Morey já está em Kathmandu!

by Patricia Paladino 31. março 2009 07:03

Antes do embarque, Carlos Morey nos enviou esta foto. O objetivo é um só: comprarar seu peso ANTES e DEPOIS da escalada. Alguns alpinistas chegam a perder 10 quilos após este esforço sobrehumano!

 

O alpinista brasileiro chegou dia 29 de março à capital do Nepal, Kathmandu. Ele vai nos munir de informações até quando for possível. No Acampamento Base ele terá acesso a um “Cyber Café”, onde há computadores e tal. Mas mesmo quando ele estiver subindo, vamos manter as informações quentinhas...

 

Bem, ele chegou a Kathmandu e já enfrentou problemas. É melhor ele mesmo falar...

“Patricia,

Primeira oportunidade de compartilhar as novidades da expedicão... A viagem até Kathmandu foi tranqüila até chegar aqui ontem, 29 de março. Os vôos saíram no horário, as conexões funcionaram, mas, apesar de cansativo, tudo ia bem. 

 

A surpresa aconteceu quando fui retirar a bagagem que despachei do Brasil. Ela não chegou. E tinha uns 70% dos equipamentos. Ontem foi um dia difícil por causa disso. E porque a Qatar Airways não atendia às ligações. Sem essa bgagem, a viagem não seguiria para mim. 

 

Felizmente, hoje, as coisas mudaram. Após o cafe da manhã, fui informado que a mala estava no aeroporto. Fui para lá e, apesar de estar jogada num canto, ela estava inteira.

 

Depois do alívio, fomos ao centro de Kathmandu (Thamel) comprar alguns itens que não trouxe, como pilhas e soro para as lentes. O trânsito em Kathmandu está pior do que há 12 anos atrás. Tem mais carros e motos... E eles dirigem muito mal.

 

Depois das compras, voltamos pra o hotel para dividir os equipamentos em três volumes. O que vai direto para o Campo Base, o que iremos despachar diariamente e o que carregamos durante o dia (máquina fotográfica, água, agasalhos leves etc).

 

Amanhã cedo já voamos para Lukla e comecamos a caminhar... 

 

A diferença de fuso para o Brasil é de 8:45. Acho que hoje ou amanhã eu já me acerto com jet leg. Pois essa a noite passada foi muito ruim. Sobretudo por causa da possível perda da bagagem.

 

Ontem tivemos a cerimônia do Puja. E uma cerimônia para desejar boa sorte para todos na viagem.

 

A Jagged Globe está com dois times nessa viagem. Uma que vai apenas ao Campo Base (trekking), com oito pessoas, e uma outra com os que vão tentar escalar o Everest pelo Colo Sul. Nesse grupo, no qual me incluo, há 13 pessoas. Grupo grande... Teremos três guias estrangeiros por causa disso (uma escocesa, um inglês e um esloveno).

 

Depois dou mais informações sobre o time...

 

Até breve...

 

Morey”

 

 

 

Que bacana, hein? A viagem começou mesmo. Pelos meus cálculos, hoje, 31 de março, Morey e a expedição já devem estar chegando a Namche Bazaar, que é o maior vilarejo do caminho ao Everest e está localizada a 3.440m. Lá os times descansam dois dias, já que o progresso é lento para ajudar na aclimatação. Até o Campo Base são, em média, 10 dias. Assim, o corpo vai se adaptando à subida e ao ar rarefeito.

Namche Bazaar é um barato! Um lugar encravado em montanhas, construído – como a maioria das vilas sherpas – em degraus elevados e com uma vida noturna agitadíssima! É ali que se reúnem as expedições, onde pessoas de todas as partes do mundo trocam experiências. Aos sábados há um grande mercado a céu aberto, onde são vendidos todo o tipo de alimentos e de necessidades básicas para o povo da montanha. Então todos os sherpas dos vilarejos vizinhos rumam para lá para fazer compras! Abaixo estão algumas fotos do meu arquivo - infelizmente, eu não tenho o crédito, já que foram fotos baixadas da Internet.

 

Este é o mapa do caminho até o Campo Base, com a localização e altitude dos vilarejos (em vermelho) e as principais montanhas avistadas (em verde). 

 

 

      

Lukla é a porta de entrada, com seu pequeno aeroporto (temido aeroporto!) e as boas-vindas do povo sherpa

Uma rua de Lukla

 

E esta é Namche Bazaar:

Aqui já dá para ter uma noção da imensidão da Cordilheira do Himalaia...

 

Uma rua de Namche: dizem (não sei se é verdade) que o presidente americano Jimmy Carter esteve em Namche há poucos anos e ficou hospedado neste Thawa Lodge...

 

 

... o mercado dos sábados...

 

... e curiosidades: em 2002 (agora ele já foi reformado) o Cyber Café, o Cafe Daphne e uma (!) Pizza Hut (fake, claro...) ...

 

... e as placas avisando que há comida mexicana e italiana, happy hour, bingo, pipoca e amendoim grátis e banho quente!

 

Namche é isso. Uma mistura genial de costumes, hábitos e culturas. Ao final, na porta de saída do vilarejo, o toque que dá a dimensão do povo sherpa, que habita estas montanhas há séculos e são os verdadeiros guardiães do Everest e de sua natureza:

 

Nunca diga adeus ao Khumbu.

E nós continuamos!

Namastê!

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O time está se formando...

by Patricia Paladino 31. março 2009 06:58

Olá, alpinistas virtuais!

Nossa equipe de expedição já está se formando! Temos mais três membros no time: Marcio Campos, Mariana Guzzo e Sizenando Aguiar. Obrigada pelos comentários, vamos em frente porque é só o começo! A caminhada é longa e a montanha, alta! Marcio, aguarde: tô guardando uma surpresa sobre Mallory! Você vai gostar, tenho certeza!

Bem, este pequeno post é apenas para agradecer aos primeiros membros de nossa expedição. Que venham muitos outros, para formarmos um grande time. A idéia é essa mesmo: trocar informações sobre a montanha e tudo o que diz respeito a ela.  E acompanhar nosso alpinista, que já chegou a Kathmandu. Veja no post aí em cima!

Namastê!

