu o encanto pela expedição
3. Neil: problemas nas costelas
4. Dave Craven: não estava preparado para a montanha
5. Morey: foi perder a maldita lente de contato na Balcony
6. Ian: problemas de saúde no dia do cume
7. Neil_A: cansou no dia do cume
8. Nick: cume
9. Doug: cume
10. Bill: cume
11: Amanda: cume
12: Kevin: cume
13: Chris: cume

Vou anexar, como prometido, umas belas fotos...

Nessas fotos dá para ver como é difícil o caminho do Campo 3 para chegar no Campo 4. O caminho para se chegar ao cume. Nesse, infelizmente, é possivel ver alguns corpos, como por exemplo o de Scott Fischer descrito no livro No ar rarefeito, e as vistas lindas do Colo Sul, onde é possivel ver as cinco maiores montanhas do mundo facilmente (Everest, Kanchenjunga, Lhotse, Makalu e Cho Oyu) e de quebra o Shisha Pagma...

Abraços,

Morey”

 

Álbum de Carlos Morey

Subida do Campo 3 (na Face do Lhotse) ao Campo 4 (no Colo Sul). Notem a Franja Amarela, o degrau de rocha sobre o qual falamos em nosso post sobre a rota para o Colo Sul, onde estão vários alpinistas. E, ao fundo, o Geneva Spur (Esporão Genebra) 

 

Morey chamou esta foto de "peregrinos ao Campo 4"... E parece mesmo: em uma fila indiana, todo mundo subindo lentamente a inclinação de 70º da Parede do Lhotse. Percebam os pontinhos laranja ao fundo da foto. É o Campo 3. As dimensões do Himalaia são absurdas. O que vemos em algumas fotos não passa o gigantismo da situação. Vimos várias fotos sobre este percurso, mas esta mostra muito bem o que é este trecho entre os dois últimos acampamentos  

 

Visão Leste do Campo 4, no Colo Sul

 

Visão Oeste do Campo 4, no Colo Sul

 

Carlos Morey fez uma legenda muito engraçada para esta foto: "Morey levando o dog para passear". Aqui ele está no Campo 4, com a rota de subida ao cume atrás

 

Esta foto particularmente me impressionou. Aqui, Morey marca o trajeto para o cume. Já tínhamos visto este trajeto, quando partimos para o "nosso cume", há alguns posts atrás. Mas são os detalhes que só quem está lá, vendo in loco e presenciando coisas que ninguém mais pode compartilhar, que tornam isso tudo muito mais real: a localização do corpo de Scott Fischer (assinalado em verde, na foto). Essa história nós já contamos aqui no blog. Quem não chegou a ver, é só procurar no Arquivo. Trata-se da pior temporada do Everest, ocorrida em 1996 e que deu origem ao best-seller de Jon Krakauer, "No ar rarefeito". Scott Fischer era um dos mais carismáticos alpinistas da época e morreu na descida do cume. Saber que seu corpo está descoberto e ao alcance dos olhos de quem sobe ao cume, pra mim, é arrepiante...

 

Bem, pessoal, Morey vai nos enviar mais notícias sobre sua volta ao Brasil de Kathmandu.

E não esqueçam: quem quiser deixar dúvidas e perguntas para a entrevista que farei com Morey quando ele estiver de volta, é só deixar como comentário no post Preparando a volta ao Brasil, uns dois ou três posts abaixo.

Namastê!  

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Balanção do Everest 2009

by Patricia Paladino 23. maio 2009 05:59

   Caros membros da expedição O Meu Everest,

Chegando ao fim de mais uma temporada de ascensões ao Everest, vamos a um balanção do que de mais importante, interessante ou curioso aconteceu entre o fim de abril e este finalzinho de maio.

Não precisamos nem inserir toda a jornada de Carlos Morey neste post! Afinal, o blog dedicou-se, entre 27 de março e até a volta de Morey ao Brasil (o que deve acontecer no início de junho) a acompanhar, passo a passo, seu caminho rumo ao cume. E, como já dissemos várias vezes, em uma escalada vitoriosa. Quem entrou para nossa expedição quando ela já estava em andamento pode acompanhar todo o percurso em nosso arquivo, para ter uma noção total de tudo o que aconteceu desde o início.

