Morey de novo na Ice Fall

by Patricia Paladino 16. abril 2009 06:58

 

                                                                                                                                                                                                                                                                     Foto Alan Arnette

 

 Carlos Morey envia mais notícias do Campo Base do Everest e neste momento está fazendo sua segunda investida à Cascata de Gelo do Khumbu, rumo ao Campo 1, localizado a 5.900 metros.

“Hoje está sendo um dia descanso, pois amanhã cedo iremos fazer uma aclimatação no topo do Ice Fall, a 5900m. Iremos acordar à 1h30, tomar cafe às 2h e sair às 3h da madrugada. Estará superfrio e isso é bom para que o gelo não se movimente enquanto estivermos nele. Deverá ser um trajeto de 4 a 5 horas de subida e 3 a 4 para descida. 

 

Depois disso iremos descansar uns dois dias e iremos para o Campo 1 (5.900m). Lá iremos dormir uma noite e depois iremos durante o dia para o Campo 2 (6.400m) e voltamos para o Campo 1 para dormir. Descemos na manhã do dia seguinte.

 

Um tema interessante a se ver aqui é liderança. Temos três guias. A líder é a Adele Pennington. Mas ela só tem um Everest nas costas. Um outro guia, o Willie Benegas (argentino/americano) tem oito. Ele é o consultor técnico da expedição e participa com os demais líderes das outras 28 expedições aqui para definir os campos, cordas, caminhos, datas de ataques etc. Interessante esse ponto de liderança... Até entre nós clientes... A única mulher do grupo sempre procura uma certa evidência. 

 

Falando em celebridades, aqui está cheio. O Mr Everest, como eu fiquei sabendo ontem, Dave Hahn, tem 10 cumes do Everest. Ele está na RMI (Rainier Mountaineering Inc.) junto com o Ed Viesturs e com a Melissa Arnot, para colocar a primeira americana sem O2 no Topo do Mundo. Também tem o Russel Price e a sua luneta do documentário da Discovery (Beyond the limits)... entre outros...

 

Além dos US$ 10K que pagamos de permit para poder estar aqui, existem alguns outros serviços compartilhados que precisam ser pagos. Por exemplo: US$ 3,8K para os doutores que preparam e mantêm o caminho no Ice Fall. US$ 100 por pessoa pelo acesso ao médico no Campo Base.

 

Eu estou super bem aclimatado. Com a saúde boa e motivado para as próximas etapas... Vou passar o dia descansando e me preparando para o dia de amanhã, que não será fácil.  

Abraços,

 

Morey”   

 

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O Campo Base do Everest

by Patricia Paladino 16. abril 2009 05:36

                                                                                                                                                                                                                                                                                    Foto de Outdoors Adventure

 

Olá, membros da Expedição O Meu Everest!

Com Carlos Morey já aclimatado à altitude do Campo Base, vamos conhecer o lugar onde ele está. A idéia é ir postando fotos e informações, histórias e curiosidades a respeito dos acampamentos à medida que as expedições vão evoluindo na montanha. Assim, é como se estivéssemos "em tempo real" conhecendo cada marco do caminho. Portanto, começamos com o Campo Base - ou Acampamento Base - do Everest.

 

CAMPO BASE

Altitude: 5.400m 

O Campo Base do Everest está localizado no Glaciar do Khumbu, na base da Cascata de Gelo, a 5.400 metros de altura. Aqui, já se respira apenas 50% do oxigênio presente ao nível do mar – o que já requer aclimatação. Por isso chegar devagar e ir adaptando o organismo à altitude é tão importante. O Campo Base é um amontoado de rochas, neve e gelo, e será o lar das expedições pelas próximas cinco ou seis semanas. 

Este ano, pelas informações que tenho até o momento, estarão dividindo o espaço do Campo Base 28 expedições (entre as grandes e as menores, que não têm a infra-estrutura e o número de sherpas e guias das outras), o que vai totalizar algumas centenas de alpinistas (profissionais, guias e clientes de expedições comerciais), sherpas e pessoal de apoio morando nesta cidade lunar. 

Só para se ter uma idéia, a reportagem High Times, da edição de julho de 2007 da revista americana Outside Magazine, contou que naquele ano havia 27 expedições pelo lado nepalês, totalizando, no Campo Base, quase mil pessoas em 250 barracas! Fora os cerca de 3 mil iaques que passaram ou ficaram estacionados ali. 