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Conheça a rota do Colo Sul

by Patricia Paladino 27. março 2009 08:38

Desde que foi desbravado pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo sherpa Tenzing Norgay, em 1953, o Everest já abrigou mais de 2 mil pessoas em seu cume. Mas não é fácil chegar até lá. Além do enorme desafio físico e mental, a natureza não perdoa: no alto da montanha, pode-se ter uma sensação térmica (ampliada pelo vento) de até 70° abaixo de zero. Ventos fortes que podem chegar a 100 km/h também passam pelo caminho das expedições. E o ar rarefeito – o maior de todos os desafios em um gigante como o Everest – faz com que a máquina do corpo comece a falhar lentamente. 

Com apenas 1/3 do oxigênio presente ao nível do mar para respirar, mesmo com máscaras de oxigênio artificial a situação continua crítica - embora o uso da máscara "diminua" a sensação de altitude para menos 2 mil metros aproximadamente. Mas, convenhamos, a mais de 8 mil metros de altura quer dizer pouca coisa se o organismo não estiver bem aclimatado. Portanto, mesmo os que sobem com oxigênio artificial são super-homens que conseguem domar o pouco oxigênio que chega ao cérebro (que ocasiona desde apenas uma confusão mental até problemas sérios como edemas cerebrais que podem levar à morte) e aos pulmões (também atingidos por males sérios, como edemas).

Enfim, mais de 2 mil pessoas conseguiram chegar lá. Veja o que eles tiveram que passar pra tocar o Topo do Mundo: a seguir estão todos os acampamentos da rota nepalesa, pelo Colo Sul, com sua altitude (que varia em alguns metros de expedição para expedição, de acordo com o local onde são montadas as barracas. Por isso assinalo "a cerca de". Mas a altitude muda muito pouco), sua localização e o tempo médio de escalada entre um acampamento e outro. Esta rota foi a utilizada por Hillary e Norgay e é por onde o brasileiro Carlos Morey vai seguir (as fotos foram retiradas do site do alpinista Alan Arnette, e marcam a localização dos acampamentos de sua expedição):

 

CAMPO BASE DO EVEREST (CB)

Altitude: 5.400m

Este será o lar dos alpinistas pelos próximos dois meses. Uma verdadeira cidade de barracas, que une dezenas de expedições e centenas de pessoas, entre alpinistas, guias e clientes, sherpas carregadores, sherpas alpinistas, além do pessoal que fica no Campo Base, como os gerentes da expedição, os cozinheiros e pessoal de apoio.

 

É daqui que as expedições fazem suas subidas de aclimatação e para onde voltam após o final do processo, para descansar e se preparar para o ataque final. Já aqui há 50% menos oxigênio do que temos ao nível do mar. 

 

Logo no início está localizado o primeiro grande desafio da escalada: a Khumbu Icefall (Cascata de Gelo do Khumbu), um labirinto com um desnível de 700 metros de altura formado por imensas gretas (fendas no chão que podem chegar a centenas de metros de profundidade) e enormes séracs (torres de gelo que podem atingem o tamanho de um prédio de 10 andares). 

 

Antes de a primeira expedição subir, os sherpas de uma delas (que recebem das outras para isso) vão na frente abrindo o caminho, fincando os grampos, colocando as escadas de alumínio que servirão de “pontes” entre as gigantescas fendas e de auxílio para subir os séracs que encontram-se no caminho da rota.

 

A cascata está em constante movimento. Portanto, a qualquer momento uma das torres de gelo pode desabar ou as fendas alargarem-se. Isso faz com que a Icefall seja o maior dos pesadelos, mesmo para o mais experiente alpinista.

 

 

 

CAMPO 1 (C1)

Altitude: a cerca de 6.100m

Localização: Western Cwm (Vale do Silêncio)

Tempo de escalada (CB-C1): entre 4 e 6 horas

 

 

Esta é a Cascata de Gelo, um labirinto de 700 m de altura. O Campo 1 está localizado logo após seu topo.

O Campo 1 está localizado na entrada do Vale do Silêncio, ou Western Cwm, e logo após o topo da Icefall. O nome deve-se à falta de vento, o que, se ninguém disser uma palavra, provoca um profundo silêncio. Margeado pela enorme parede do Nuptse, à direita, e pela Face Sudeste do Everest, à esquerda, o calor é intenso. 

Normalmente, de início os alpinistas chegam aqui e voltam para o Base – seguindo sempre a máxima de aclimatação: suba mais e durma abaixo. Apenas após a aclimatação a esta altitude eles voltam e pernoitam.

 

CAMPO 2 (C2)

Altitude: a cerca de 6.400m

 

Localização: Western Cwm (Vale do Silêncio)

 

Tempo de escalada (C1-C2): entre 2 e 3 horas

 

O Campo 1 é o que está mais distante, na foto. O segundo triângulo marca o Campo 2 e a linha azul mostra o caminho a ser percorrido entre o 2 e o Campo 3.

O Campo 2 também é chamado de Campo Base Avançado, já que possui um pouco mais de infra-estrutura que os acampamentos superiores, e é para ondem descem os alpinistas caso algo de mais sério aconteça, até que possam descer ao Campo Base. É montado aos pés da parede Sudeste do Everest e para chegar até ele a expedição deve atravessar uma grande parte do Vale do Silêncio – que não traz muitos desafios técnicos. Mas o calor, às vezes insuportável devido à falta do vento, é o maior desafio desta parte da caminhada.

 

 

 

 

CAMPO 3 (C3)

 

Altitude: a cerca de 7.200m

 

Localização: Face do Lhotse

 

Tempo de escalada (C2-C3): entre 3 e 6 horas

 

 

À esquerda, o Campo 2 e o caminho rumo ao 3, localizado no inclinado paredão do Lhotse

O Campo 3 está localizado na inclinada parede do Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo, com 8.516 metros, e vizinha ao Everest. Para chegar ao acampamento, a equipe deve subir um paredão de neve e gelo com uma inclinação que chega a 80 graus em alguns trechos. É uma subida perigosa devido à inclinação, o que faz com que todos subam em fila indiana, amarrados à corda fixa, previamente instalada pelos sherpas.

Este acampamento já serviu de palco para vários acidentes, por sua inclinação. Há casos de alpinistas que saem das barracas sem os grampões nas botas e qualquer escorregão significa despencar pela Face, o que na maioria das vezes é fatal. No Campo 3, os alpinistas que vão subir utilizando garrafas de oxigênio já sentem necessidade de usá-las, pelo menos para dormir. 