Três grandes avalanches aconteceram na Cascata de Gelo do Khumbu (Icefall) durante a temporada. Duas, em menos de uma semana. E, na última, um sherpa desapareceu, certamente jogado pela onda de neve em uma das muitas gretas (fendas com centenas de metros de profundidade) que estão por toda parte neste labirinto de blocos de gelo que é a Cascata. Esta avalanche, inclusive, segundo relatos de alpinistas que já estiveram inúmeras vezes no Everest, foi a mais gigantesca que eles já presenciaram em todas as temporadas. Isso muito se deve, além do deslocamento natural da geleira, às conseqüências do aquecimento global, que já chegou às grandes montanhas. Basta ver o que era o Kilimanjaro há vinte anos e o que é hoje. O Everest também é uma vítima.

Como em todas as altas motanhas, existe um espaço muito pequeno de bom tempo até que cheguem as monções - o que faz com que as expedições tenham uns poucos dias para subir. Então formam-se várias ondas de expedições subindo juntas, cerca de 100, 150 alpinistas por noite. Até hoje (e não acredito que haja mais), são mais de 300 cumes e seis mortes. Pode parecer mórbido, mas é a média de fatalidades para uma temporada no Everest. Foram dois sherpas (um na última avalanche na Cascata de Gelo, outro pela ingestão de uísque com metanol no Campo Base); o alpinista chinês Wu Wenhong, que morreu de exaustão a 8.750m; e o tcheco Veslav Chrzaszcz, há dois dias, ambos pelo lado tibetano da montanha.  

UPDATE: Infelizmente, mais uma morte foi confirmada nesta temporada, elevando para cinco o número de fatalidades em 2009. O alemão Frank Ziebarth, de 29 anos, alcançou o cume em 21 de maio pelo lado tibetano da montanha (Colo Norte), sem oxigênio suplementar, mas pereceu na descida, provavelmente por hipotermia, a 8.700m. Ele já havia atingido o cume de outros OitoMil: Shisha Panhma, Cho Oyu e Lhotse, todos sem o uso de O2.

UPDATE 1 (27 de maio): Hoje houve mais uma vítima no Everest. O alpinista Sergey Samoilov, integrante da expedição Everest-Lhotse 2009 Transverse, do Cazaquistão, morreu ontem ao tentar o cume do Lhotse. Embora a temporada do Everest pelo lado nepalês já esteja encerrada, ainda há alguns times remanescentes, como este, no Nepal. Com esta fatalidade, sobe para seis o números de mortos no Everest em 2009.  

Tivemos, como sempre, dezenas de expedições pelo lado sul nepalês e muitas centenas de alpinistas morando no Campo Base por dois meses. Entre as expedições houve equipes enormes, de empresas profissionais de alpinismo, que prometem levar seus clientes-alpinistas ao cume. E normalmente conseguem, pela infra-estrutura que carregam para a montanha. A maioria dessas empresas (Adventure Consultants, Mountain Madness, Himex, Alpine Ascents, Altitude Junkies, RMI - que este ano levou o "codinome" de First Ascent, relativo à marca de equipamentos de alta montanha que patrocinou -, Jagged Globe e IMG) conseguiram levar a maioria dos alpinistas ao cume. O problema é que algumas se sentem "donas" da montanha. E isso causa uma série de problemas extra-escalada...

Vale destacar o sistema de comunicação de uma delas, a da First Ascent, que foi inimaginável: Twitter, dispatches em áudio em tempo real, canal no YouTube com vídeos desde a chegada à Kathmandu (e com publicação minutos após as equipes chegarem ao cume). Sensacional para quem quer acompanhar à distância, mas um pouco hightech demais para os puristas...  

Duas expedições (Himex e IMG) dividiram uma equipe do Discovery Channel para documentar a escalada. A Himex - que já fez duas temporadas da série O preço da escalada, ambas pelo lado tibetano, desta vez estava no lado Sul, por conta de problemas com as autoridades tibetanas, que demoraram a liberar a permissão para as expedições. Portanto, mais dois documentários sobre o Everest serão lançados em breve.

Esta temporada teve algumas curiosidades bacanas. Fora o acompanhamento do Morey, houve alguns cumes sensacionais, expedições só de mulheres, um astronauta no cume, recordes sendo batidos. Só uma palavrinha sobre "recordes": em todas as altas montanhas (e, em especial, no Everest), há sempre quem quer ser o mais velho, o mais novo, o mais gordo, o primeiro de seu país a chegar ao cume. Já houve até o primeiro deficiente visual a chegar ao cume e o primeiro amputado (é, até isso já teve). Por achar que isso é nada mais do que uma promoção pessoal para se atingir a fama (e para, na volta, iniciar uma promissora carreira de motivacional speaker), deixamos isso de lado. Nada tem a ver com o montanhismo. Entretanto, recordes de quantidade de cumes, de formas de escalada e de tempo de subida – esses sim valem a pena destacar, porque estão no cerne competitivo do mundo do montanhismo.