Esta cidade é povoada por barracas. Barracas individuais para os alpinistas, barracas-refeitório, barracas-centro-de-comunicação, barracas-sanitários, barracas-chuveiro, barracas-cyber-café... Enfim, uma infinidade de barracas aportadas na base da Cascata, com uma visão maravilhosa de seu labirinto, do Nuptse – montanha com 7.861m, que margeia a escalada até o fim do Western Cwm –, do Pumori (linda montanha com 7.161m) e, claro, da parede Sudoeste do Everest, visível a partir do início da Cascata de Gelo.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                Foto de Michael Reinold

O terreno pedregoso do Campo Base (as barracas em primeiro plano dão uma idéia da dimensão, ainda que distorcida pela profundidade...) com a Cascata de Gelo (ao centro), a parede Sudoeste do Everest à esquerda e o Nuptse à direita

Quando as expedições chegaram ao Base, todo o acampamento já estava montado pela equipe de sherpas, que chegou semanas antes, cavou as plataformas, construiu muros de pedras e os altares onde serão realizadas as cerimônias Puja, presididas por um lama e que antecedem a primeira subida de cada expedição. 

Por estar localizado em um glaciar, é possível escutar o gelo estalando e partindo-se sob os pés – sem qualquer perigo, claro. A temperatura média é de 5°C, mas à noite, sem o sol, pode chegar a -20°, principalmente se nevar.

 

O Acampamento Base do Everest é, como o nome diz, a base que centraliza toda a logística e a dinâmica das expedições, capitaneadas pelo gerente do Campo Base – que não sobe com os alpinistas. Da barraca-escritório, municiada com tecnologia de última geração para previsão de tempo e comunicação, é ele quem passa os relatórios climáticos para os alpinistas nos acampamentos superiores, agiliza tudo o que for necessário subir para os acampamentos, providencia cuidados médicos de rotina e emergenciais e propicia o contato do time com o mundo exterior. Enfim, é quem mantém as coisas funcionando para que os alpinistas sigam em segurança.

 

 

                                                                                                                                                                                                               Fotos de Juan Lanzagorta

O Campo Base é um lugar relativamente confortável e seguro. O gerente e os sherpas se empenham em proporcionar tranqüilidade, para que os alpinistas pensem apenas no trabalho que terão pela frente. Nas grandes barracas-refeitório há sempre petiscos, chá ou alguma bebida quente, e os cozinheiros estão sempre preparando alguma comida para manter a equipe forte.

Mas não se pode esquecer nunca que este é o Everest. E que a natureza aqui é a dona do lugar. Este ano, como foi relatado por Morey e por dispatches de outras expedições, há uma grande quantidade de avalanches, que chegam bem próximas ao Base - embora não possam atingir as barracas. Os líderes das expedições sabem muito bem onde montar seus acampamentos.

                                                                                                                                                                                                                                                       Foto International Mountain Guides (IMG)

                                     Avalanche descendo da parede do Pumori e atingindo o Campo Base

Muitas histórias correm a respeito do Campo Base do Everest. Como há muitas expedições comerciais presentes na montanha (que guiam clientes que pagam até U$ 65 mil para chegar ao cume e nem sempre são alpinistas experientes nem muito comprometidos com a essência do esporte), às vezes o lugar vira cenário de belas festas. A reportagem da revista Outside relatou que, na temporada de 2007, um campeonato de pingue-pongue e outro de beisebol aconteceram no Campo Base. Instalaram uma barraca para massagens, um Cyber Café, potentes banhos com energia solar e, em uma das expedições, havia uma coleção com 60 DVDs! E que, enquanto esperam uma janela de tempo bom para subir aos acampamentos superiores, não é raro haver uma rodinha de alpinistas muito animados bebendo alegremente – e muito namoro, é claro.

 

Este comportamento festivo não é exclusividade dos clientes das expedições comerciais. O alpinista russo Anatoli Boukreev, em seu livro A escalada, conta que muitos alpinistas profissionais também caem na farra. "Você é no Everest o que você é fora do Everest", diz ele no livro. Claro que todo mundo deve relaxar, se divertir. Afinal, a escalada é, antes de tudo, uma comunhão com a montanha e com as pessoas na montanha. Mas, para Boukreev, o Campo Base do Everest virou um grande circo - e em 1996, quando escreveu o livro! A reportagem da Outside confirma que isso só aumentou.