 

Aqui é que se define, de forma prática, quais são os membros da expedição que estão em plenas condições físicas e psicológicas para fazer o cume. Os que estão aptos, seguem para o Campo 4.

 

 

CAMPO 4  (C4)

 

Altitude: 8.016m

 

Localização: Colo Sul

 

Tempo de escalada (C3-C4):

até a Yellow Band: cerca de 3 horas

da Yellow Band ao Geneva Spur: cerca de 2 horas

do Geneva Spur ao Colo Sul (C4): 1 hora ou menos

 

Tempo total (C3-C4): cerca de 6 horas

 

Rota acima do Campo 3, mostrando a Yellow Band (ou Franja Amarela) e o Geneva Spur

A subida do Campo 3 ao Campo 4, localizado no Colo Sul, tem dois obstáculos: as paredes da Yellow Band (Franja Amarela) e do Geneva Spur, que são trechos de escalada de rocha, sem neve, devido aos ventos. Nesta parte da subida, os alpinistas já fazem uso do oxigênio artificial – há os que escalam o Everest sem o uso de oxigênio, só com o (escasso) ar de seus pulmões. Mas são uma minoria e em geral têm grande experiência anterior nos gigantes Oitomil. 

 

O Campo 4 é o último acampamento antes do cume. É apenas um “ponto de passagem”, já que está localizado na chamada Zona da Morte – um local para o qual o corpo humano decididamente não foi projetado para sobreviver e literalmente definha e começa a entrar em colapso. Por isso, os alpinistas chegam ao Campo 4 no dia do ataque ao cume, descansam à tarde, comem alguma coisa (os poucos que conseguem, na verdade) e hidratam-se com água, bebidas revigorantes e chá quente.

 

O Campo 4 é também o porto seguro da volta. Após a descida, exaustos, os membros que fizeram o ataque ao cume dormem uma noite e partem rapidamente para os acampamentos mais baixos assim que estiverem restabelecidos do esforço.

 

 

 

 

CUME DO EVEREST

Altitude: 8.848m

 

Tempo de escalada (C4-CUME):

C4-Plataforma Balcony: entre 4 e 5 horas

Plataforma Balcony-Cume Sul (ou “falso cume”, a 8.690m): entre 1 e 2 horas

Cume Sul ao Escalão Hillary: cerca de 1 hora

Escalão Hillary ao Cume do Everest (8.848m): cerca de 1 hora

 

Tempo total (C4-CUME): cerca de 10 horas

 

A foto mostra o caminho do Colo Sul ao cume, e aponta dois dos marcos do caminho: a Balcony e o Cume Sul (South Summit). Mostra ainda o ponto de onde Alan Arnette voltou em uma de suas três tentativas de chegar ao topo

Do Campo 4 começa realmente a escalada. O time parte por volta da meia-noite e escala no escuro (apenas com a lanterna de cabeça iluminando pouco mais de um metro à frente) e em total silêncio. A alpinista Aracelli Segarra, primeira espanhola a alcançar o cume do Everest, em 1996, deu uma descrição perfeita para este momento: ela disse algo como “ali, no escuro, apenas com um pequeno feixe de luz e o silêncio absoluto cortado apenas pelo som de minha respiração sob a máscara de oxigênio, a impressão que tive é que estava escalando na Lua!”. 

Ao amanhecer os alpinistas chegam à Plataforma Balcony, local onde as expedições marcam de se encontrar, já que até ali (até pelo tráfego intenso nos dias de subida na alta temporada), as expedições se misturam, devido ao ritmo individual de cada um. Se os alpinistas tiverem fôlego para bater um papo, a Balcony pode ser considerada o ponto de encontro mais alto do mundo!

Dali eles partem para o Cume Sul, um “falso cume” de onde se avista a Aresta Sudeste, um obstáculo bem cavernoso: são 120 metros de travessia em uma trilha estreita, com ventos fortes e abismos de milhares de metros dos dois lados! Mas a segurança é total, já que há cordas fixas durante todo o trajeto, onde os alpinistas se amarram de forma segura. 

O próximo obstáculo não poderia estar em pior lugar. O Escalão Hillary, também chamado de Degrau Hillary, é um paredão vertical de 12 metros de altura de neve e rocha, por onde só pode subir um alpinista por vez. Este trânsito já acarretou tragédias na montanha, como na pior temporada do Everest (em 1996), onde, por conta deste engarrafamento e da hora avançada com que a maioria chegou ao topo, houve uma confusão enorme entre os que desciam, já debilitados, e os que ainda temiam em subir. Enfim, este é assunto para um outro post...

Voltando à escalada: após chegar ao topo do Escalão, o cume do Everest está a menos de 100 metros. Mas é justamente deste ponto que muitos retornam. Seja pelo cansaço, pela debilidade psicológica, pelo avançado da hora (o que faz com que a chegada ao topo e a volta ao Campo 4 não sejam seguros).

Os que avançam chegam a um ponto tocado por apenas 2 mil homens e mulheres: o Topo do Mundo! 

 

ROTA DE DESCIDA:

CUME-C4: entre 6 e 7 horas

C4-C2: cerca de 3 horas

C2-CB: cerca de 4 horas

Este tempo de descida é apenas para mostrar a média de tempo entre os acampamentos na descendente, uma vez que o retorno não é feito de uma vez só. E variam de acordo com o líder de cada expedição, o estado físico e psicológico de cada alpinista e as intempéries naturais.

 

ROTA COMPLETA:

Bem, este é o caminho que nosso alpinista brasileiro vai seguir. E nós também.

Namastê!

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Começa nossa expedição!

by Patricia Paladino 27. março 2009 08:23

Foto: Wade Gupta

Olá, alpinistas virtuais!

 

As expedições seguem mais ou menos o mesmo cronograma de expedição na temporada da primavera no Everest. Quando tivermos a confirmação das datas da expedição da Jagged Globe, da qual fará parte o brasileiro Carlos Morey, divulgamos. Enquanto isso, posto um calendário-base, que não será muito diferente do que acontecerá:

 

27 de março:

os alpinistas deixam seus países de origem em direção ao Nepal.

 

29 de março:

depois de uma exaustiva viagem (que pode levar dois dias de avião de países ocidentais), chegada a Kathmandu, capital do Nepal.

 

30 e 31 de março:

descanso em Kathmandu e últimos preparativos da expedição.