Então vamos para o balanção do Everest 2009. Como todas as expedições na montanha conseguiram colocar muitos ou todos os membros no cume, vamos destacar o que de mais curioso ou interessante aconteceu com alpinistas – e não com equipes.

O 19º CUME DE APA SHERPA

   

A primeira coisa a destacar é o 19º cume de Apa Sherpa, da Asian Trekking, um alpinista de elite, uma lenda do montanhismo moderno, respeitado como um dos mais técnicos e fortes entre seus colegas. Do cume, ele enviou o seguinte rádio ao seu Campo Base: “Estou no topo e olhando todas estas bandeiras de oração... Sou o último de nosso grupo a chegar ao cume hoje por ter tido problemas de intenso tráfego para subir o Escalão Hillary. Cheguei ao cume às 8h e estou aqui há meia hora. Está muito frio e vou descer agora.” Ninguém chegou tantas vezes ao cume do Everest como ele. E vai ser muito difícil superá-lo.

 

 

 

O PRIMEIRO OCIDENTAL A FAZER O CUME ESTE ANO

 

 

   David Tait foi o primeiro ocidental a chegar ao cume este ano. Ele escalava em busca de fundos para a fundação Rebuilding Childhoods, que cuida de crianças que sofreram abusos.

 

OS CUMES DE VIESTURS E WHITTAKER E A "POLÊMICA" DO USO DE 02

   Ed Viesturs (à esquerda na foto), um dos alpinistas de elite atualmente, que subiu todos os 14 OitoMil sem oxigênio artificial, decidiu, desta vez, subir com O2. Foi a primeira vez que fez isso no Everest, e chegou ao seu 7º cume nesta montanha. Ele explicou que nunca usou oxigênio suplementar em todas as conquistas dos gigantes por uma questão de ética pessoal em relação ao montanhismo. Mas que desta vez usou O2 no trecho final por conta do muito tempo em que permaneceu no Colo Sul (8.000 metros) à espera do bom tempo – e também por conta do grande número de alpinistas que encontrou pelo caminho. Mais por conta de manter o corpo aquecido com O2 do que por necessitar dele, e para manter a dinâmica do grupo que subia junto. Por conta disso mesmo, seu tempo entre subida e descida foi impressionante: ele saiu às 23h, depois de todas as expedições. Chegou ao cume às 8h da manhã e às 13h já estava em sua barraca no Colo Sul. Quem sempre sobe sem oxigênio, quando vai com O2 vira uma máquina! O incrível é que alguém tenha que “dar satisfação” porque usou oxigênio! Principalmente um cara que é considerado um dos mais corretos montanhistas da atualidade e que completou o Circuito dos OitoMil seguindo esta ética de estar "parelho" com a montanha. Viesturs subiu com o líder da expedição, Peter Whittaker, que também alcançou o cume.

 

O 11° CUME DE DAVE HAHN

   Ele é chamado de "Mr. Everest", por ser o detentor do maior número de cumes, para um ocidental. E há dois dias chegou ao topo de novo, pela décima primeira vez. Hahn, que também integra o time da First Ascent, enfrentou um contratempo para sua subida: ele guiava uma americana de 17 anos, que queria ser (olha aí o recorde bobo de novo) a mais jovem americana a atingir o cume. Ele passou o tempo todo com ela subindo e descendo a montanha para aclimatação. Entretanto, no dia da subida final, a menina "amarelou". Não se achou preparada para encarar o desafio. Hahn, como um alpinista consciente (e talvez tenha sido ele quem vetou a subida da garota) desceu com ela ao Campo Base e retomou sua própria escalada ao cume dias depois, com outros dois guias da First Ascente, Melissa Arnot e Seth Waterfall. Todos chegaram ao cume ontem, dia 22 de maio - um dos últimos times a chegar ao topo.