 

Enfim, como toda cidade, o Campo Base do Everest tem todos os tipos de habitantes. Mas a maioria ainda é focada no objetivo e na essência do que é escalar o Everest: ultrapassar seu limite, romper a fronteira entre você e a maior montanha do mundo, deixar-se abraçar por seu cume e trazer de lembrança uma foto e uma prece do ponto mais alto do planeta. E o Campo Base é o porto seguro – de onde partem e para onde querem voltar os que amam esta montanha.

Vamos adiante...

Namastê!

 

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Notícias de Carlos Morey

by Patricia Paladino 15. abril 2009 05:47

                                                                                                                                                               Foto de Waldemar Niclevicz/2005

 

 O alpinista brasileiro Carlos Morey chegou ao Campo Base do Everest no dia 11 de abril. E mandou notícias.

Já estou no Campo Base do Everest há 4 dias. 

As condições climáticas têm se repetido. Pela manhã um dia lindo e à tarde comecam algumas nuvens. Às vezes neva. É normal aqui fazer uns -10C° durante a noite. Mas estamos tendo um certo conforto com barracas individuais e toaletes básicos (entenda-se como uma tampa em cima de um barril acomodados entre algumas pedras). Ah... Existe uma lona para manter a privacidade.

Banho ainda não consegui tomar. Ia ser hoje, mas começou a nevar... A situação está começando a ficar preta... Literalmente...

O Campo Base do Everest esáa localizado no final de um vale. Ao Norte está a China, a Oeste o Shangri-la (onde ninguém envelhece) e a Leste o caminho rumo ao Topo do Mundo. No blog tem uma mapa do caminho.

Esse lugar parece um anfiteatro de avalanches. De hora em hora temos uma... Mas as barracas ficam localizadas em local seguro. Seguro entenda-se como dormir em cima do gelo, pois é essa a realidade. Dormimos sobre o gelo e pedras que se formaram durante anos pelo Everest e outras montanhas da região.

Para chegar aqui saímos no dia 9 de Dingboche para Lobuche e no dia 10 de Lobuche para Gorak Chep (5.100m). Lá tivemos a oportunidade de subir um morro, o Kala Pathar, e ter ótimas vistas do Campo Base e do Everest. Estou ainda com dificuldades de passar as fotos. Espero resolvê-las hoje.

Nos primeiros dois dias aqui ainda contávamos com os trekkers, mas eles foram embora ontem. Agora só ficaram os 13 climbers. Digo: 12, pois o Chris ainda está com diarréia em Pangboche há mais de uma semana. Deve estar escrito o similar a CELITE do Nepal na traseira dele. Espero que se junte a nós rapidamente.

Ontem, com a expedição focada agora para a escalada, fizemos um treinamento para as técnicas de passar pelo Ice Fall. Um grande receio meio. Eu, como sou muito crítico, achei que não fui muito bem no treinamento.

Mas hoje, às 6h, saímos para conhecer o Ice Fall e subimos de 5.300m a 5.700m. Posso afirmar que é o caminho mais louco que já fiz. Gretas profundas sendo atravessadas por escadas deitadas, verdadeiros labirintos no gelo. Mas me senti bem. Passamos por todos os obstáculos sem riscos. Mas foi cansativo, por isso vamos descansar amanhã e, provavelmente, depois de amanhã iremos atravessar o Ice Fall até o Campo 1 (5.900m). Isso faz parte do processo de aclimatação. Existem quatro campos entre o cume e o Campo Base. 

Vou tentar resolver os problemas das fotos para vocês terem uma melhor noção do que é esse espetáculo da natureza...

Já estou usando o e-mail da Jagged Globe. Será o único meio de acesso até o final da expedição. Eu tenho todo o tempo do mundo para escrever, pois ele tarifado por tamanho. Se desejar me escrever, peço que não anexem figuras ou assinaturas que custam e não agregam. Faremos a sincronização duas vezes ao dia (09:00) e (18:00), horário do Nepal.

Abraços,

Carlos Morey”

Se quiser escrever para Morey, o e-mail dele no Campo Base do Everest é cmorey@jaggedglobe.uuplus.netSó não dá para mandar mensagens grandes ou com fotos anexas, ok?

Continuaremos acompanhando o progresso da expedição brasileira e de toda a temporada aqui no blog!