 

1° de abril:

partida para Lukla, a bordo de um bimotor Twin Otter, rumo a Lukla. Muitos montanhistas têm mais medo deste vôo do que da própria escalada! É incrível porque, voando entre os gigantes himalaios, muitas vezes ainda há terra (o topo das montanhas) acima do avião! O pouso também não é fácil: o aeroporto de Lukla apenas há alguns anos ganhou uma pista asfaltada. Antes, era de terra, mesmo. Mas a dificuldade maior fica por conta da inclinação da pista (!) e de seu final: um imenso paredão de pedra! Aqui, os alpinistas já estão a 2.800 m de altitude. E começa o lento processo de aclimatação.

 

entre 2 e 10 e abril: 

trekking até o Campo Base. São cerca de 100 quilômetros entre Lukla e o Base, atravessando pontes móveis a centenas de metros de altura, por lindas trilhas que à medida que vai chegando ao Base são rodeadas pelas maravilhosas montanhas himalaias, andando ao lado dos iaques (bois tibetanos que levam parte da carga), dos carregadores sherpas e dos companheiros de expedição. 

As vilas sherpas vão se sucedendo, nos limites do Parque Nacional de Sagarmatha: Phakding, Namche Bazaar (a maior de todas as vilas e o centro comercial sherpa, onde as expedições passam uma ou duas noites e há gente de todas as partes do mundo, celebrando e confraternizando...), Khumjung, Tengboche (onde há um lindo monastério budista que foi destruído duas vezes, uma por um terremoto e outro por um incêndio, e reconstruído, e onde as expedições são abençoadas antes de prosseguirem o caminho), Pangboche, Periche, Dingboche, Lobuche e Gorak Shep (última vila do caminho e onde há chortens em homenagem aos alpinistas que pereceram na montanha). Entre Gorak Shep e o Campo Base, as expedições costumam subir o Kala Pattar, uma montanha descampada de 5.643 m. Dali, o Campo Base do Everest é avistado em toda sua majestade... 

 

de 11 a 13 de abril:

descanso e “reconhecimento” do Campo Base pelas expedições.

 

de 14 de abril a 29 de maio:

aqui é difícil prever, pois ainda não sabemos quando será a janela de tempo propícia para a subida. Após a chegada das expedições ao Campo Base começam os estudos meteorológicos para definir a data de ataque ao cume. As estatísticas mostram que 80% de todos os cumes aconteceram entre 11 e 25 de maio. Mas há um limite: o fim de maio. Após esta data começa a época das monções, o que torna impossível a escalada. 

 

Já há quem aposte, na Internet, em uma data perfeita para se tentar o cume do Everest este ano: 14 de maio. Vamos ver...

 

30 de maio:

desmonte do Campo Base

 

31 de maio:

trekking até Lukla.

 

1° de junho:

vôo de Lukla a Kathmandu.

 

de 2 a 4 de junho:

descanso e recuperação em Kathmandu

 

5 de junho:

volta dos alpinistas para casa.

 

 

Portanto, enquanto durar as expedições (reais), estaremos a postos com as novidades e o progresso e Morey. 

Nós também estamos embarcando hoje!!

 

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Rumo ao Topo do Mundo!

by Patricia Paladino 13. março 2009 08:02

 

Fotos: Arquivo pessoal Carlos Morey

 

Entrevista / Carlos Morey

por Patricia Paladino 

O alpinista Carlos Morey, 43 anos, paulista de Campinas, estará, a partir de 27 de março, voando rumo ao seu sonho: completar o Projeto 7 Cumes, que consiste em chegar ao topo das montanhas mais altas de cada continente. Para conseguir o objetivo, só falta uma: o Monte Everest. E é isso o que ele vai tentar fazer. Morey é solteiro, sem filhos, formado em Análise de Sistemas pela Unicamp e consultor (Arquiteto de Soluções) da Hewlett Packard do Brasil há 20 anos. Se tocar os 8.848 metros do Everest, Carlos Morey será o oitavo brasileiro a conseguir ver o mundo de seu ponto mais alto. Antes dele, Mozart Catão, Waldemar Niclevicz, Ana Elisa Boscarioli, Irivan Gustavo Burda, Vitor Negrete, Rodrigo Raineri e Eduardo Keppke já tiveram este privilégio. 

E nós, do Blog O Meu Everest, estaremos lá também. Como boa alpinista virtual, irei cobrir o avanço de Morey passo a passo. Da chegada à Kathmandu ao retorno ao Brasil – e, com as bênçãos da deusa do Everest, tendo chegado ao cume. Só para dar um gostinho, entrevistei Morey sobre sua vida, sua filosofia em relação às montanhas, o Projeto 7 Cumes e, claro, sobre a expedição ao Everest. E é o que vocês vão ler agora.

 

Como você consegue conciliar sua vida profissional e a carreira de alpinista de grandes montanhas? Não é uma tarefa fácil ausentar-se durante um tempo, todos os anos, para subir montanhas...  

Sobre esse tema eu acredito que existem duas vertentes. Uma delas, se ausentar dois meses de uma empresa de informática. Sim, é muito difícil, mas tentei ver se a empresa iria me apoiar de alguma forma para flexibilizar a minha ausência. Como a HP não tem a política de tratar diferentemente os seus funcionários, eu não terei nenhum apoio. Uma outra vertente sobre essa questão é a dificuldade nos tempos atuais de você conseguir ser um ótimo profissional, um pai presente, um marido carinhoso e atuante, um membro ativo da sociedade, estar sempre em contato com os seus amigos, ter espaço para dedicar aos seus hobbies e ainda estar em visitando os vários membros da família. É uma tarefa difícil. Nos últimos meses tenho me dedicado ao meu hobby e à empresa que eu trabalho.  Tenho certeza de que quando voltar as prioridades vão mudar, mas o gosto por viajar e estar buscando superar os objetivos não devem sair de pauta. 

Como sua família encara o alpinismo de grande altitude? E de sua parte: como conciliar  a família e essa sedutora (e arriscada) empreitada?

Moro sozinho. Fomos criados de forma a cada um ser independente e responsável por nossas vidas. Minha mãe e meus irmãos não interferem nos meus projetos, assim como eu não me meto nos deles. A minha mãe não sabe bem o que significa escalar uma montanha. Sobretudo o Everest. Os meus irmãos me apóiam e torcem para que eu consiga encontrar o que eu estou procurando lá no vale do Khumbu.  