 

MULHERES NO CUME

   Havia duas expedições formadas só por mulheres este ano no Everest: a Singapore’s Women (que integrava a expedição da IMG) e a da Croácia. Desta última, os primeiros cumes foram conquistados pelas irmãs Darija e Iris Bostjanèiã (na foto), em 19 de maio. Foram as primeiras mulheres a conseguir o cume este ano e a primeira dupla de irmãs a fazer isso. O interessante é que elas foram acompanhadas por dois sherpas, também irmãos (Lhakpa e Navang), que também chegaram ao topo. A expedição croata eu não consegui acompanhar com tanta assiduidade porque seu site é publicado em... croata. E esta língua, infelizmente, eu não falo...

   A outra expedição feminina, a Natas Singapore Women’s Everest, conseguiu colocar cinco das seis montanhistas (que sempre escalam juntas) no topo: Li Hui Lee (27 anos), Yin Xuan (Esther) Tan (26 anos) e Zhen Zhen (Jane) Lee (25 anos), no dia 20. E na quarta-feira, 21, mais duas meninas chegaram ao cume: Mei Ying (Joanne) Soo (39 anos) and Peh Gee Lee (32 anos.) Assim, apenas Yi Hui, a sexta integrante da equipe, não fez o cume nesta temporada. Esta foi uma equipe muito legal, embora nenhuma delas seja considerada como entre as maiores.

 

DA LUA AO TOPO DO MUNDO

   O astronauta americano Scott Edward Parazynski, que já viu a Terra do espaço, chegou este ano ao Topo do Mundo. Ele integrou o enorme time da International Mountain Guides (IMG).

 

O VETERANO RUSSO

   O lendário alpinista russo Nicholay Cherhy chegou ao Teto do Mundo. Ele liderou o segundo time que subiu pela expedição Seven Summits.

 

 

UM REGISTRO OFF-EVEREST

   Sei que nosso papo aqui é sobre o Everest. Mas como uma entusiasta da presença de mulheres montanhistas nas montanhas acima de 8.000 metros de altitude, acompanhei de perto a escalada da espanhola Edurne Pasaban este ano. Ela alcançou o difícil cume do Kangchenjunga (terceira montanha mais alta da Terra, com 8.598m), chegando ao seu 12° cume no Circuito dos OitoMil. Só faltam duas para completá-lo – e ser a primeira mulher a fazer isso. Edurne teve um descenso muito difícil até o Campo Base (mais de 10 horas de muito esforço e tempo ruim) e chegou à beira da exaustão e com um dedo da mão e dois dos pés congelados.

Há uma “disputa velada” entre Edurne e mais duas alpinistas: a austríaca Gerlinde Kaltenbrunner e a italiana Niver Meroi. Elas não admitem a competição, mas...

   Há dois dias, Gerlinde Kaltenbrunner chegou ao cume do Lhotse, empatando com Edurne a marca de 12 OitoMil. Nesta expedição (que segue a mesma rota para o cume do Everest, e só se separam no Colo Sul), Gerlinde esteve acompanhada por Ralf Dujmovits, que com este sucesso completou o Circuito dos 14 OitoMil, entrando para este seleto grupo.

   Nives Meroi também estava no Kangchenjunga mas abortou o cume, permanecendo com 11 OitoMil no currículo. Para quem gosta de montanhismo e torce muito pela presença de mulheres entre a elite, as próximas temporadas prometem muitas emoções com este trio!

 

Estes são os fatos relevantes desta temporada. É claro que há muitas histórias, muito mais o que contar. Mas aqui estão os mais interessantes, na minha opinião. Sabendo de mais detalhes bacanas, eu posto.

Morey continuará enviando dispatches de seu caminho de volta, e estaremos postando à medida que eles cheguem.

Uma última palavra: gostaria de agradecer a todo mundo pelas palavras de incentivo durante o acompanhamento da escalada do Morey. Em especial a Gerusa Palhares (que virou minha amigona!), Denis Andrade, Pablo Soboleff, Beto Joly, André Monteiro, Gilberto Thoen, Robert Adler, Henrique Leite, Eduardo Oliveira, Charles Klein, Spincc (cadê você, Spincc??), Marcelo Zeuli, Márcio Campos, Sizenando Aguiar e Patricia Perone. E, claro, ao Luciano Pires! Uma parceria que definitivamente deu certo! Se eu esqueci de alguém, me perdoe... Mas beijo a todos pelas lindas mensagens e pela vibração positiva durante toda a jornada!

Este blog está entrando em sua nova fase. A expedição O Meu Everest continua, a partir de agora, falando do Everest em suas mais variadas facetas. Teremos entrevistas com os principais alpinistas brasileiros de alta montanha (a começar, claro, por Carlos Morey, com quem bateremos um longo papo assim que ele estiver no Brasil. No post abaixo eu explico que quem quiser fazer perguntas ao Morey pode deixar nos comentários que eu faço durante a entrevista).