Namastê! 

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Morey já está no Campo Base

by Patricia Paladino 14. abril 2009 07:43

 

Estamos aguardando notícias diretamente de Morey lá do Campo Base do Everest, mas pelo percurso estabelecido, o time já está instalado no acampamento, fazendo o reconhecimento e preparando-se para atravessar a Cascata de Gelo. A comunicação nem sempre é facilitada em expedições ao Everest e isso atrasa um pouco o contato com nosso alpinista. Mas estamos acompanhando de perto a temporada, e sabemos que está tudo bem com os times, que os primeiros pujas já estão acontecendo (uma celebração ministrada por um lama que abençoa cada expedição antes da primeira subida) e que boa parte das expedições já está fazendo a escalada inicial de aclimatação ao Campo 1, localizado no fim da Casacata de Gelo.

Para manter todo mundo informado, vamos dar algumas notícias fresquinhas de lá:

  • Ontem a expedição do Casaquistão promoveu uma festa em comemoração aos 48 anos do primeiro vôo do russo Yuri Gararin ao espaço. Os outros times foram convidados e deve ter sido bem animado!
  • Houve um atraso na fixação de cordas na Casacata por conta de alguns obstáculos encontrados pelos Ice Doctors. Com isso, a rota de subida para o Campo 1 foi aberta somente ontem, 13 de abril. O time da First Ascent já deu seus passos pela cascata. Segundo David Hahn, da First Ascent, estavam todos ansiosos. “Estamos descansados, abençoados e prontos”, diz ele.
  • E o clima no Campo Base está mais tranqüilo do que no ano passado, quando houve um recorde de expedições e de cumes. Segundo Phil Crampton, da Altitude Junkies, "ao contrário do que esperava, há menos expedições este ano. Parecia que teríamos um novo engarrafamento de alpinistas, mas temos a impressão que muitas expedições cancelaram seus planos na última hora". Isso é um bom sinal para Morey, no fim das contas, uma vez que não é nada agradável (nem seguro) 100 alpinistas subindo juntos no dia do ataque ao cume.

Bem, é isso. Estou praticamente dormindo em cima do teclado do computador à espera de notícias de Morey! Assim que elas chegarem, eu posto aqui!

Namastê!

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Notícias das expedições

by Patricia Paladino 14. abril 2009 06:46

 

                                                                                                                                                                                            Foto by First Ascent

Puja no acampamento da expedição First Ascent, da qual fazem parte três grandes nomes do alpinismo: Ed Viesturs, Dave Hahn e Peter Whittaker. Ao fundo, a Cascata de Gelo do Khumbu em toda sua imponência!

 

Enquanto aguardamos notícias de Carlos Morey direto do Campo Base do Everest, vamos dar uma passeada pelas principais expedições que estão na montanha este ano. Há grandes alpinistas voltando ao Everest, recordes querendo ser quebrados e três documentários (!) sendo rodados no lado Sul.

O lendário alpinista americano Ed Viesturs, que tenta seu sétimo cume do Everest. Viesturs - que já completou o circuito das 14 montanhas com mais de 8 mil metros, todas elas sem oxigênio suplementar e é considerado o melhor alpinista do mundo em atividade - quebrou sua promessa e voltou ao Everest este ano. É um dos guias da expedição da First Ascent, uma das que rodam um documentário na montanha e da qual fazem parte Dave Hahn (seis vezes no cume do Everest) e Peter Whittaker, que é sobrinho do primeiro americano a tocar o topo do mundo (Jim Whittaker) e filho de Lou Whittaker, também alpinista. Carlos Morey relatou que, durante sua aproximação ao Campo Base, encontrou Viesturs no caminho.

Os outros filmes a serem rodados são da expedição da IMG, liderada pelo veterano do Everest Eric Simonson, e da Himalayan Experience (Himex), liderada por Russel Brice, que se tornou conhecida pela série O preço da escalada, do Discovery Channel. As duas primeiras temporadas foram filmadas no Colo Norte, pelo lado tibetano, mas este ano, por conta de intempéries que não têm nada a ver com escalada, eles decidiram filmar no Nepal. Há, inclusive, uma expedição Discovery Channel que irá se dividir e filmar os dois documentários.