Como você começou no alpinismo?

Minha primeira escalada foi no Chile. Em 1991 eu estive fazendo turismo na cidade de Pucon. Lá vi um vulcão ativo e tive a oportunidade de escalá-lo. Para um sedentário, foi uma tarefa difícil. Em 1997 estive no Campo Base [do Everest]. E na mesma época fiz um curso de escalada em rocha. Mas o montanhismo a sério começou em 1999 quando estive no topo da África, no Monte Kilimanjaro. Lá fui apresentado ao Projeto 7 Cumes e comecei uma jornada que  se encerra com o Everest.  

O que significa o alpinismo para você? De que maneira este esporte se encaixa em sua vida?

Eu prefiro chamar de montanhismo, pois prefiro as altas montanhas e onde o preparo é diferente. Para mim o montanhismo é uma forma de você se superar e avançar no objetivo de chegar até onde não existe mais para onde subir e poder ter a visão do mundo lá de cima. Não vejo a montanha como uma inimiga, mas sim uma companheira que me dá a oportunidade de conhecê-la e apreciar a sua beleza. Eu era uma pessoa normal e sedentária. Vivia entre o trabalho e a rotina do dia-a-dia. Hoje, graças a esse meu hobby, tenho uma outra visão da vida. Apesar de ter começado tarde, com 33 ou 34 anos, hoje eu tenho uma saúde melhor e uma rotina de acompanhamento da minha saúde que nunca tive na minha vida. 

 

Morey no Campo Base do Everest, em 1997 

 

Você já esteve no Acampamento Base do Everest, em 1997, pelo lado nepalês. Qual foi o objetivo desta viagem? O que apreendeu da aventura, e que será importante nesta? 

O trekking ao Campo Base foi a primeira viagem internacional fora do eixo Europa-América do Norte. O objetivo era conhecer a Ásia, o budismo e admirar as maiores montanhas do mundo, em especial o Everest. Essa viagem é para mim um marco. A forma de eu ver a vida mudou após essa viagem. As minhas fronteiras se ampliaram, as minhas amizades aumentaram, as expectativas e os anseios também. Sou hoje uma pessoa mais tranqüila e paciente.  

Com o Everest, você completa o Projeto 7 Cumes. Como começou e quando foram os outros? 

Em 1999, quando estava descendo o Monte Kilimanjaro. O meu amigo Charles Klein comentou sobre esse projeto e eu, curioso, fui atrás. Os meus cumes foram: Kilimanjaro, (Tanzânia), pico mais alto da na África (1999);  Elbrus, (Rússia) pico mais alto da Europa (2001); Aconcágua, (Argentina), mais alto da América (2003); Denali, (EUA), mais alto da América do Norte (2004);  Kosciuszko, (Austrália), o mais alto da Oceania (2005); e Vinson, o mais alto da Antarctica (2006).  

Além de finalizar o projeto Sete Cumes, o Everest tem alguma simbologia especial para você? Descreva a montanha, do ponto de vista pessoal, não do alpinista. 

Eu, como o Luciano [Pires, que fez o trekking até o Campo Base em 2001], acredito que o Everest pode ser considerado como uma metáfora. Todos temos alguns “Everests” dentro de nós que alguns enfrentam, uns vivem adiando e outros se dão por vencidos. O Everest é uma montanha muito conhecida. Tenho vários vídeos, fotos e revistas sobre ele. Ter a oportunidade de caminhar por esses lugares será uma honra muito grande.  

Você tem algum “ídolo” no alpinismo? Alguém que você considere um modelo a seguir? 

Não tenho muito essa idéia de ídolos. Mas se existe uma referência no alpinismo, é o sr. Reinhold Messner. Se existe algum desafio no montanhismo nesse planeta, esse italiano o fez. E o fez de uma forma especial.  

Você considera a possibilidade de tornar-se um “alpinista profissional” – como Ed Viesturs, Pete Athans, Eric Simmonson ou David Breashears, por exemplo, que fizeram do esporte seu único meio de sobrevivência, seja através de patrocínio de expedições, sendo como palestrante e consultor de aventura, cinegrafista ou guia de alta montanha? 

Não. Prefiro me diversificar. Praticar mergulho, vela, saltos etc. A vida de guia não é fácil e a responsabilidade desses senhores é muito grande. Eu acredito que eu possa contribuir dando palestras e escrevendo sobre as aventuras e os aprendizados dos quais tenho participado. 

Você pretende encarar o projeto dos 14 Oitomil?

Não. É necessário dedicar a vida para isso. Creio que, com muita sorte e dinheiro, no mínimo sete anos. E, como falei antes, você vai largar muita coisa: amigos, família e você. E existem tantas outras coisas a serem desbravadas no mundo...

 

Como você viabilizou os custos de sua participação na expedição? Há patrocinadores? Ou tem patrocinadores fixos que arcam com o custo do projeto Sete Cumes?

 

Não tenho patrocínio. Achei que o momento seria ideal para esse projeto. Tenho o dinheiro, a disponibilidade, experiência, saúde e a vontade de ir. Talvez no futuro não tenha essa combinação de fatores.

 

 

Este é seu primeiro Oitomil? Como foi sua preparação física e psicológica para enfrentar todas as intempéries de um Oitomil?

Sim. Ia para o Cho Oyu no ano passado, mas devido aos Jogos Olímpicos, a China estragou os nossos planos três semanas antes de embarcar. A preparação física consiste em correr, musculação, bicicleta, abdominais, subir e descer a escada do meu prédio (cheguei até a 200 andares) e fazer trilhas pelas montanhas de São Paulo com os amigos. Mas creio que a parte mais complexa é a parte psicológica. Difícil de se treinar. Sobretudo para uma expedição de dois meses. Estou praticando Ioga e procurando fazer exercícios de relaxamento, motivação e de concentração. Ao longo da viagem eu conto mais como estou indo com essa parte.   

Deduzo que você irá pelo Colo Sul. Correto? Por que esta rota?

 

Sim. Porque sou consultor e gerente de projetos. Vou procurar maximizar as minhas chances de sucesso, minimizando também os riscos. Apesar de ter um maior investimento, o Colo Sul apresenta mais segurança, mais chances de sucesso, creio que é mais belo e há a oportunidade de descansar fora da montanha entre o período de aclimatação e o ataque ao cume. Usar oxigênio é mais uma estratégia de maximizar as chances de sucesso.