Vamos contar a história da formação do Everest (é muito interessante...), as primeiras tentativas de conquista com as expedições de George Mallory, o desbravamento por Edmund Hillary e Tenzing Norgay, fazer biografias dos grandes montanhistas da atualidade e do passado, contar casos de sucesso e alguns trágicos que aconteceram no Everest, indicar livros e documentários para quem quiser aprofundar o conhecimento - enfim, assunto é o que não vai faltar.

Também quero lançar alguns assuntos polêmicos para debate com os membros da expedição. Por exemplo: o que é a ética em uma montanha com mais de 8 mil metros? O que está acontecendo à montanha diante da invasão do Everest a cada temporada? Temas que estão sempre nas pautas dos livros que falam sobre esta montanha. 

Enfim, a expedição vai avançar. Gostaria muito que, mesmo os amigos do Morey, que chegaram ao blog para acompanhar sua jornada, permanecessem como membros de nossa expedição. Este será um espaço para descobrir o Everest - e desbravá-lo a partir de histórias muito instigantes.

Namastê!

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Preparando a volta ao Brasil

by Patricia Paladino 22. maio 2009 12:40

   Pessoal,

Morey já está preparando seu retorno ao Brasil. E nós também! Assim que ele chegar a São Paulo, der uma descansada e um abraço na família e nos amigos, bateremos um longo papo com ele aqui no blog.

Mas sabemos que muitas dúvidas, que são individuais, podem não ser respondidas. Então proponho que quem quiser fazer perguntas ao Morey, deixe neste post, como comentário. Assim, quando eu conversar com ele, farei também as perguntas dos outros membros de nossa expedição.

Namastê!

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Update de Morey

by Patricia Paladino 22. maio 2009 06:26

Foto Waldemar Niclevicz

   Membros da expedição O Meu Everest

Morey nos manda mais detalhes do segundo dia de ataque ao cume e notícias curiosas de hoje lá do Campo Base:

 

“Espero começar a descer amanhã para Pheriche. Depois Namche e finalmente Lukla. Devo ficar dois ou três dias em Kathmandu e pegar o vôo de volta. Estou agora trabalhando na remarcação dos vôos.

Mais algumas informações sobre a expedição:

20/05 

O time Orange sai às 20h30 para o ataque ao cume. Para minha surpresa e tristeza, o Ian desistiu pouco antes da Balcony. Teve problemas estomacais. O Ian é um dos poucos com que fiz um boa amizade aqui. Fiquei chateado.

O Neil_A, como eu previa, não agüentou o tranco e também teve que desistir. Mas a sua esposa chegou lá... Parabens às mulheres... O Tomaz, Chris, Kevin, Adele e Amanda chegaram ao cume do Everest.

Nós saímos às 9h15 do Campo 4 e descemos até o Campo 2 em seis horas. Supercansativo. E cruzamos com um mar de pessoas no caminho contrário, indo atrás do seu Everest.

21/05

Superpesados, pois estamos descendo agora com todos os equipamentos, saímos às 6h45 do Campo 2. Levamos quase cinco horas e meia para chegar no Campo Base. Exaustos, mas seguros. Aqui os riscos são mínimos. 

Essa foi a décima vez que passamos pelo Ice Fall. Ele está bem diferente da primeira vez. Seja pelas várias avalanches ou seja pelo próprio derretimento do gelo ao longo dessas várias semanas.

Ficamos sabendo que o time Orange também conseguiu descer com segurança do Campo 4 para o Campo 2. Ficamos tranqüilos que o time está bem.

22/05

Notícias frescas... O time Orange começa a chegar ao Campo Base. Chegou o Tomaz, o Kevin e o Chris. A notícia interessante é que os pais do Chris vieram do Portland, Oregon, fazer o trekking ao Campo Base e esperar pelo filho. Filho esse que tentou o Everest em 2005 e não conseguiu chegar no cume, pois o sherpa que o acompanhava o abandonou. Foi uma emoção aqui no Campo.

Abraços,

Morey”

 

Daqui a dois dias Morey começa a fazer o caminho de volta... O clima no Campo Base, a esta altura, já deve ser de despedida das expedições. Muitas já desmontando seus acampamentos, encaixotando equipamentos e as toneladas de material usado para manter o acampamento funcionando, os iaques retornando ao Base para levar a carga mais pesada, os times se despedindo uns dos outros...