Outro destaque este ano é a presença (ilustre) de um mestre do Everest. O sherpa Apa Sherpa, recordista absoluto de cumes na montanha (tem 18 e tentará o 19°) é o líder alpinista da expedição da Asian Trekking. Mais adiante farei um post contando a história deste grande escalador. Sua expedição está reeditando a Eco Everest realizada no ano passado, que consiste em "limpar" a montanha do lixo deixado pelas expedições. Isso é uma pequena amostra de quem é esse sujeito...

Há ainda um time formado só por mulheres: as seis alpinistas da Singapore Women's Team. Temos guias já bastante conhecidos por quem curte alpinismo, como Willie Benegas (que integra a expedição de Morey), Vern Tejas e Lakpa Rita Sherpa (ambos pela expedição Alpine Ascents International) e Phil Crampton (pela Altitude Junkies), por exemplo. Temos expedições comerciais que já têm história guiando clientes-alpinistas com capacidade duvidosa em grandes altitudes (um assunto polêmico que rende um post só para ele...), como a própria IMG, a Adventure Consultants, a Mountain Madness, a Himex, a Alpine Ascents, entre as mais conhecidas.

E, claro, temos aqueles integrantes de grandes expedições que escalam em nome de uma causa, os que querem quebrar recordes (como a personal trainer Nancy Norris, de 65 anos, que quer ser a mulher mais velha a chegar ao topo). Essas coisas sempre acontecem no Everest. O mais velho, o mais novo, já houve quem escalasse sem os dois braços, sendo cego... enfim, todos em busca de sua fama particular.

Mas não é disso que trata a escalada do Everest - nem nosso blog. Estaremos focados nos verdadeiros alpinistas, os que têm o objetivo do esporte nas veias, e na ascensão deles na montanha. Aguardamos notícias de nosso representante neste time para manter todo mundo informado.

Namastê!

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Morey a um dia do Campo Base

by Patricia Paladino 10. abril 2009 20:12

 

 Pelo cronograma da Jagged Globe (a expedição internacional que Carlos Morey integra), o time parte hoje, sábado, de Gorak Shep em direção ao Campo Base do Everest. Contando que a diferença de fuso horário é de 8 horas e 45 minutos (para mais), a essa altura ele já deve estar a caminho. Chegando ao Base, Morey vai nos abastecer de mais informações. Por enquanto, vamos dando uma olhada no visual que nosso alpinista deve estar tendo neste exato momento:

 

A grandiosidade do Himalaia é de tirar o fôlego! Aqui nós vemos a pequena vila de Gorak Shep (na verdade umas poucas casas), ao pé do Kala Pattar, a montanha sem vegetação ou neve, com 5.550 metros. Morey e a equipe subirão o Kala Pattar para auxiliar a aclimatação nesta etapa da expedição. De seu cume avista-se todo o Campo Base do Everest. A montanha mais alta, à esquerda, é a linda Pumo Ri, com 7.161 metros de altitude.

Vamos aguardar a chegada de Morey, a qualquer momento, ao Campo Base do Everest.

Namastê!

 

UPDATE:

Uma ótima notícia para os alpinistas que terão de enfrentar, pelo menos, oito vezes a Cascata de Gelo: este ano, pela primeira vez, os sete Ice Doctors abriram duas rotas - uma para a subida e outra para a descida dos alpinistas. Desta forma, o tráfego na Cascata deve ser minimizado, assim como o tempo de permanência no labirinto. O que garante maior segurança na travessia.

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Os perigos da escalada

by Patricia Paladino 9. abril 2009 12:19

O Everest é a montanha mais alta do mundo. Mas não a mais difícil, tecnicamente, de ser escalada. A vice-campeã em altura, o K2, com 8.611m, requer muito mais da habilidade técnica do alpinista – por isso, no K2 não há expedições comerciais, com clientes muitas vezes inexperientes mas que contratam guias para levá-los até lá.

Mas o Everest não é uma montanha para qualquer um. Quem a escala de forma consciente – como nosso Carlos Morey – se prepara técnica, física e psicologicamente para isso. A razão? Além de ter uma boa técnica de escalada, estes alpinistas estão cientes das condições naturais extremas (e muitas vezes imprevisíveis) que irão enfrentar.

E quais são os maiores problemas ao escalar o Everest? Todas elas decorrem de seu gigantismo. 