  

Você participará de uma expedição internacional. Como será composta a expedição? É através de alguma empresa especializada? Qual?

 

Sim. Sou um membro da expedição inglesa organizada pela Jagged Globe (http://www.jagged-globe.co.uk/). Estive há pouco em Gales, para conhecer os demais membros. Lá estavam oito dos 11 inscritos. Fora eu, todos eram britânicos. Escolhi essa empresa por uma comparação com as demais e a referência de um guia que eu tive na Antarctica, que trabalha com eles.

  

Como será a logística da expedição? Quantos guias, quantos alpinistas, quantos sherpas? Quem é o líder da expedição? Já há definição prévia de duplas de ataque? Todos poderão tentar o cume ou será decidido ao longo da subida, de acordo com a aclimatação e o preparo técnico?

 

Somos 11 alpinistas e mais dois guias (uma escocesa e um polonês). Teremos mais dois guias sherpas. Cada membro terá um sherpa que irá acompanhá-lo o tempo todo. Como a equipe é grande, teremos dois cozinheiros e dois auxiliares. Sem contar com os carregadores. Até o momento não existe uma definição para o ataque. Isso será definido depois da aclimatação. Teremos uma semana em Pheriche (a 4.000m) para descansar e discutir a estratégia de escalada, mas creio que cada par (alpinista + sherpa) será autônomo para decidir se avança ou não. Todos usaremos oxigênio.

  

Você já conhece os companheiros de escalada?

 

Tivemos pouco tempo para nos conhecer, mas posso adiantar que conheci as seguintes pessoas: além de mim, há David Crave, um senhor aposentado que deve ter mais de 60 anos; Bill Goodland, bem forte e na faixa dos 35 a 40 anos; Nick Robertson, que trabalha na avaliação de riscos de investimentos de um banco em York, e deve ter entre 30 e 35 anos; Neil Thompson, também nesta faixa de idade, e que trabalha em uma empresa de aviação; Amanda Richmond, que é casada com Neil; Ian Spalding, analista de Sistemas de Reading e deve ter uns 35 a 40 anos; e Nell Sknee, de quem não tenho informações.

  

O que você considera mais importante na hora de encarar o Everest? O preparo físico, técnico ou psicológico? Ou uma soma dos três?

 

A soma... Cada um tem o seu peso em momentos diferentes da escalada.

   

Qual o ponto que você considera mais crítico em toda a rota, do ponto de vista técnico? A Icefall? O Escalão Hillary?

 

A Icefall. Passaremos lá oito vezes (quatro subindo e quatro descendo).

  

Qual o maior desafio, do ponto de vista físico? O ar rarefeito (e a incerteza da aclimatação perfeita)? A própria natureza do lugar? O risco de algum tipo de problema, como Mal da Montanha, por exemplo?

 

A natureza do lugar e os desafios de subir o caminho. Sempre tive uma boa aclimatação e espero que dessa vez continue assim. Perco apenas um pouco do apetite. Mas espero superar esse problema.

  

Como você encara a chamada “febre do cume”? Concorda com a máxima do Ed Viesturs que diz que “atingir o cume do Everest é opcional. Voltar de lá é obrigatório”? Como você pauta sua escalada, deste ponto de vista? Afinal, o esforço (em todos os sentidos) para chegar ao Campo 4, por exemplo, no Colo Sul, é gigantesco. Você voltaria de qualquer ponto, caso perceba que não descerá em segurança?

 

Cada um tem o direito de ter uma opinião a respeito. A minha, aqui em casa, a 700m do nível do mar é uma, mas sei que não terei a mesma convicção se estiver no Colo Sul em maio. A minha opinião, agora, é que o cume é a metade do caminho. Você deve dosar as forças para chegar ao cume e conseguir voltar são e salvo para casa. Dar tudo só para chegar ao cume e morrer por lá não pode ser considerado um sucesso. Mas lá no Colo Sul, depois de tanto investimento, risco, suor etc, a pressão sobre essa decisão será maior.    

 

O blog O Meu Everest irá acompanhar toda a escalada de Carlos Morey - de sua partida do Brasil até o retorno, em junho - em segurança e com o cume da montanha mais alta do planeta. Nossos posts serão atualizados diariamente, e teremos também notícias das principais expedições, curiosidades, histórias, estatísticas... Enfim, é só subir conosco!

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Literatura de montanha

by Patricia Paladino 9. março 2009 04:29

Olá, alpinistas (e montanhistas) virtuais! 

Desde que me apaixonei pelo Everest, leio e vejo tudo o que me é possível sobre a montanha. Fiz um pequeno acervo de documentários, filmes, fotos e livros, que irei compartilhar com vocês. A idéia deste blog é justamente essa: trocar informações a respeito do Everest, da região onde a montanha está localizada, e de tudo o que diga respeito a isso!  Como são muitos os livros, em português, inglês e espanhol, neste post estão os livros em português. 

Vamos lá! 

 Everest: diário de uma vitória (2002), de Waldemar Niclevicz (Ed. Record).  Waldemar Niclevicz e Mozart Catão foram, em maio de 1995, os primeiros brasileiros a chegar ao topo do Everest. Neste livro, Niclevicz relembra sua primeira tentativa, em 1991, quando desistiu a 300 metros do cume, e deixa o seu relato da ascensão de 1995, pelo lado do Tibet.

 Tudo pelo Everest (1995), de De Waldemar Niclevicz (Ed. Saraiva). Neste livro Niclevicz aborda sua primeira tentativa de chegar ao cume do Everest, em 1991.

Everest, Sagarmatha, Chomolungma (1996), de Waldemar Niclevicz (Ed. Sagarmatha). Um belíssimo livro, de capa dura, bilíngüe, em que Niclevicz mostra, através de fotos e textos, as escaladas pelos dois lados da montanha. Além de ser nosso mais bem-sucedido alpinista em grandes montanhas, Niclevicz é um excelente fotógrafo – e este é um dos pontos altos do livro. É difícil de encontrar, mas através do site do alpinista (www.niclevicz.com.br) é possível encomendar. Infelizmente, deste livro não tenho a foto escaneada, o que é uma pena, pois ele é realmente um livro de arte.