Eu fico imaginando que este momento, para todas as expedições e para os alpinistas, deva ser uma mistura de alívio e tristeza... Vontade de voltar para casa mas melancolia em deixar aquele lugar que, durante dois meses, foi uma cidade povoada por pessoas com expectativas, sonhos, medos, incertezas... E confiança, determinação, garra, força de vontade.

Afinal, foram quase dois meses de convivência, às vezes pacífica, outras, atribulada. Dois meses de sustos com avalanches, quedas e fatalidades. De torcida por um tempo bom, pela ajuda da natureza. De preces e pujas. De luta por estar sempre atento psicologicamente e forte fisicamente.

De qualquer forma, esta cidade com quase mil habitantes está sendo deixada para trás nos próximos dias.

O Campo Base do Everest ficará vazio - sem uma presença humana sequer.

A montanha irá descansar até a próxima onda de expedições. Fico imaginando o silêncio, a tranqüilidade. A imensidão do Everest sozinha - apenas com os goraks sobrevoando seu cume.

Apenas o Everest. Sagarmatha, para os nepaleses, o Teto da Terra. Chomolungma, para os tibetanos e sherpas: a Deusa Mãe do Mundo.

Namastê. 

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Morey conta o que houve

by Patricia Paladino 21. maio 2009 04:50

Foto Waldemar Niclevicz

 Caros membros da expedição O Meu Everest

Notícias de Morey direto do Campo Base! Sem delongas, vamos ao que interessa!

 

"Estamos de volta ao Campo Base do Everest após o ataque ao cume dos 8.850m do Mt. Everest. Infelizmente, apesar de estar superbem no dia 18/05, não pude ir além dos 8.500m de altitude, numa região da montanha conhecida como Balcony.

Lamento se frustrei a linda torcida e o apoio que recebi de todos ao longo do tempo que estive aqui, mas o maior frustrado, creio, sou eu mesmo. Sobretudo pelas circunstâncias que me levaram a tomar a difícil decisão de regressar ao Campo 4. Mas usei como princípio preservar a minha segurança e a dos demais da montanha para tomar essa decisão. A seguir irei detalhar os dias que antecederam o dia 18/05 e ver como detalhes podem influenciar os resultados de um projeto.

O Projeto Everest demandou quase dois anos diretos da minha vida pessoal e quase dois meses aqui na montanha. Os dias aqui foram muito difíceis, por exemplo, tanto tempo longe da família, amigos, de casa, de uma TV, de um banheiro, de uma cama, roupas limpas e, porque não falar, da falta de assistir um jogo do São Paulo, por mais ruim que esteja jogando. Mas essa experiência eu vou levar para o resto da vida. E com a mesma simplicidade, disciplina e força de vontade que me trouxeram aqui vou usar nos desafios que enfrentamos diariamente na vida.

Próximos desafios? Por enquanto não tenho nada seguro, mas espero descansar um bom tempo antes de voltar a uma montanha. Uma viagem para uma praia seria mais apropriado para o momento...

Me coloco à disposição para compartilhar os conhecimentos adquiridos aqui e a experiência para aqueles que desejam trilhar o caminho dos 7 Summits e assim poder conhecer essas lindas e maravilhosas montanhas que tanto me ensinaram.

Estarei no Campo Base mais uns dois dias e depois começo o longo caminho até em casa, creio que uns 24.995km... Em uns 10 dias devo estar de volta ao Brasil.

Cronologia do Summit Push

15/05: Ida do Campo Base ao Campo 2

Tive uma péssima noite. Muita ansiedade me impediram de dormir um só minuto. Isso afetou o meu apetite, não comi nada no café da manhã.

Saímos às 4h30, Willie (guia) e mais nós quatro (eu, Doug, Bill e Nick). Estávamos superpesados e fomos bem devagar através do Ice Fall. O Nick também estava maus. Ficamos para trás e levamos 6h30 para chegar, exaustos, ao Campo 2. Sobretudo porque estava um dia superaberto. Medimos +50C de temperatura. 

16/05: Descanso no Campo 2

Passamos o dia descansando e preparando os equipamentos para levar para cima. Dois itens a destacar:

Tinha cinco lentes de contato, decidi levar apenas duas para cima. Achei que tinha mais lentes no Campo 3. Tenho -5 de miopia. Sem lente eu não enxergo.