A força da natureza:

A natureza, no Everest, é hostil – um ambiente extremo, onde as temperaturas no cume são, em média de -36°. Mas a sensação térmica podem diminuir muito (até -60°, -70°), de acordo com o vento. Correntes de ar permanecem em sua pirâmide com a força de um furacão durante quase o ano todo – por isso, pode reparar, há sempre um feixe sobre o cume, como um véu etéreo voando incessantemente.

O feixe de vento que se torna uma tempestade

Nos meses da primavera (abril e maio), essas correntes abrandam um pouco e por isso esta é a alta temporada de escaladas na montanha. Após esta estação, as monções tornam o Everest "inescalável".

Mudanças repentinas nas condições climáticas também são constantes - e muito perigosas. Ventos e tempestades podem acontecer mesmo que o dia amanheça sem uma nuvem no céu. O resultado é a chamada White Storm, onde a visibilidade do alpinista cai, literalmente, a zero. O frio extremo pode causar hipotermia, ulcerações e congelamentos, pela preocupação do corpo em “aquecer” os órgãos vitais – o que deixa as extremidades (pés, mãos e também o nariz) com pouco fluxo se sangue.

                                                                                       Foto de Ed Viesturs para National Georgraphic

A White storm envolve os alpinistas e diminui a visibilidade de forma brusca, podendo torná-la nula

Já falamos algumas vezes da Geleira do Khumbu. O deslocamento constante da Cascata de Gelo faz com que fendas profundas se abram na neve, séracs desmoronem o ocorram avalanches. Esta é uma parte da montanha especialmente suscetível a elas.  

                                                                                    Foto de Scott Kanter para IMG

 

Avalanche descendo da parede Sudoeste do Everest em direção à Cascata de Gelo

A fragilidade do corpo humano diante do Everest:

 

O corpo humano, definitivamente, não foi feito para sobreviver a uma altitude de 8.848 metros. 

 

Ultrapassando a barreira dos 8 mil metros está o que se costumou chamar de Zona da Morte – entrar ali significa respirar apenas 1/3 do oxigênio que temos ao nível do mar. Simplesmente não há oxigênio suficiente. Este é o grande desafio de todo alpinista que quer chegar ao cume desta montanha. Não há aclimatação perfeita que supra a incapacidade natural de adaptação – a não ser para uns poucos superhomens que sobem a montanha sem garrafas de oxigênio. O corpo humano não sobrevive por muito tempo a esta altitude. 

 

É só lembrar dos jogadores de futebol que têm de jogar em La Paz, por exemplo, que sofrem de dores de cabeça, enjôos, vômitos, insônia, tontura, enfim, dos males provocados por uma altitude de cerca de 3 mil metros. Imagine que só o Campo Base do Everest já está mais de 2 mil metros acima disso!

 

À medida que sobem a montanha, o problema aumenta. É claro que alpinistas sérios, e expedições profissionais e experimentadas, sabem como driblar o problema o máximo possível – e por isso fazem diversas subidas e descidas a partir do Campo Base, em direção aos acampamentos superiores, antes de realmente tentarem o assalto ao cume.

 

Mas o corpo reage de forma imprevisível. Já houve quem se aclimatasse muito bem em uma expedição e em outra sentiu os efeitos da altitude. Porque, quando o oxigênio é limitado, o organismo compensa aumentando o fluxo de sangue para o cérebro – e, em altitudes muito elevadas, isso pode ocasionar o HACE (a sigla em inglês para Edema Cerebral de Grandes Altitudes), um inchaço cerebral que pode fazer com que os vasos sangüíneos se rompam. Outro fator potencialmente fatal é o HAPE (ou Edema Pulmonar de Grandes Altitudes), que acontece quando o pulmão acumula fluidos. Para ambos os casos, descer o máximo e o mais rápido possível é a melhor e emergencial medida. Quando isso não é viável, há medicamentos que amenizam o problema e a chamada Bolsa Gamow, que é uma câmera de alta pressão que aumenta o envio de oxigênio, simulando uma altitude menor. Isso até que o alpinista possa realmente descer a uma altitude segura.

 

Bem, isso é aterrador, mas os bons alpinistas sabem como evitar estes males da altitude. O processo de subida é minuciosamente estudado e os sinais de uma aclimatação ruim são sentidos antes que qualquer coisa mais grave ocorra.

 

Um bom alpinista conhece o risco, mas conhece ainda mais seu corpo e sua capacidade. E não titubeia em dar meia volta caso perceba algo de anormal.  