 Everest: viagem à montanha abençoada, de Thomaz Brandolin (Ed. L&PM). Relato do alpinista Thomaz Brandolin (Personalidade Webventure) sobre a primeira expedição brasileira ao Everest, em 1991.

 No ar rarefeito (1996), de Jon Krakauer (Ed. Cia das Letras). O maior best-seller tendo uma escalada como tema. O jornalista norte-americano Jon Krakauer é convidado a acompanhar uma expedição comercial ao Everest, prática cada vez mais difundida. Está no meio de dois dos maiores guias desta montanha: Rob Hall e Scott Fischer. Eles têm a missão de levar para o cume clientes com e sem experiência em montanha, que pagaram para isto. Mas uma tempestade faz com que aquelas expedições de rotina resultem em uma das maiores tragédias da história do Everest. Krakauer sobrevive para dar sua versão dos fatos. Em 1998, o livro foi reeditado (em inglês) com mais fotos e a resposta de Krakauer a Anatoli Boukreev, alpinista que deu outra versão aos fatos no livro "A Escalada". Bom, esse livro é um best-seller e deu origem a muito falatório sobre o Everest. Mas é só um best-seller escrito por um jornalista. E, como jornalista, eu sei que muitas vezes uma história pode ser "melhorada" pra dar mais emoção. Foi o que ele fez em muitas passagens. Mas, enfim, é um bom livro e foi o que levou muita gente a "descobrir" o Everest. Tem seu mérito. Principalmente por mostrar como as expedições comerciais que atolam a montanha todos os anos podem acabar em tragédia pelo despreparo dos amadores.

A escalada, de Anatoli Boukreev e Weston G. Dewalt (Ed. 34). Alpinista renomado, Anatoli foi um dos guias da expedição comandada por Scott Fischer, incluída no desastre que matou oito pessoas pegas por uma tempestade perto do cume. O livro é considerado o "outro lado" da história contada pelo jornalista Krakauer. Pois é. Esse livro foi escrito em resposta às acusações do Krakauer contra Boukreev. E, pra mim, ganha de lavada do outro. O alpinista russo, que foi acusado de negligência pelo jornalista americano em seu livro, responde com seu amor à profissão de guia de alta montanha e pelo amor às montanhas de oitomil. É um livro bonito, emocionante, mas que é bem factual a respeito da temporada 96. Infelizmente Boukreev morreu no ano seguinte, em uma avalanche.

    Fantasmas do Everest - em Busca de Mallory e Irvine (1999), de Jochen Hemmleb, Larry Johnson e Eric Simonson (Ed. Cia das Letras). Às 12h50 do dia 8 de junho de 1924, Noel Odell percebeu dois pontos negros movendo-se sobre a face norte do Everest, a poucas centenas de metros do cume. Ninguém mais veria George Mallory e Andrew Irvine com vida e o resultado seria a maior incógnita da história do alpinismo: teria a dupla alcançado o cume, antecipando em quase 30 anos o feito de Edmund Hillary e Tenzing Norgay? A expedição de Jochen Memmleb, Larry Johnson e Eric R. Simonson partiu em 1999 para desvendar este mistério e as descobertas estão relatadas neste livro. Este é o livro para quem gosta de histórias de expedições _ a começar pela mais famosa de todas, a de 1924, quando George Mallory e Andrew Irvine desapareceram no alto do Everest. O livro mescla as duas expedições (a de 1999, liderada por Eric Simonson, que subiu na expectativa de encontrar a máquina fotográfica de Mallory e o corpo de Irvine, mas acabou fazendo a maior descoberta do alpinismo atual) e a de Mallory, em 1924. Tem fotos incríveis, inclusive do corpo de Mallory, encontrado preservado na encosta da montanha.

 Em busca da alma de meu pai: a jornada de um sherpa ao cume do Everest (2001), de Jamling Tenzing Norgay e Broughton Coburn (Ed. Cia das Letras). Jamling Tenzing Norgay é o filho de Tenzing Norgay, o nepalês que, ao lado de , Edmund Hillary, se tornou o primeiro homem no cume do Everest, em 1953. No livro, Jamling conta suas experiências ao seguir os passos do pai e se tornar guia de montanha (ele participou da expedição da filmagem em IMAX, em 1996). A cultura, o imenso respeito de seu povo com a montanha e os rituais de escalada são detalhados ali. Este livro é um dos meus preferidos. Jamling esteve na fatídica temporada de 96 com a expedição da IMAX, liderada por David Breashears. Ele é filho de Tenzing Norgay, uma lenda do alpinismo. E segue os passos do pai até o cume da montanha. Mas o mais bonito do livro é o amor, o respeito e o orgulho de Jamling demonstra pelo pai. É lindo, imperdível.

 Na estrada do Everest (2000),de Aírton Ortiz (Ed. Record). O trekking pela região do Everest é o tema deste livro do gaúcho Airton Ortiz e seu relato pela antiga estrada do Everest,com seus vales e sopés ora cobertos por florestas, que na primavera se enchem de flores, ora uma terra vermelha,mas nua e seca, que se encosta na neve branca. Ortiz escreve muito bem e nos leva pelo caminho com uma narrativa ao mesmo tempo lírica e humorada. É bem legal.

 O meu Everest: realizando um sonho no teto do mundo (2002), de Luciano Pires (Ed. Geração). Também sobre trekking, narra a aventura de um executivo que, sem ser aventureiro profissional ou praticante, decide realizar seu sonho de percorrer a íngreme trilha que leva até o campo base no Everest, no Nepal. Realizada em abril de 2001, a aventura é retratada sob o ponto de vista de uma pessoa comum, que planejou a viagem com cuidado e preparou-se durante quase um ano, assumindo os riscos de enfrentar dificuldades às quais não estava habituado. O maior mérito deste livro é mostrar que um cara comum pode fazer o trekking até o Acampamento Base. Luciano Pires é bem-humorado, o livro traz charges e fotos feitas por ele, e mostra um outro lado da montanha, que não o dos super-homens que a gente está acostumado a ver nos documentários.