Estava com três lanternas de cabeça. Duas minhas, que o Willie não gostou, e uma emprestada que ninguém sabia quanto iria durar as baterias. Resultado, o Willie ficou com as minhas duas lanternas, me deu uma dele e eu deixei a lanterna que ninguém sabia a duração das baterias. E levei baterias de backup.

A equipe Orange veio superbem, apesar da desistência do Neil e do Dave logo no início do Ice Fall (previsto). O Neil_A sofreu também pra chegar no Campo 2. 

17/05: Ida para o Campo 3

Tenho uma mochila muito grande e pesada (Contour IV). Não tragam ela para o Everest. O crime não compensa. Logo no início da caminhada ao Campo 3, larguei a mochila e peguei emprestado do Willie uma North Face. Salvou o dia. Saímos às 5h e em 4h45 chegamos ao Campo 3. Nosso melhor tempo. 

Passamos o dia e a noite usando o oxigênio e a mascara. Me adaptei bem... 

18/05 Grande Dia - Ida ao Campo 4 e Ataque ao Cume

O dia começou com muito frio e vento. Ao invés de saírmos às 6h, saímos às 7h. Caminho duro... Começa com a ascensão do Lhotse Face até a altura da Faixa Amarela (Yellow Band). Cruzamos essa parte rochosa da montanha e fazemos uma transversal até o Esporão Genebra. Subimos até a sua crista e depois de uma breve caminhada chegamos ao Colo Sul. Fizemos o trajeto em seis horas, ou seja, chegando às 13h. A essa hora o relógio começa a correr, pois às 21h iremos tentar chegar aos 8.850m do cume.

A ansiedade é tanta que você não consegue dormir. E olhando pelo que falta, dá um frio na espinha. Entramos na barraca (dividi em todos os acampamentos com o Nick) e fomos hidratar e comer. Fomos avisados que às 19h iríamos receber a água para a janta e para usar na caminhada. E que às 20h deveríamos começar a nos vestir.

Às 19h chegou a água e eu comecei a preparar uma espaguete à bolonhesa. Quando fui ler as instruções de preparo, notei que o olho direito não estava enxergando bem. Estava usando uma lente que trouxera do Brasil (há quase dois meses). Tinha comigo duas lentes que pensava usar como emergência no Ataque ao Cume. Pensei: emergências não devem ocorrer, quase nunca ocorreram comigo nesses 25 anos de uso de lente. Tomei a decisão de trocar as duas lentes e colocar duas novas para o Ataque ao Cume. E as usadas deixei na barraca. 

Às 20h veio o pessoal. Algumas expedições começaram a subir. Tínhamos a informação de que 120 pessoas iriam subir naquela noite, compartilhando a mesma corda. O Willie ficou alucinado com a idéia de ficar para trás e começou a nos pilhar. Me senti como uma noiva no dia do casamento, um sherpa me colocou a bota, o outro me vestiu, o outro colocou os crampões, o outro a caderinha, o outro trocou o oxigênio, o outro regulou o fluxo de O2 e assim foi ate às 21h, quando saímos. 

Éramos nove: o Willie, nós quatro e mais os quatro sherpas nos acompanhando. O sherpa que ia comigo se chama Nima Galyen e ele já fez sete vezes o cume do Everest. Como sempre, fiquei na última posição. E nosso time era forte... Fomos passando todos os que estavam à nossa frente. Por mais que eles não gostassem, pois para passar a pessoa da frente ele deve parar e consentir que eu passe a minha segurança sobre a dele. O que é uma segurança? É um mosquetão e um ascensor (vulgo jumar). Dá trabalho. 

Estava superbem e forte e acompanhando o ritmo do pessoal. A noite estava maravilhosa. Como o Charles pediu. Quente (uns -20ºC ou -25°C) e sem vento. Pouco antes de chegar na metade do caminho (região conhecida como Balcony) comecei a sentir os primeiros problemas. A lanterna de cabeça comecou a dar sinais que o frio estavam desgastando as baterias. Pensei em trocar na Balcony, pois lá também trocamos o primeiro cilindro de oxigênio. 

Segundo problema: o frio começou a congelar as válvulas da máscara. Principalmente as de saída de dioxido de carbono. Com isso ela começa a sufocar. Avisei o sherpa, o Nima, e ele começou a tentar liberar as válvulas. Durou pouco tempo. 