 

 

Namastê!

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Sobre nossa expedição

by Patricia Paladino 9. abril 2009 11:56

Olá, alpinistas virtuais!

A intenção de nosso blog é, durante a temporada 2009, acompanhar passo a passo o caminho do alpinista brasileiro Carlos Morey ao topo do mundo. 

 

Mas também – até porque a Expedição O Meu Everest continuará, mesmo após o fim da temporada real do Everest – é trazer informações, notícias, novidades e curiosidades a respeito desta montanha, de sua história, da região onde está localizada, do povo que habita as encostas e a história dos grandes alpinistas que já chegaram ao seu cume.

 

Portanto, durante a temporada, vamos entremear as notícias da expedição em que está Carlos Morey com as notícias da temporada - até porque, durante os próximos dois meses, muita coisa vai acontecer no Everest, e estarei bisbilhotando tudo para postar aqui (este ano há expedições curiosas, alpinistas renomados de volta à montanha e dois documentários serão rodados lá). Também não vamos esquecer de nossos outros assuntos, mais genéricos. 

 

 

Já temos o selinho de nossa bandeira

para os posts que acompanham a expedição de Carlos Morey.

Para os posts que vão acompanhar as notícias da temporada e das outras expedições, criei o selo com a bandeira do Nepal.

E quando os posts forem sobre assuntos genéricos da montanha, não teremos selo, ok? 

Assim dividimos bem os três propósitos de nosso blog!  

Muitos de nossos membros já deixaram comentários muito bacanas sobre os posts do blog. Cito, em especial, Marcio Campos, Mariana Guzzo, Eduardo, Rigo, André Monteiro, Denis Andrade, Sizenando Aguiar e Lucival Amorim – que embarcaram conosco de coração e alma nessa expedição!  

Convido a todos os que acompanham os passos de Morey a darem uma espiadinha nos outros posts. Eles complementam o entendimento do que está acontecendo agora com nosso alpinista no Everest e trazem fatos sobre a montanha, que vão interessar a quem gosta de montanhismo. Dêem uma olhada em nosso arquivo de março, onde há a primeira parte de uma bibliografia básica para aumentar ainda mais o interesse!  

Quem quiser pode deixar comentários, avaliar o post, enviar críticas e sugestões do que gostaria de ver aqui. A viagem só faz sentido se os viajantes curtirem o caminho! 

Namastê!

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Update: mais notícias de Morey

by Patricia Paladino 8. abril 2009 07:20

 

 

 Carlos Morey parte hoje para Lobuche, penúltima parada antes do Campo Base. Atendendo ao pedido de Mariana Guzzo, um de nossos membros da Expedição O Meu Everest, posto novamente o mapa com as vilas que Morey está percorrendo, para que todo mundo tenha idéia do ponto em que ele está - e o que ainda está por vir:

O caminho foi longo, mas a expedição já está quase lá. Hoje eles estão partindo para Lobuche, e passarão por Periche, que é onde está localizado um posto médico para emergências na montanha. Este posto recebe especialistas em males de altitude e são de grande valia nos primeiros socorros caso algo (toc, toc, toc) aconteça. Logo após está Gorak Shep, um ponto de reflexão para os alpinistas, já que ali estão os chortens, que são os túmulos de quem pereceu na montanha. E mais adiante, o Kala Pattar, um monte de 5.545m de onde se tem uma vista geral e maravilhosa do Campo Base.

Bem, vamos ao dispatch do Morey:

“Estamos ainda em Dingboche (4.300m). Ontem fizemos uma nova aclimatação a 5 mil metros em Chukung. O tempo tem esfriado nos últimos dias. Anteontem nevou por horas. Vocês podem ver pelas fotos.

No lodge (pousada) que estamos (Everest Resort, sic) as condições higiênicas são precárias. O Chris, um dos mais fortes do time, se contaminou. Passou boa parte desses dias na cama. Todo o dia é importante para se cuidar (alimentação, higiene, protetor solar, labial etc).

Amanhã iremos para Lobuche (4.900m). E no dia seguinte para Gorak Shep e no seguinte para o Campo Base, via Kala Pattar. Estamos chegando lá...

O nosso time de apoio é formado por três guias (Thomaz, esloveno; Adele, escocesa; e chegou ontem o Willy Benegas, argentino). Além deles temos os sherpas Nima (siddar) e nos acompanham por enquanto o Purba e o Dawa. Fazem de tudo para nos apoiar.