 A morada dos deuses: um repórter na trilha do Himalaia, de Carlos Tramontina (Sá Editora). Este também fala do trekking pelo caminho até o acampamento-base. Muito bem escrito, Tramontina narra com maestria o mundo misterioso do Himalaia, percorrendo suas vilas e conhecendo seu povo. Descobrimos com ele a grandiosidade da paisagem e as particularidades da cultura nepalesa. A narrativa mistura aventura com um lirismo que eu não esperava do Tramontina – pela “técnica de imparcialidade” de todo jornalista. Mas ele deixa tão claro a relação entre o homem e aquela natureza imensa que tira o fôlego. É muito bonito, o livro, e vale muito a pena ser lido.

 Alto risco: uma paixão pelo Everest e por lugares radicais, de David Breashears (Ed. Manole). Este livro foi escrito pelo alpinista e cinegrafrista David Breashears, que dirigiu e foi o líder da experição Everest IMAX. Não fala apenas do Everest (embora ele esteja presente em muitas passagens), mas principalmente do que leva alguém a escalar montanhas. Eu adoro este livro. 

Esse livro não fala apenas do Everest, embora a montanha esteja em primeiro plano nas histórias de escalada do Breashears. Ele é meu ídolo, depois do documentário da IMAX, que ele dirigiu. O documentário, aliás, é maravilhoso, mas depois eu posto aqui os DVDs mais bacanas sobre o Everest. Aqui ele descreve sua caminhada no mundo do alpinismo e mostra um pouco do por que alguns homens são tão malucos que deixam o resto de lado para ficar subindo pelas paredes... É ótimo!

Bem, amigos, espero que esta primeira lista de livros ajude a aumentar a biblioteca! Até o próximo!

Namastê.

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Bem-vindos, alpinistas virtuais!

by Patricia Paladino 2. março 2009 04:37

                                                                                                                                                                                                                                                      Foto de Alan Arnette

 

 

O ponto mais alto do planeta: este é o Monte Everest, segundo o que aprendemos nas aulas de Geografia.  

Um objetivo, muitas vezes inalcançável:este é o Monte Everest, para a pequena comunidade de alpinistas de grandes montanhas, que se aventuram a penetrar em seus domínios. 

Entretanto, o Everest pode – e deve – ser mais.  Sagarmatha, para os nepaleses; Chomolungma, para os tibetanos: esta é uma montanha sagrada, a morada da deusa Miyolansangma, não conquistável por quem não demonstre pureza em seu objetivo. Intransponível para os que não respeitem suas regras. E que regras! Em seu cume, só toca quem antes é tocado pelo abraço da montanha. Só chega quem a montanha permite.  

Porque o Monte Everest, mesmo não sendo, entre os gigantes com mais de 8 mil metros de altura, a montanha de maior dificuldade técnica para ser escalada, é, com certeza, a mais emblemática. O Everest é um símbolo do poder da natureza. Um símbolo da magnitude da Terra, de humildade para quem se vê diante dele. 

Mesmo um homem grande, de 2 metros de altura, é 8.846 metros menor do que o Everest. Somos muito pequenos diante de sua majestade. Um floco de neve, frágil e mínimo, perante sua força. Por isso, somente grandes homens – de qualquer estatura – merecem receber seu abraço. 

Este nosso blog – hospedado no site de um desses homens apaixonados pela montanha, que chegou aos pés de Chomolungma e ali realizou o sonho do “seu” Everest – terá este espírito. 

Será um espaço para notícias, debates, histórias, perfis, entrevistas, enfim, tudo o que se relacione com essa grande aventura de conquistar o Everest. Tanto no sentido de Edmund Hillary e Tenzing Norgay, os primeiros que tiveram acesso ao cume, como no sentido de Luciano Pires – o homem que conquistou o seu Everest ao avistá-lo do Acampamento Base. 

Como uma “alpinista virtual” – que acompanha online todas as expedições na época da alta temporada, que desde 1997 estuda a história, as rotas, as grandes façanhas de expedições e dos grandes homens e mulheres que conseguiram chegar lá no alto –, estarei a postos para compartilhar o amor que tenho por esta montanha com quem estiver aberto a entrar nesta escalada. 

Teremos um Raio-X do Monte Everest. Teremos curiosidades a respeito da história das conquistas. Teremos perfis dos maiores alpinistas de alta montanha. Teremos enquetes com temas atuais. Teremos discussões e debates. Teremos perfis e entrevistas com os alpinistas brasileiros que chegaram ao cume. E teremos – grande expectativa! – o acompanhamento online da expedição do alpinista Carlos Morey, que parte no final de março para Kathmandu com o objetivo de chegar ao topo. Tendo sucesso, Morey completará o circuito dos Sete Cumes – a conquista das mais altas montanhas de cada continente. E nós estaremos lá com ele! 

Enfim, alpinistas virtuais, formaremos uma equipe. Esta será uma expedição longa – só acaba quando terminar o fascínio que temos pelo Monte Everest. 

Namastê!  

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Site desenvolvido por ELIAS LUIZ   -    Servidor Dedicado BABOO   -   BlogEngine.NET 1.4.5.0

Um 'dispatch' inicial de LUCIANO PIRES

Quando lancei o site O MEU EVEREST tive a intenção de registrar a viagem que transformou minha vida. Durante sete anos o site cumpriu sua função mas sempre me incomodou por ser algo estático. Imutável. Sem movimento, sem atualizações. Em 2008 coloquei no ar um MURAL para comentários dos visitantes mas queria mais. Queria que notícias do Everest estivessem presentes. Queria que o conhecimento sobre o Everest - e não apenas minha experiência – fosse compartilhado com quem tivesse sido picado pelo bichinho do montanhismo. E então comecei uma busca por alguém que pudesse ajudar nessa missão.  

E em janeiro de 2009 fuçando na internet encontrei a Patricia. Convidei-a a assumir o posto de editora do BLOG O MEU EVEREST e o resultado está aqui. Seja bem vindo ao nosso Everest. Luciano Pires

Sobre a autora do blog: PATRICIA PALADINO

Patricia Paladino é jornalista, com experiência de 12 anos no Jornal do Brasil e seis anos com comunicação corporativa.

Em 1997, "desbravou" o Everest pela primeira vez. E a partir daí virou, por paixão, uma estudiosa do assunto. Nunca escalou o Everest, mas se um dia o fizesse, reconheceria todas as gretas, os séracs, os marcos do caminho. Afinal, já esteve lá muitas e muitas vezes... cada vez que lê, vê ou escreve sobre o assunto.

Everest, Luciano Pires, Acampamento Base, Kathmandu, Nepal, Tibet, China

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