Chegamos à Balcony em umas quatro horas e troquei o meu cilindro. Quando quis trocar as baterias da lanterna e liberar as válvulas da máscara, o Willie decidiu logo sair para sermos os primeiros na trilha. Saí no escuro e com a máscara a meia-boca. 

Depois de uns 50 metros da Balcony a máscara travou novamente. Avisei o Nima e ele começou a me esmurrar e dar tapas na máscara. Parece meio estranho, mas entendo como normal. O problema ocorreu quando num desses tapas ele acertou o meu olho e a minha lente de contato voou longe. Estávamos numa crista com uns 500m de queda para um lado e uns 3km para o outro (para a Face Leste). Fiquei "caolho". Tentei achar a lente na neve, pois sabia que só no Campo 4 estariam as sobressalentes. Olhei para cima, mal conseguia ver o resto da trilha; para baixo, um monte de luzes ofuscadas pela miopia. Quem tem sabe o que eu quero dizer...

Estava superbem, mas tive que tomar a decisão de desistir, pois não teria como enxergar o caminho. E quando amanhecesse seria pior, pois teria mais luzes e maior noção de onde estava passando. Foi com muito pesar e frustração que decidi abrir mão do meu sonho e pensar em primeiro lugar na minha segurança e nos demais que ali estavam na montanha. Entre mil tombos e escorregões conseguimos, em 2h30, voltar ao Campo 4. E, às 7h17 do dia 19 de maio fiquei sabendo que todos os demais do meu time chegaram ao Topo do Mundo. Fiquei feliz e triste por não estar com eles. 

19/05: Segundo Ataque

Obviamente dormi mal. Cheguei ao Campo 4 às 4h30 e acordei às 7h, quando fiquei sabendo da conquista do nosso time. O primeiro a chegar ao cume no dia 19. Passei a manhã pensando no erro das lentes de contato, do problema da máscara, do problema da lanterna de cabeça etc. Muitas coincidências. Poderia pedir para tentar subir com o Time Orange. Pensei, pensei, pensei... Avaliei o meu estado fisico e o do sherpa que iria comigo e tomei a decisão de nao ir com o Time Orange. Não teria a mesma força e provavelmente teria que descer no meio do caminho.

A Adele até que me convidou, mas resolvi descer com o meu time no dia seguinte até o Campo 2 e hoje até aqui. Estou chateado e feliz por ter terminado um dos maiores, senão o maior, projeto da minha vida.

Fico à disposição para um maior esclarecimento sobre esses dias. Sei que fui resumido, mas acho que coloquei os componentes principais da trama.

Abraços,

Morey”

 

Pessoal, o dispatch do Morey só reafirma o que todos nós pensamos, mesmo sem saber exatamente o que havia acontecido. Ele tomou a decisão mais correta, sensata e consciente. Certamente, se tivesse continuado, os problemas seriam enormes. Não imagino alguém subir ao cume do Everest enxergando quase nada. Eu sei porque também sou míope... De longe, só borrões.

Vou enviar um e-mail agora a ele, pedindo que ele mantenha contato sempre que possível no caminho de volta. Quem quiser algum detalhe a mais, deixe nos comentários que eu envio por e-mail pro Morey. Ele não tem condições de ver o blog de lá. Mas, com certeza, quando chegar ao Brasil, e ler todos os comentários de incentivo, vai ficar muito emocionado.

Então, quem tiver dúvidas ou perguntas, deixe nos comentários que eu vou enviando a ele, ok?

Namastê!

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Morey amanhã no Campo Base

by Patricia Paladino 20. maio 2009 15:30

   Caros,

Nenhuma grande novidade... Segundo a Jagged Globe, Morey está descendo amanhã para o Campo Base. E aí sim vamos saber o que realmente aconteceu acima do Colo Sul! Tomara que ele nos envie logo seu dispatch... Não sei quanto a vocês, mas eu estou mordendo o cotovelo de ansiedade!

Amanhã devemos ter notícias. Assim que chegar eu posto!

De resto, temos mais de 155 cumes esta temporada. Após o dispatch do Morey, farei um balanção da temporada. Alguns cumes foram sensacionais, e outros, que estão em curso agora, são muito aguardados - como o 19º cume de Apa Sherpa, o recordista em Everest. Ele está subindo neste momento. Mas fica pro balanção.

Até amanhã, e tomara, com notícias do Morey!

Namastê

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Site desenvolvido por ELIAS LUIZ   -    Servidor Dedicado BABOO   -   BlogEngine.NET 1.4.5.0

Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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