Estou me virando bem com as botas e por enquanto o único problema que temos é que os nossos equipamentos principais de escalada ainda estão em Kathmandu. O mau tempo tem impedido o vôo do helicóptero para Namche Bazaar. De lá virão até o base nos lombos dos yaks e dos sherpas.

Abraços,

Morey”

 

O alpinista nos enviou três belas fotos da caminhada de aproximação:

 

 

 

Vejam como a paisagem vai se modificando à medida que eles vão subindo. Na última foto a neve começa a surgir, a vegetação já sumiu e o frio aumenta! Eles estão chegando ao Everest!

 

No e-mail Morey fala dos yaks (ou iaques, como chamaremos daqui para a frente). São os "bois tibetanos", dotados de grande força, uma pelagem pesada que os protege do frio e que carregam a carga mais pesada das expedições - ainda há os sherpas carregadores, que auxiliam o transporte do equipamento necessário para os quase dois meses na montanha.

Um lindo iaque posando para a foto!

Morey também se referiu a Nima, o siddar da expedição. Isso significa que Nima é o chefe da equipe de sherpas alpinistas, e estará no comando deles quando a escalada começar.

Bem, por hoje é isso. Mais novidades logo, logo!

Namastê!

 

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Icefall Doctors já em ação!

by Patricia Paladino 8. abril 2009 06:44

 Enquanto as expedições estão em caminhada rumo ao Acampamento Base do Everest, os Icefall Doctors já estão em ação desde o início da semana. Icefall Doctors são como as equipes chamam os sherpas alpinistas que ficam encarregados de "descobrir" a melhor rota de escalada na temida Cascata de Gelo, a primeira etapa da subida a partir do Base. Eles são chamados assim porque, como a geleira está em constante movimento, eles devem "diagnosticar" qual o caminho mais seguro (ou o menos inseguro...) para as expedições subirem a cada ano.

É incrível a capacidade dos sherpas nas expedições ao Everest. Quando os times estiverem todos no Base, farei um post falando sobre este povo. Uma coisa já posso adiantar: sem os sherpas, as escaladas ao Everest não teriam sido tão bem-sucedidas.

Bem, os Icefalls Doctors são de apenas uma expedição - que recebe de todas as outras para que seus sherpas façam este trabalho. Isso já foi contestado anteriormente, mas, no fim das contas, eles abrem caminho para todas. Nada mais justo que recebam para isso. O trabalho consiste no diagnóstico da melhor rota pelo labirinto que é a Cascata, a fixação de cordas em todo o percurso e a instalação de escadas de alumínio horizonal e verticalmente. Na horizontal, as escadas servem como pontes para atravessar as inúmeras e profundas gretas (rachaduras entre os blocos de neve da Cascata). O fundo de algumas gretas não consegue nem ser avistado, tal sua profundidade. E as escadas verticais são utilizadas pelos alpinistas para transpor os enormes séracs, que são blocos de gelo enormes, alguns com dezenas de metros de altura. Em ambos os casos, muitas vezes são utilizadas várias escadas emendadas. Atravessar ou subir estas escadas, ao mesmo tempo em que se tornou uma enorme comodidade, também não é um trabalho simples de ser feito, se você imaginar que os alpinistas fazem isso com as botas de escalada, em cuja sola são adicionados os grampões.

Para vocês terem uma idéia do que é o trabalho dos sherpas, os doutores da Cascata de Gelo:

       

Na foto à esquerda, note os grampos nas paredes de gelo, a corda fixa para servir de "corrimão" e duas escadas de alumínio emendadas. E o que é a travessia de uma greta, à direita

                     

À esquerda, um "mix" das escadas em posição horizontal e inclinada, para subir o sérac atravessando uma greta. E notem o tamanho do sérac, na foto à direita: pelo que consegui contar, são cinco escadas de alumínio unidas, todas ancoradas, mas obviamente bem instáveis quando se está pisando com grampões em seus degraus...

 

 

Quando as expedições fizerem a primeira travessia da Cascata de Gelo Khumbu, tudo estará pronto. Serão em média oito travessias nesta perigosa via de duas mãos.

 

 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             Foto: Discovery Channel Team 2009

Ang Nima, chefe dos Ice Doctors deste ano

Namastê!

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Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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